No Pontal do Paranapanema, um parque grande, com alojamento barato e muitas aves

Vamos falar um pouquinho do Parque antes de começar a contar a nossa aventura. O Parque Estadual Morro do Diabo (PEMD) situa-se no Pontal do Paranapanema, no município de Teodoro Sampaio/SP, extremo oeste do Estado de São Paulo. O Parque foi criado como Reserva Estadual, em 1941, pelo então governador Fernando Costa, constituindo uma das três unidades de conservação do Pontal do Paranapanema. No ano de 1986, a Reserva passou para o status de Parque Estadual. Sua área aproximada é de 33 mil hectares. (coordenadas 22°31’45” S 52°17’51” W)

O Parque dispõe de um Centro de Visitantes com auditório, banheiros e salas adaptadas para educação ambiental. No local também há um Museu Natural com espécimes locais. O Parque ainda dispõe de hospedarias estruturadas para receber visitantes e pesquisadores, além de refeitório na hospedaria e quiosques para piquenique. Para os visitantes interessados em história e cultura, há o Ramal de Dourados, antiga ferrovia que corta o parque, onde é possível visualizar resquícios de estações construídas em meio à mata.

Possui trilhas interpretativas monitoradas. A visitação pública é geralmente constituída por estudantes e grupos organizados. Para tanto é necessário agendar as visitas com antecedência, uma vez que a procura é grande e a capacidade de atendimento é de 50 pessoas por dia, limite estabelecido para minimizar os impactos causados pelo uso público na área. *Veja telefone de contato ao final.

O principal atrativo do Parque é o Morro do Diabo, 600 metros acima do nível do mar. Para se chegar ao topo, percorre-se uma trilha de 1,7 km, que começa na SP-613, rodovia que corta 14 km da unidade. A trilha é de fácil acesso (dificuldade média), pois conta com corrimão e escadas esculpidas na própria pedra que constitui o solo do morro. De cima, a visão é deslumbrante. Dá para visualizar todo o parque, que estende-se até o vizinho estado do Paraná.

Não se sabe ao certo as origens do nome, há algumas lendas e uma delas cita que homens brancos foram assassinados pelos índios da região na época do Brasil Colônia como vingança pelas atrocidades cometidas por bandeirantes contra a tribo.

O ecossistema do parque é constituído por uma das últimas florestas de Mata Atlântica (floresta estacional semidecidual) do interior paulista. Tal vegetação perde parte de suas folhas na estação mais seca do ano. Dentre as espécies vegetais típicas desse ecossistema podem ser citadas o cedro, o ipê, a peroba-rosa, a cabreúva e o pau-marfim.

A fauna do parque é também uma das mais bem conservadas de todo o oeste paulista encontrando-se espécies de médio e grande porte. É possível avistar mamíferos quase extintos nessa região do Brasil como a anta, onça-pintada, a onça-parda, o caititu. O mico-leão-preto é a espécie mais característica do Parque, sendo um dos primatas mais ameaçados do mundo. O Parque possui a maior população residente desse animal. Estima-se que no local haja cerca de 1.200 indivíduos. Vivem em grupos de 3 a 6 indivíduos, habitam as copas das árvores, alimentam-se de frutas, insetos, pererecas, ovos de pássaros, etc. Essa espécie ficou quase 70 anos dada como extinta, sendo redescoberta em 1970 pelo Zoólogo Adelmar Faria Coimbra Filho. Infelizmente eu não tive a sorte de avistar nenhum desses bichos.

Confesso que, dos parques que eu conheço, poucos são tão bem estruturados quanto esse. É um excelente lugar para quem gosta de fazer trilhas e melhor ainda para quem gosta de fotografar a natureza. Além do contato direto com esta, o local oferece oportunidades para educação ambiental, pesquisa científica e visitação pública de maneira responsável e sustentável.

Aqui cabe um aparte: meus avós maternos moraram em Teodoro Sampaio lá pelos meados dos anos 70 (1975 mais ou menos), nem existia asfalto na cidade ainda e muito menos estrada asfaltada para se chegar lá, saindo de Presidente Prudente, onde eu morava. Torcíamos para não chover…rs rs rs.

Para nós, a estrada que levava até a cidade era uma delícia, com córregos que, muitas vezes, meus pais deixavam a gente se refrescar de roupa e tudo. Tenho poucas fotos da época. Deixo aqui uma foto escaneada, feita pela minha mãe na estrada quando estava indo ver meus avós (1977).

