• Texto e fotos: Carlos Nascimento

História de Nova Trento

No ano de 1875, período da grande imigração europeia para o Brasil, muitos imigrantes, entre eles italianos, alemães, austríacos e poloneses, desembarcaram no Brasil. Entre os imigrantes austríacos, saídos do antigo Império Austro-Húngaro, chegaram à região as famílias da região trentina do Tirol. Os tiroleses de língua italiana (trentinos) encontravam-se em dificuldades na terra de origem, por causa das crises no setor agrário, ocasionadas pelas guerras da unificação italiana que enfraqueceram o comércio local. Os imigrantes tiroleses entraram no Vale do Itajaí juntamente com os colonos alemães e também foram incentivados por Dr. Blumenau. Eram todos trentinos, isto é, de língua italiana. Em 1892, batizaram a nova colônia como Nova Trento em homenagem à sua região de origem. Ali se formou uma comunidade agrícola e profundamente católica. A região tirolesa permaneceu unida à Áustria do século XV até 1918 (Primeira Guerra Mundial), quando a porção sul do antigo condado (incluindo o atual Trentino) foi anexada à Itália. Nova Trento constituía, até aquela data, a maior colônia austríaca do Brasil e, após a guerra, passou a ser uma das maiores colônias italianas de Santa Catarina. O Império Austro-Húngaro era conhecido por agregar diferentes povos, de diferentes idiomas e culturas. A região trentina se caracteriza por ser de língua italiana, mas com históricas influências germânicas. Atualmente a Província Autônoma de Trento possui um estatuto de autonomia bastante amplo e que garante suas características sociais, econômicas e históricas na Itália atual. Embora fosse inicialmente uma colônia austríaca (seus fundadores saíram do Império Austro-Húngaro e possuíam passaportes austríacos), seus fundadores trentinos eram todos de língua italiana, porque eram os “italianos do Tirol”. A cidade de Nova Trento cultua até hoje as tradições, costumes e a religiosidade de seus antepassados. Muitos italianos da Lombardia e do Vêneto também se estabeleceram em Nova Trento, de modo que em 1900 os descendentes de italianos saídos dessas regiões eram quase a metade da população da cidade.

Atualmente, Nova Trento é o segundo maior polo de Turismo Religioso do Brasil em virtude das peregrinações de fiéis que vão visitar a cidade onde morou Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, a primeira santa brasileira, embora nascida na Europa.

A bandeira de Nova Trento traz as cores da bandeira italiana (que são as mesmas do estado de Santa Catarina) e denota uma acentuada intenção de resgate das origens europeias da cidade ocorrida a partir de 1960, embora, como se sabe, a colônia tenha sido fundada quase 30 anos antes do território trentino pertencer à Itália.

Locais para passarinhar

Morro da Cruz e Santuário de Nossa Senhora do Bom Socorro – Floresta Ombrófila Mista

Localizado a 525 metros de altitude, após uma trilha de onde é possível ter uma vista panorâmica da cidade, principalmente do Vale do Rio Tijucas. Ao longo da subida há 14 capitéis formando a Via Sacra e uma fonte de água potável e natural. O Santuário abriga diversas relíquias centenárias dentre elas uma Cruz que foi implantada em 1899 e está localizada atrás da Igreja na parte mais alta do morro. O santuário teve sua origem no ano de 1899 o Padre Jesuíta Luís Maria Rossi teve a ideia da eregir cruzes nos montes mais altos de nova Trento para comemorar a passagem de século. Seu auxiliar, o Missionário Padre Alfredo Russel, prometeu levantar um monumento à Nossa Senhora do Bom Socorro junto à cruz mais alta.

A passagem de século transcorreu em meio a cantos e orações, fogueiras e fogos de artifícios. E no dia 13 de julho de 1901, sobre o Morro da Cruz, o Padre Alfredo Russel benzeu a cruz e o quadro de Nossa Senhora do Bom Socorro, no lugar onde mais tarde seria erguido um Santuário em sua homenagem. Todo material necessário para a construção do Santuário, madeira, tijolos, telhas, cimento e areia, foi carregado nas costas pelo povo de Nova Trento, bem como a estátua de Nossa Senhora do Bom Socorro, vinda da França como doação da Condessa Clermont de Tonnerre e presente no Morro da Cruz desde 14 de maio de 1906.

Outro local maravilhoso para observar aves é o Santuário de Santa Paulina

É um santuário dedicado a Santa Paulina, primeira santa brasileira, localizado em Vígolo, bairro de Nova Trento, com aproximadamente 9.000,00 m² de área. Reúne não só atividades religiosas (missas, bênçãos, espaços para oração, reflexão e confissão), como também atrações culturais, ecológicas e históricas. Foi planejado para receber aproximadamente 3 mil pessoas, o Santuário tornou a cidade de Nova Trento um importante referencial de turismo religioso no estado de Santa Catarina e no Brasil.

