No final de semana do dia 1 de setembro, junto com meu amigo Filipe Leivas, que sempre tem me acompanhado em passarinhadas na região de Magé (ao qual agradeço, por que sem a companhia dele eu não teria realizado alguns registros), decidimos explorar bastante a área de Mauá e Suruí, pois essa área é bastante interessante para fotografar as aves de manguezais e ambientes costeiros.

 

Saímos de Piabetá as 7 da manhã, equipados com nossas câmeras e fomos de moto que é bem mais rápido. A primeira parada foi em Mauá, que fica bem mais perto que Suruí, pois na última vez em que estivemos por lá pudemos registrar um bando enorme de biguás caçando um cardume de sardinhas e um bandinho de garças que estavam na margem. Fomos no intuito de encontrar este grupo novamente e alugar alguma embarcação para chegar mais perto. Chegando à praia de São Francisco pude observa um pequeno grupo de trinta-réis-de-bando descansando em algumas estacas de uma antiga ponte juntamente com garças e biguás cuja maré estava bastante baixa, tentei me aproximar, mas a lama que estava no local estava afundando, logo só conseguiria uma foto boa se eu me aventurasse na lama. Não hesitei: tirei meus sapatos e entrei na lama até o tornozelo em certos pontos, fui me aproximando e logo à frente pousou um gaivotão bem pertinho de mim, pude fazer alguns registros com direito a filmagem e tudo….

Depois de algumas fotos do gaivotão, escutei os gritos do martim-pescador-grande, pude observar ele em ação: ficava parado no ar, batendo apenas as asas (que nem um beija-flor que paira no ar), olhando para baixo e depois mergulhava rapidamente, era incrível como ele caçava!! Muitas vezes pude observar ele dando esses mergulhos em poleiros fixos e não deste jeito, então ele foi para as estacas e ficou lá se secando um pouco e descansando, foi daí que pude fotografá-lo…

Tentei me aproximar dele um pouco mais, porém ele não me permitiu e bateu em retirada sempre gritando, uma maravilha. Um pouco mais à frente, o grupo dos “trintas” ainda estava descansando, fui me aproximando o máximo que pude para poder fotografá-los….

Depois de algumas fotos bem legais, foram aparecendo aos poucos outras espécies, como por exemplo: savacu, urubus, garça-azul e carcará.

Saí da lama e lavei os pés na casa de um morador que gentilmente me ofereceu uma torneira com água corrente e estávamos nos preparando para irmos a Suruí, onde o Sr. Nicolau nos esperava para sair de barco, notei que o mesmo gaivotão que tinha fotografado minutos antes infelizmente estava agarrado numa linha de pesca junto com uma carcaça de peixe, ele tentou levantar voo mas não conseguiu e ficou deitado, me deu um aperto no coração tirei o sapato e entrei novamente na lama no intuito de salvá-lo, mas na medida em que eu avançava devagar para não espantá-lo não adiantava pois ele se afastava de mim. Infelizmente ele entrou dentro da água e se afastou muito, espero que ele tenha conseguido se livrar da linha.

Sentia-me impotente por não ter conseguido ajudar. Lavei os pés novamente, pegamos os equipamento e fomos a Suruí. Chegando, demos uma pequena parada no barzinho. Ainda pensava no gaivotão. Tomamos um refrigerante bem gelado para refrescar e fomos ao encontro do Sr. Nicolau, entramos no carro e ele e nos levou na entrada do rio Iriri, onde pagamos um pequeno barco a remo e começamos a descer o rio para fotografar algumas espécies que ficam mais na margem.

Na medida em que avançávamos observamos muitos martins-pescadores, garças e socós, mas a espécie que mais queria fotografar era o savacu-de-coroa que sempre se assustava com o barquinho e voava para longe. De repente notei que estávamos a bordo de um barco vermelho, tava explicado porque assustávamos os bichos… porém não desistimos, observei uma movimentação na vegetação de mangue à frente e pedi silêncio e para o Sr. Nicolau não remar. O barquinho foi descendo bem devagar e silencioso, enfim surgiu o savacu-de-coroa e conseguimos o registro….

Na curva do rio no topo da arvore uma garça-moura descansava tranquilamente e não se importou com a cor forte do nosso barquinho….

Chegando a uma parte onde quase o barco não passou, pois a maré ainda continuava baixa. Ainda assim pudemos observar : martim-pescador-verde (Chloroceryle amazona) , martim-pescador-pequeno (Chloroceryle americana), biguatinga (Anhinga anhinga), biguá (Phalacrocorax brasilianus), falcão-de-coleira (Falco femoralis), garça-azul (Egretta caerulea) e um colhereiro (Platalea ajaja) que passou voando um pouco longe.

Vista do Google earth do Rio Iriri, percorremos cerca de 2,5km

Desembarcamos, pegamos o carro, deixamos o Sr. Nicolau em casa e fomos dar mais uma voltinha em algumas áreas de campo e mata. Consegui um registro novo para Magé! A saíra-de-chapéu-preto. Na hora não consegui identificar, somente depois com a foto editada (postada no Wikiaves) que os amigos identificaram para mim, antes a mesma estava em uma condição de luz muito ruim… observamos outras espécies: saíras, risadinha, picapauzinho-de-testa-pintada, sabiá-do-campo, andorinha-do-campo e pica-pau-do-campo…

O dia foi maravilhoso, com registros que estava atrás há algum tempo e que pude, com a ajuda de Deus e dos meus amigos, realizá-los.

A cada dia Magé vem me surpreendendo com sua avifauna. Vejo que preciso me dedicar ainda mais, explorar a região e encontrar registros de novas espécie. É o que posso fazer para tentar ajudar na proteção de nossas matas, que vem sendo desmatadas e ocupadas indevidamente.

Obrigado por lerem e até a próxima passarinhada!