Desde aquela época eu queria conhecer o Parque (que fica a 11 km do centro da cidade), mas nunca tive oportunidade. O tempo passou e agora, graças ao meu hobby de observação de aves, isso se tornou possível, uma vez que o Parque estava na minha lista de “1000 lugares para passarinhar antes de morrer”, rs rs rs. Há alguns meses, eu e o amigo e guia Cal Martins até conversamos sobre visitar o local, uma vez que nós dois achamos que o Parque abriga espécies fantásticas, mas que ainda estão a ser descobertas e registradas em foto e/ou áudio, tais como a coruja-preta, a murucututu, juriti-vermelha e talvez estrelinha-preta.

No dia 13 de maio/2014, lá no Quero Passarinhar, grupo do Facebook, o colega do CEO e hoje grande amigo, André Briso, postou um link sugerindo às pessoas que visitassem o Morro do Diabo. Manifestei vontade de conhecer. O André perguntou por que eu não aproveitava uma ida à Pres. Prudente para esticar até lá. E não é que eu já tinha uma ida programada, com passagem de avião comprada e tudo, para a grande reunião anual da minha família em Prudente. E aí a coisa começou a tomar forma, algumas pessoas se interessaram. Começamos a nos comunicar e combinar tudo por inbox. Foi assim que a viagem para o PEMD ganhou corpo. Íamos aproveitar o feriado de Corpus Christi.

Combinamos de ir eu, o André Briso, o Leonardo Sanchez e o Tiago Ricardo. Por último tivemos a adesão da Fernanda Fernandex e do Arthur Cintra. O André providenciou as reservas da hospedagem e o monitor para nos acompanhar. Como eu disse no início, o Parque oferece hospedaria.

O custo é muito baixo (no momento R$ 19,00 a diária por pessoa). Necessita levar roupa de banho e cama. Pode se cozinhar na hospedaria (tem fogão, geladeira e alguns utensílios domésticos) ou fazer as refeições em restaurantes na cidade. A hospedaria oferece aos usuários até máquina de lavar roupas.

A gente queria levar um guia profissional, mas todos já tinham compromisso para o feriado. Foi quando o André sugeriu convidar um amigo (Arthur Cintra) que, embora não tivesse experiência como guia, conhecia bem as aves e respectivos sons. Passamos semanas ansiosos pela chegada da nossa viagem. O Tiago Ricardo desistiu próximo à data da viagem. Acho que o papo da existência de MUITOS carrapatos deve tê-lo assustado, ou seria o vídeo da onça? (brincadeirinha) rs rs rs

19/06/2014 – quinta-feira

Saí de São Paulo na quarta-feira (18) logo após o almoço, o voo da Gol dura 54 minutos até Pres. Prudente. Havíamos combinado que o André viria com o Arthur e me apanharia em Pres. Prudente, que fica a 120 km de Teodoro Sampaio. Saímos de Prudente por volta de 6 e pouco da manhã. Marcamos de encontrar o resto da galera em frente a prefeitura de Teodoro Sampaio, inclusive o guia/monitor Fabio de Oliveira Prado.

Quem conhecia o local era o André que já havia estado lá, acompanhando o Arthur Macarrão numa passarinhada. O André sugeriu que fôssemos primeiro ver as saíras-de-papo-preto (Hemithraupis guira), num local próximo ao portão de entrada do morro, trilha que listamos como primeira da nossa passarinhada. O local, embora com trânsito intenso, principalmente de caminhões, mostrou-se bem movimentado de aves. O dia tinha amanhecido bastante nublado e a luz para fotografar estava péssima. Mesmo assim, conseguimos registrar a dita cuja e além dela, o anambé-branco-de-bochecha-parda (Tityra inquisitor), alma-de-gato (Piaya cayana), viuvinha (Colonia colonus), guaxe (Cacicus haemorrhous), gritador (Sirystes sibilator) e saíra-viúva (Pipraeidea melanonota).

No entanto, inesperadamente quem roubou a cena foram as araras-vermelha-grande (Ara chloropterus). No início um bando, depois apenas duas. Elas estavam nem aí com o barulho. Pousavam em galhos que se dobravam sobre o acostamento e faziam uma algazarra enquanto se alimentavam. Foi uma festa para os nossos olhos e lentes.