Lá se une o útil ao agradável, a congregação possui forte apelo preservacionista e pode-se registrar muitas espécies da mata atlântica.

O município é um reduto ecológico belíssimo. Originalmente constituído de Mata Atlântica, mas com alguns núcleos de Floresta Ombrófila Mista na altas encostas, atrai a todos que visitam. A região foi submetida a um intenso processo de devastação da cobertura florestal , principalmente nas décadas de 1970 e 1980, para extração de madeiras para abastecimento das madeireiras da região. Atualmente, a floresta original está reduzida às reservas de Preservação e em locais de difícil acesso que é o caso do Morro da Cruz.

A região faz parte de Serra do Tijucas, apresenta o entorno um importante maciço florestal, com vegetação primária em locais de maior altitude e secundária em estádios médio e avançado de sucessão nas partes inferiores.

Possui Floresta Ombrófila Densa, com altitude entre 250 e 1.148 metros acima do nível do mar, estando representadas as formações Submontana, Montana e Alto Montana (Veloso et al., 1991).

A Serra do Tijucas representa um divisor de águas entre a Bacia do Rio Tijucas e a Sub-bacia Hidrográfica do Rio Itajaí-Mirim.

Alguns trabalhos científicos registram para a área 171 espécies encontradas  no Morro da Cruz, entre altitudes de 30 e 525 m s.n.m, com 161 espécies, no mesmo município (Cadorin e Legal, 2008). Das espécies de aves identificadas, 145 foram constatadas através do uso de listas de Mckinnon, e são usadas aqui para caracterizar a distribuição altitudinal. Conforme a estimativa de riqueza, há uma tendência ao incremento de novas espécies para as três classes altitudinais.

No Santuário já vi periquito-rico, caneleiro-de-chapéu-preto, curutié, pia-cobra, tiê-preto.

Sobre o araçari-banana, papa-moscas-cinzento e o pica-pau-dourado

Quando optei em visitar a região do vale do Rio Tijucas tinha uma noção que poderia encontrar algumas espécies florestais que ainda não tinha feito registro. Para minha surpresa depois de mais de 3 meses sem fazer um lifer emplaquei duas novas espécies.

Araçari-banana (Pteroglossus bailloni) é uma espécie de ave da família Ramphastidae. Pode ser encontrada nas regiões montanhosas da Argentina, do Paraguai e dos Estados brasileiros da região Sul e Sudeste. Possuem plumagem amarelada e bico oliváceo com a base vermelha. Foi um sonho registrar essa linda espécie. Estavam em um casa forrageavam na embaúba – ecropia pachystachya. Fruto preferido pela família Ranphastidae, a ambaúba (Cecropia pachystachya) é uma árvore da família Urticaceae, também conhecido como embaúva, imbaúba, umbaúba, umbaubeira, ambaíba, árvore-da-preguiça e umbaúba-do-brejo.  Foi somente nesta hora que consegui fazer o registro no dossel desta floresta.

Meu outro lifer nessa saída foi o papa-moscas-cinzento, ave passeriforme da família Tyrannidaee, mede 15cm de comprimento. Possui característica de seguir bandos mistos e capturar insetos em voo acrobáticos como seus congêneres. Nesse dia tinha esse comportamento que ajuda na identificação apesar de não estar seguindo bando mistos, pois acredito estarem em período reprodutivo. Não encontrei muito bibliografia sobre esse Tyrannidaee (família complicada esta).

Gostaria de deixar uma dica para os passarinheiros, na dúvida faça o registro.  Foi o que aconteceu com a outra espécie registra nessa saída. Estava olhando para o dossel procurando o araçari-banana quando vi esse bichinho marrom, pensei, o que este joão-de-barro estava fazendo no meio da mata, fiz o registro e dai pude conferir se tratar do caneleiro, ave passeriforme da família Tityridae. Conhecido também como caneleiro-castanho. Seu nome significa: do (grego) pakhus = grosso, robusto; e rhamphos = bico; e do (latim) castaneus, castaneum = castanho, marrom, da cor da castanha. ⇒ (Ave) castanha com bico robusto. Mede cerca de 15 cm de comprimento e alimenta-se de insetos e frutos. Com relação à incidência em Santa Catarina, varia de incomum a localmente comum em bordas de florestas úmidas, matas de várzea, capoeiras e clareiras com grandes árvores remanescentes. Pousa bem alto, em galhos expostos, o que o torna bastante visível. Vive aos pares, não tendo o hábito de participar de bandos mistos. Possui distribuição geográfica em grande parte da Amazônia brasileira, tanto ao norte quanto ao sul do Rio Amazonas, e ainda da Bahia até o Rio Grande do Sul. Encontrado também na Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Ressalto ainda o registro pica-pau-dourado, ave piciforme da família Picidae. Emite um grito fortíssimo e agudo ou tamborila por minutos, seguidos em grandes troncos secos e ocos no interior sombrio das matas. Seu nome significa: do (latim) piculus = diminutivo de picus = pequeno pica-pau; e do (latim) aurulentus = da cor do ouro, dourado. ⇒ Pequeno pica-pau da cor do ouro ou pequeno pica-pau dourado. Tem como características: Mede aproximadamente 20cm. Apresenta os lados da cabeça oliváceos atravessados por duas faixas amarelas horizontais, garganta amarela, vértice e faixa malar encarnados. Rêmiges barradas de castanho. Apresenta manifestações sonoras: sequência plangente e descendente “iu, iu, iu”.

