Piracicaba é uma cidade com geografia interessante e sempre tive interesse em passarinhar por lá, ainda mais depois de ver o post da Claudia Covolan sobre a Rua do Porto. Aves comuns como garças, savacus e biguás, mas tudo bem lá do ladinho dos restaurantes. No dia que ela foi, ainda topou com uma boa sósia do Jack Sparrow, nós não tivemos tanta sorte.

Martim-pescador-verde

Martim-pescador-verde

 

Eu e o Cris chegamos às 15h. Ameaçamos pegar a estrada pra Anhembi, depois reconhecemos que era melhor no dia seguinte. Estacionamos o carro na Rua do Porto, pus a Neguinha na mochila e caminhamos no sentido contrário da concentração dos restaurantes, um cantinho mais sossegado onde havia algumas pessoas pescando. Logo avistamos um bandinho de bicos-de-lacre – uma ave comum, mas um mimo que eu não canso de ver. No mesmo cantinho tinha ninho de lavadeira-mascarada, um casal de martim-pescador-verde (os dois com pequenos peixinhos no bico), pardais, e alguma elaenia que não consegui identificar. Periquitão-maracanã e provavelmente o periquito-rico sobrevoavam.

Às 17h30 fomos procurar um lugar pra comer. Caminhando pela rua, até um pedaço que é só calçadão, há vários restaurantes que fazem peixe na brasa e têm vista para o rio. 17h30 é um horário morto, intermediário, a maioria dos lugares parecia aguardar o início da noite, mas achamos um com grelha ativa e atendimento bem simpático. Um nome engraçado “Arapuca”. Foi um dos melhores peixes que eu já comi na vida: uma posta de filhote firme, bem temperada, deliciosa. Pedimos também o cuscuz de peixe e camarão. Bom, mas não tão meritório como o peixe. Eles tinham um sistema de rodízio a R$ 27 com tambaqui, filhote, pintado, piapara. Parecia bom, mas fomos à la carte. Nesse caso, os peixes são vendidos por quilo: eles ficam pré-assados, você vai até a grelha, escolhe seu pedaço, e o churrasqueiro termina de preparar.

Demora. Nosso peixe levou meia hora pra ficar pronto, mas valeu a pena. Enquanto esperávamos, podíamos ver o movimento das andorinhas-pequena-de-casa, as andorinhas-do-rio, garças, biguatingas, savacus. Um jovem savacu decidiu pousar na grade na nossa frente. Estava aquela luz linda de fim de tarde, e consegui bons closes. Quando a luz já tinha acabado, uma garça-moura aparece pra tomar banho na nossa frente, meio ao longe. Não coloquei a exposição pra menos, queimei as áreas claras, como foto ficou ruim, mas postei porque tem poses interessantes da garça.

Depois do jantar, fomos procurar um hotel. O Trip Advisor classificava o Beira Rio Palace Hotel como o número 1 da cidade. Fomos conhecer, bonito, não muito caro R$ 235, com bar, piscina. O defeito – que pra quem se importa com barulho – é um defeito grande, são os aparelhos de ar-condicionado velhos, não do tipo Split. E, apesar do hotel ser bonito e arrumadinho, ele também faz recepções de casamento, então não recomendo o restaurante do hotel em dia de festa. Nossa pizza levou 1h pra chegar, e ninguém avisou que ia demorar assim.

Fomos dormir tarde (mais de 23h. Tarde pra passarinheiros). O Cris não conseguiu dormir direito por causa do barulho e no dia seguinte saímos tarde do hotel.

O plano inicial era sair cedo pra conhecer o famoso Tanquã, o minipantanal do interior de São Paulo – um bairro de pescadores com uma área alagada. É fácil de chegar: você pega a estrada pra Anhembi, a SP 147 (o GPS te indica mais ou menos e há placas pela cidade), depois de 30km começam a aparecer umas placas indicando Tanquã. Depois de rodar 50km de asfalto, mais 6km de terra e está lá.

O certo era a gente ter ligado antes e reservado um barqueiro, mas minha intuição dizia pra não fazer isso, e não fiz. Assim, sem estresse quando o Cris não conseguiu sair da cama às 6h, e tudo bem chegar lá, saber que não tinha barqueiro, pegar um telefone de contato, ver a chuva, pensar “quem bom que a gente não está no barco tomando essa chuva”.

O Tanquã é um lugar muito interessante, com registros de aves como a paturi-preta, marrecão, marreca-de-asa-azul, pato-de-crista. O verão é uma boa época para ver as aquáticas, programe-se. Mas tem que reservar um barqueiro antes. O Sivonei Pompeo indicou esse barqueiro Ivanildo (19 99744-2955). Pegamos o telefone de contato de um outro, o filho do Carlinhos que tem um bar. No dia que fomos ele estava fora com uma bióloga. Falar com Carlinhos: 19 3448-7014 / 19 9 9663-2637. Também tem o “Alemão” (19) 3418-7115. Em novembro de 2013, o preço era de R$ 120 + gasolina para passear o dia todo, barco para 4 pessoas. Se nenhum desses puder, talvez o Luciano Monferrari, nosso colega do Wikiaves, possa indicar outro.

Saímos do Tanquã e fomos pra Piracicaba, almoçar no mesmo Arapuca. No caminho, gavião-carijó-pós-chuva, pica-pau-branco, chopim-do-brejo, noivinha-branca, tesourinha, tesoura-do-brejo. No Arapuca, enquanto aguardávamos, um ferreirinho-relógio e uma choca-barrada – passarinhar da mesa do restaurante é um luxo.

Piracicaba é um lugar muito agradável, recomendo o passeio, tanto pela cidade, como para o Tanquã (nem fui ainda, mas tenho certeza de que é um passeio que rende, veja os posts do Luciano e do Sivonei).

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