Após eu gastar quase um cartão de 16 GB com essas belezuras, seguimos para a entrada do Morro, onde deixamos os carros estacionados. O portão fica trancado e quem possui a chave é o monitor. Não se pode subir o morro sozinho sem a presença de um deles, daí a necessidade de reservar.

Logo após passar o portão, um macuru-de-barriga-castanha (Notharchus swainsoni) estava praticamente nos esperando para um ensaio fotográfico.

Iniciamos a subida bem devagar com olhos e ouvidos bem abertos. Acho que devido ao dia estar nublado e frio, havia pouca atividade na mata. Tinha hora que o silencio era perturbador. Em determinados momentos, chocas, choquinhas e/ou chorozinhos anunciavam suas presenças no interior da mata. A subida é íngreme, a mata fechada, mas não é cansativa, pois há corrimões e escadas em quase todo o trajeto, que além de tudo, é bem sinalizado. De vez em quando bancos de madeiras fazem a alegria das pernocas e costas… rs rs rs

Na metade do caminho, o miudinho (Myiornis auricularis) deu um baile na turma…só a Fernanda conseguiu foto e que foto…

Seguimos para o topo e lá em cima, pausa para descanso e uma curtição do visual. A vista panorâmica é exuberante, para ninguém botar defeito. Faltou apenas um céu totalmente azul, … bem, aí é querer demais.

E vamos aos passarinhos. No topo a atividade estava grande. A passarada estava alvoroçada. O sol fez uma suave aparição, aquecendo o dia e acho que eles se animaram. Agora foi a vez do macuru (Nonnula rubecula) permitir foto de capa de livro…ô bicho bonito. O petrim (Synallaxis frontalis) cantou, cantou, rodeou, ficou “brabo” com o playback, mas não quis nada comigo, isso porque seria o primeiro registro para a cidade…azar o dele…rs

Fiz uma foto do pitiguari (Cyclarhis gujanensis) e acabei descobrindo que não havia registro dele na cidade até essa data, mas já que ele veio averiguar o que era aquela muvuca no local, foto, foto, foto (e como bem diz meu amigo Marco Silva, este é um aprendiz de gavião rs rs rs )…

O bonitinho do dia foi o barulhento (Euscarthmus meloryphus)…foi show …”lifer” para todos, menos para mim… Aliás, para o Leonardo e para a Fernanda tudo era novidade. Mais fácil dizer o que não era “lifer” para eles. Mas emociona ver a felicidade estampada no rosto deles a cada nova espécie registrada.

A descida para meus joelhos é sempre mais cruel e fui bem devagar. De novo aquele silêncio que passarinheiro detesta. Pretendo voltar na primavera, pois acho que haverá uma super “festa na floresta” e quero participar dela.

Hora de ir para a hospedaria. Na estrada de asfalto, um pouco antes do portal da sede do parque, tem um banhado. Nesse, além de um casal de pé-vermelho (Amazonetta brasiliensis), alguns frangos-d’água-comum (Gallinula galeata), veio o meu primeiro “lifer” da passarinhada… um casal de pequeninos mergulhões-pequeno (Tachybaptus dominicus) nadavam e se alimentavam …pena que eu estava no último carro e quando estacionamos e eu me aproximei, eles tinham se afastado da margem, mesmo assim, fiquei ali, na esperança que retornassem…mas valeu observá-los alimentando-se para ali e para lá…tão bonitinhos…

Seguimos para a hospedaria, essa por si só, merece um parágrafo à parte. Mas vou descrevê-la apenas com fotos. Quero mostrar como é arrumadinho, e além disso, não tem cheiro de mofo, nem insetos perambulando pelos chãos, paredes e tetos.

Descarregamos nossas tralhas e fomos almoçar na cidade, por indicação do André, escolhemos a Churrascaria Gaúcha, que oferece self-service à vontade por R$ 18,00 ou rodízio de churrasco mais bufê por R$ 27,00. (dados ao final do texto)

Assim que terminamos, loucos para fazer mais trilhas, retornamos à sede. No entorno da mesma, uma avezinha da família que mais adoro, um caburé (Glaucidium brasilianum) ficou nos olhando daquele jeitinho meio de lado (180°), que só as corujas sabem fazer.