Alimenta-se de larvas de insetos, escondidos sob a madeira , habita o interior e as bordas da Mata Atlântica montana (de 750 a 2000m de altitude), com sub-bosque tomado por soqueiras de bambus; nas matas subtropicais no Sul. Também frequenta matas mesófilas, matas ciliares e matas de araucárias. Vive sozinho ou aos pares, acompanhando bandos mistos pelo sub-bosque e estrato médio de áreas serranas florestadas do Sudeste e Sul do Brasil. Suja a plumagem, principalmente quando encosta na terra e no capim. Dorme e abriga-se da chuva pesada em ocos de árvores. Distribuição geográfica: Regiões serranas do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, até o Rio Grande do Sul, podendo ser encontrado na Argentina e Paraguai. Ainda é possível encontrar esta espécie nos remanescentes de florestas mais longe de sua área de ocorrência atual, pois antes quando a Mata Atlântica era mais extensa sua ocorrência original também era.

Lista de aves da região

ANDORINHA Notiochelidon cyanoleuca

ANU-BRANCO Guira guira

ANU-PRETO Crotophaga ani

ARAPAÇU-GRANDE Dendrocolaptes platyrostris

ARAPONGA Procnias mudicollis

ARAQUÃ Ortalis squamata

BARBUDO-RAJADO  Malacoptilla striata

BEIJA-FLOR-GRANDE-DO-MATO Ramphodon naevius

BEIJA-FLOR-PRETO-E-BRANCO Melanotrochilus fuscus

BEIJA-FLOR-RUBI Clytolaema rubricauda

BEIJA-FLOR-VERDE Thalurania glaucopis

BENTEVI Pitangus sulphuratus

BENTEVI-PIRATA Legatusleucophaius

BENTEVI-RAJADO Myiodynastes maculatus

CABEÇUDO Leptopogon amaurocephalus (Tschudi, 1846)

CAMBACICA Coereba flaveola

CANÁRIO-DA-TERRA Sicalis flaveola

CANELEIRO-DE-CHAPEU-NEGRO Pachyramphus validus

CARÃO Aramus Guarauna

CARACARÁ Polyborus plancus

CHOQUINHA-CARIJÓ Drymophila malura

CHOQUINHA-CINZENTA Myrmotherula unicolor

CHOQUINHA-DE-FLANCO-BRANCO Myrmotherula axillaris melaena

CIGARRA-DO-COQUEIRO Tiaris fuliginosus (Wied, 1830)

COLEIRINHO Sporophila caerulescens

COROCOCHÓ Carpornis cucullata (Swainson, 1821)

CORRUÍRA Troglodytes aedon

CORUJA-BURAQUEIRA Athene cunicularia (Molina, 1782)

CORUJA-DE-IGREJA, SUINDARA Tyto alba

CORUJA-DE-ORELHA Megascops sanctaecatarinae (Salvin, 1897)

CORUJA-MOCHO-DIABO Asio stygius (Wagler, 1832)

CUSPIDOR-DE-MÁSCARA-PRETA Conopophaga melanops

DANÇADOR TOPETE PRETO Piprites pileatus

FORMIGUEIRO-DE-CAUDA-PARDA Drymophila malura

FRANGO D’ÁGUA Gallinula chloropus

GALINHA-DO-MATO Formicarius colma ruficeps

GARÇA-BRANCA-GRANDE Casmerodius albus

GARÇA-BRANCA-PEQUENA Egretta thula

GARIBALDI Agelaius ruficapillus

GATURAMO BANDEIRA Chlorophonia cyanea

GATURAMO Euphonia violacea

GATURAMO-FERRUGEM Euphonia pectoralis

GAVIÃO-PEGA-MACACO Spizaetus tyrannus

GAVIÃO-CARIJÓ Rupornis magnirostris

GAVIÃO-TESOURA Elanoides forficatus (Linnaeus, 1758)

