Mais uma passarinhada no Bairro Parque Caçari, em Boa Vista – RR, um local de fácil acesso e que é sempre generoso em número de aves e espécies.

João-pinto-amarelo (Icterus nigrogularis) Yellow Oriole

 

Como adquiri uma nova lente (canon 300mm fixa IS f/4) tenho procurado melhorar os meus registros antigos no que diz respeito à qualidade das imagens e mostrar outros ângulos e detalhes das aves que possuem poucos registros fotográficos.

Por se tratar de melhorar os registros, e não simplesmente de registrar, procurei de início uma árvore seca, que não permitisse à ave ficar escondida e ao mesmo tempo que ficasse exposta ao sol. Me posicionei de costas para o sol, a uma distância não muito grande (uns 6 metros), e antes de começar a usar o playback surgiu o primeiro indivíduo, uma fêmea de pica-pau-anão-de-pescoço-branco. Nessas situações o ideal é o uso do tripé mas ainda prefiro optar pelo conforto das alças que tenho usado, que se apoiam somente nos ombros e não no pescoço. Fiz uns quatro registros dessa ave que ainda pretendo melhorar já que não consegui uma posição em que os galhos não marcassem a foto com alguma sombra.

Pica-pau-anão-de-pescoço-branco (Picumnus spilogaster)

Tentei trazer outras aves até essa árvore com o playback mas como não estavam respondendo mudei de idéia e preferi explorar a borda da mata sempre de costas para o sol. No percurso avistei o chororó-do-rio-branco que não quis deixar o emaranhado de galhos (a foto a seguir é de uma saída anterior)

Chororó-do-rio-branco macho (Cercomacra carbonaria)

Trata-se de um local com muitas espécies e após ter visto várias delas percebi uma outra que eu estava interessado em registrar, a choca-de-crista-preta, e consegui uma boa foto do macho com o auxílio do playback.

Choca-de-crista-preta (Sakesphorus canadensis)

Como estava dando sopa, aproveitei a boa luz pra registrar também a choca-barrada.

Choca-barrada (Thamnophilus doliatus)

E finalmente, quando já ia procurando outro local, pousou num galho alto o garrincha-dos-lhanos.

Garrincha-dos-lhanos (Campylorhynchus griseus)

Se você ainda não ouviu, vale a pena conferir o canto dessa ave.

Só consegui um registro pois acabou o cartão de memória e tive que ir até o carro trocá-lo. De lá, desci por uma estrada que segue em direção ao rio e já nos primeiros metros, quando ia passando sob uma árvore baixa, ouvi o joão-pinto-amarelo (foto de abertura) que estava bem próximo, sobre minha cabeça. Fiz alguns registros em condições de pouca luz mas até que ficaram bons.

Um pouco mais adiante, enquanto procurava os cantos em meu gravador, por acidente acabei atraindo um casal de sabiá-gongá. Levei o reprodutor de áudio pra próximo de uma árvore e torci pra pousarem no topo dessa árvore. Deu certo:

Sabiá-gongá (Saltator coerulescens)

Andando mais uns 100 metros encontrei uma fêmea da choca-de-crista-preta que também consegui registrar.

Choca-de-crista-preta (Sakesphorus canadensis)

Fiz outros registros (caneleiro-cinzento, garrinchão-de-barriga-vermelha, amarelinho-da-amazônia) mas pretendo usá-los em alguma postagem futura. Já eram 9 horas e decidi voltar devagar procurando mais alguma coisa. Quando cheguei no carro percebi numa grande árvore próxima uma movimentação e decidi verificar. Era um casal de joão-pinto que registrei à sombra com o céu de fundo e acabou ficando um pouco escuro. Como tenho usado fotografar em RAW consegui uma recuperação razoável do arquivo. Essa ave é das que considero mais lindas na fauna brasileira e é sempre um grande prazer poder registrá-la. Seu laranja intenso que se dilui até o amarelo formando degradês ao longo do corpo, a máscara azul ao redor dos olhos em forma de triângulo no fundo preto que envolve parte da cabeça e pescoço, os olhos amarelos e todos os seus detalhes super bem acabados associados ao canto complexo de timbre agradável nos conduzem por instantes a um plano de perfeição estética onde a contemplação e o encantamento se misturam.

João-pinto (Icterus croconotus)

Logo abaixo de onde estava pousado o joão-pinto em uma vagem dessa árvore quase à altura de minha cabeça percebi a chegada de um picapauzinho-anão macho que não consegui registrar decentemente por estar a menos de 1,5 metros e com pouca luz. Fiz um teste sem flash procurando não espantá-lo mas voou logo em seguida não me permitindo um clic melhor.

Picapauzinho-anão (Veniliornis passerinus)

Ainda sob essa mesma árvore, já deixando o local, fiz o registro de uma fêmea de pipira-vermelha em um pequeno bando.

Pipira-vermelha (Ramphocelus carbo)

Às 9h45 já estava em casa na rotina de apagar fotos, escolher as melhores e editá-las pra dividir com os colegas o prazer de apreciar esses caprichos da natureza.