O André sugeriu começarmos pela Trilha do Paranapanema, que tem 2,5 km de extensão, nível de dificuldade baixo. Nesta trilha existe uma enorme quantidade de aves, inclusive aquáticas. É ideal para o birdwatching.

A gente queria ver o uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda), mas logo no início do caminho que leva à trilha, um casal de papa-formiga-vermelho (Formicivora rufa) deu um show, um azulão (Cyanoloxia brissonii) deu as caras, mas foi “vítima” de apenas três cliques (um meu, um da Fernanda e um do Arthur), sempre na brenha ainda por cima. Após isso, sumiu, deixando todos com água na boca e gostinho de quero mais.

Havia muito movimento nas matas e brenhas ao redor. Um casal de pica-pau-anão-escamado (Picumnus albosquamatus) encantou a todos…até o bentevizinho-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis), com céu azul de fundo destacou seu amarelo ouro para nossas lentes. No fim desse caminho e na entrada da trilha do Paranapanema, vimos o que nos pareceu um casal de urubu-de-cabeça-vermelha (Cathartes aura), sabe aquela luz bonita, o bicho imponente, olha, foi top, ah, foi.

O André e o Leonardo foram se distanciando na frente e eu, o Arthur e a Fernanda ficamos para trás tentando atrair o uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda), ele veio e ficou ziguezagueando ao redor, e eu bobona ia de um lado para o outro…Tomei um olé dele…quando ia para o lado do Arthur, ele pulava na frente da Fernanda, que aproveitou e fez fotão do bicho no limpo. Eu ia para o lado dela e ele parava na frente do Arthur. Ai, que saquinho, uma vez que o dia já estava no fim, e não dava para esperar mais, pois estávamos quase sem luz, seguimos nosso caminho sem eu conseguir foto do bichinho nem pra remédio.

Um pouco mais adiante encontramos os meninos que tinham acabado de ver duas anhumas (Anhima cornuta), porém o susto foi tão grande que não deu tempo de registrar. Foi impossível fazer toda a trilha por conta da luz, que ia se retirando para dar lugar à noite, que chegava de mansinho.

Estávamos indo para a cidade jantar, quando o Arthur viu um bicho grande pousado no alto…uns 7 metros mais ou menos…descemos eufóricos, achando que era uma coruja de costas. Vocês nem imaginam a nossa cara quando percebemos (aliás, o Leonardo deu a deixa primeiro) que era outro bicho. E nem acreditamos quando descobrimos que era um macuco (Tinamus solitarius). Melhor impossível. Nunca imaginei que meu primeiro macuco seria no alto de uma árvore (fica a dica: olhem sempre o alto das árvores). Rimos muito da situação, mas não paramos de clicar o bicho um minuto…

Na volta do jantar resolvemos ver se ele ainda estava lá. O bichinho estava quietinho, na mesma posição, e nisso a Fernanda avistou um pouco mais alto outro bicho, que inicialmente pensamos ser outro macuco, mas não, era só uma jacupemba (Penelope superciliaris). O quê? Uma jacupemba? Tem certeza? “Liferrrrrr” para todos e para a cidade também. Entramos no mato, mesmo com alto risco de carrapatos e clic clic clic…

Ainda tentamos um monte de playback de corujas, só que nenhuma respondeu. Muito cansados resolvemos voltar para dormir. No caminho uma surpresa, uma coruja-da-igreja (Tyto furcata) ou suindara, como acho mais bonito chamar…sempre linda, e para os novatos uma delicia de lifer. Foi a dama da nossa noite.

20/06/2014 – sexta-feira

Acordamos cedo e preparamos um rápido desjejum (biscoitos, bolinho Ana-maria e capuccino solúvel). Resolvemos repetir a trilha do dia anterior na parte da manhã. Céu muito azul, frio intenso, porém, enquanto aguardávamos o monitor Fábio, fotografamos pelos arredores. Havia benedito-de-testa-amarela (Melanerpes flavifrons), gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea), periquitão-maracanã (Psittacara leucophthalmus) e outros bichinhos…

No caminho de descida até a trilha, nada do azulão, mas o sebinho-de-olho-de-ouro (Hemitriccus margaritaceiventer) deu um mega show para a gente…Logo no início da trilha, mais um lifer fotográfico para a cidade: bico-virado-carijó (Xenops rutilans).