GUAXE Cacicus haemorrhous

INAMBU-GUAÇÚ Crypturellus obsoletus

INHAMBU-CHINTÃ Crypturellus tataupa (Temminck, 1815)

JAÇANÃ Jacana-jacana

JACU-AÇU Penelope obscura

JOÃO-DE-BARRO Fornarius rufus

JURITI Leptotila verreauxi

JURITI-GEMEDEIRA Leptotila rufaxilla (Richard & Bernard, 1792)

LIMPA-FOLHA-COROADO Philydor atricapillus (Wied, 1821)

MAITACA Pionus maximilian

MARIQUITA Parula pitiayumi

MARRECA-PIADEIRA Dendrocygna viduata

MARTIM-PESCADOR-GRANDE Ceryle torquata

MARTIN-PESCADOR-PEQUENO Chloroceryle americana

PAPA-FORMIGA-DE-GROTA Myrmeciza squamosa (Pelzeln, 1868)

PAPA-MOSCA-UIRAPURA Terenotrillus erythrurus

PAPA-TAOCA-DO-SUL (OLHO-DE-FOGO) Pyriglena leucoptera

PATINHO Platyrinchus mystaceus (Vieillot, 1818)

PERNA-LONGA Himantopus himantopus

PERIQUITO-RICO Brotogeris tirica

PICA-PAU-ANÃO-DE-COLEIRA Picumnus temminckii

PICA-PAU-BENEDITO Melanerpes flavifrons

PICA-PAU-BRANCO Heteroxolmis dominicana

PICA-PAU-CHÃ-CHÃ Colaptes C. campestroides

PICA-PAU-DE-CABEÇA-AMARELA Celeus flavescens

PICA-PAU-DE-BANDA-BRANCA Dryocopus lineatus

PICHORORÉ Synallaxis ruficapilla (Vieillot, 1819)

PICUÃ Piaya cayana (Vieillot, 1817)

PINTASSILGO Spinus magell anicus

PIXOXÓ Sporophila frontalis (Verreaux, 1869)

POLÍCIA-INGLESA-DO-SUL Sturnella superciliaris (Bonaparte, 1850)

PRÍNCIPE Pyrocephalus rubinus

PULA-PULA-DO-RIO Phaeothlypis rivularis

QUERO-QUERO Venellus chilensis

ROLINHA Columbina talpacoti

SABIÁ-BRANCO Turdus leucomelas

SABIÁ-DE-COLEIRA Turdus albicollis

SABIÁ-LARANJEIRA Turdus rufiventris

SABIÁ-PRETO Platycichla flavipes

SACI Tapera naevia

SAÍ-ANDORINHA Tersina viridis

SAÍ-AZUL Dacnis cayana

SAÍ-VERDE Chlorophanes S. Spiza

SAÍRA-PRECIOSATangara peruviana

SAIRA-DA-MATA Hemithraupis ruficapilla

SAÍRA-DE-SETE-CORES Tangara seledon

SAIRA-MILITAR Tangara cyanocephala

SAÍRA-PRECIOSA Tangara preciosa

SAIRA-LAGARTA Tangara demaresti

SANHAÇO-DE-ENCONTRO-AZUL Thraupis cyanoptera

SANHAÇO-CINZENTO Thraupis sayaca

SANHAÇO-DE-ENCONTRO-AMARELO Thraupis ornata

SARACURA Aramides saracura

SARACURA-TRÊS-POTES Aramides cajanea

SIRIRI, SUIRIRI Tyrannus melancholicus

SURUCUÁ-GRANDE-DE-BARRIGA-AMARELA Trogon viridis

SURUCUÁ VARIADO Trogon surrucura

SURUCUÁ-DE-BARRIGA-AMARELA Trogon rufus

TANGARÁ-DANÇADOR Chiroxiphia caudata

TESOURINHA Tyrannus savana

TICO-TICO Zonotrichia capensis

TIÊ-PRETO Tachyphonus coronatus

TIÊ-DE-TOPETE Trichotharaupis melanops

TIÉ-SANGUE Ramphocelus bresilius

CAPITÃO DE SAIRA Attila rufus

TIZIU Volatinia jacarina

TIRIVA Pyrrhura frontalis

TRINCA-FERRO-VERDADEIRO Saltador similis

TROVOADA Drymophila ferruginea

TUCANO Ramphastos dicolorus

URU Odontophorus capueira

URUBU Coragyps atratus

URUTAU Nyctibius griséus

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