Continuamos pela trilha em busca do uirapuru e nada. Já perto do trapiche, o Leonardo viu um beija flor e na sua pouca experiência sobre as aves arriscou um filhote do beija-flor-tesoura, quando vi, achei que era um bico-reto, e era sim, o bico-reto-azul (Heliomaster furcifer).

Mais adiante, finalmente o uirapuru-laranja (Pipra fasciicauda), deu sinal de vida, apenas um jovenzinho…mas lindinho que só ele…foi muita emoção e mais ainda quando ele parou no meio do bosque e eu consegui uma foto relativamente legal. Mas ainda sonho em ver o belo adulto. Até montei um look para comemorar…

Nós ainda fomos para a Trilha Barreiro da Anta, essa tem 1,7 km, nível de dificuldade: baixo. Essa trilha passa por ambientes de terra firme e alagados, atravessando sítios com vegetação muito fechada ou totalmente aberta, permitindo sentir a dimensão da floresta ao seu redor. Uma palafita conduz o visitante até um barreiro, onde é possível observar pegadas de diversos animais.

Não vimos muita coisa nessa trilha, apenas um arapaçu-grande (Dendrocolaptes platyrostris). Mas o mais legal foi conhecer a planta jaborandi. Durante a caminhada, o monitor Fábio nos deu um pedaço do caule para mascarmos, cujo efeito anestésico na mucosa bucal é imediato. Uma sensação muito esquisita. Talvez foi por isso que não vimos tantos bichos, estávamos todos anestesiados… (brincadeirinha) rs rs rs

Andamos mais um pouco e já que estava na hora do almoço, retornamos. Perto do alojamento, um veado-mateiro pastava tranquilamente.

Perto de umas flores um beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura) se alimentava de flor em flor, fiquei alguns minutos observando aquele ser pequenino ir e vir. É muito frágil e ao mesmo tempo tão forte e resistente para pairar no ar. Isso é o que o torna um ser absolutamente fantástico.

Vimos um casal de periquito-de-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri) examinando um cupinzeiro, talvez imaginando uma nova moradia para eles. Mas gavião e falcão que é bom nada…principalmente o falcão-relógio (Micrastur semitorquatus), né Arthur, que não parava de vocalizar, mas não quis se mostrar de jeito nenhum.

Logo após o almoço, a Fernanda foi embora e nós seguimos para a Trilha da Ferrovia-Angelim. Ela leva ao interior do parque, através de uma estrada rústica contígua ao antigo ramal ferroviário. A trilha chega até o Rio Parapanema, no local do antigo Porto Angelim, onde as balsas atravessavam para o lado paranaense.

É uma bonita trilha, perdemos um tempinho com o danado do Estalador (Corythopis delalandi), vimos a bela Juruva-verde (Baryphthengus ruficapillus) e o Barbudo-rajado (Malacoptila striata). Várias arapongas (Procnias nudicollis) vocalizavam deixando o grupo doidinho para vê-las, mas não nos deram chances.

Já estava ficando tarde, quando o Fábio, nosso monitor falou que conhecia um lugar onde poderíamos ver as araras-canindé (Ara ararauna). Não deu, outra, saímos rapidinho e nos dirigimos para lá (um assentamento)…

Foi um espetáculo que durou menos de meia hora, porque a luz mágica foi embora deixando-nos ainda com vontade de clicar mais, mas sem qualquer condição favorável.

Com o fim da luz, o jeito foi pegar o caminho de volta para casa. Saí com o coração amolecido e com a maior vontade de ficar um tiquinho só a mais. Iremos voltar, com certeza, o lugar é lindo e tem muita ave a ser descoberta. Eu recomendo a todos.

Algumas dicas

HOSPEDARIA DO P.E.M.D.(Parque Estadual do Morro do Diabo)
End: Na sede do P.E.M.D., Km 11 – SPV-028 – Bairro Corrego Seco
Telefone/Fax: (18) 3282-1599 (8 às 17h para agendar)
Peça o monitor Fábio de Oliveira Prado.

CHURRASCARIA GAÚCHA
Av. Manoel Guirado Segura, 939
Telefone: (18)3282-1443

A Gol tem voos regulares para Presidente Prudente, cidade que fica a 120 km (asfalto) do Parque.

Não é necessário carro 4X4.

 

Mata Atlântica (+)