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limpa-folha-ocráceo acho
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choquinha-de-peito-pintado
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limpa-folha-ocráceo acho
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bico-chato-de-orelha-preta
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no quintal do queridíssimo Jonas
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galinha-do-mato-e-maldita-folhinha

 

  • Texto e fotos: Claudia Komesu, com Nikon D800 e Nikkor 300 f4 com tele 1.4. Fotos macro e cenário com a Olympus TG3. Passeio light com o Cris, guiados pelo Guilherme Battistuzzo.

Como acontece com tanta gente do Sudeste, minha vida de birdwatcher começou na Mata Atlântica do Sudeste. Vocês sabem: tantas vezes em que sua foto é um tiro de fé. Você vê algo se mexendo, fotografa, torce pra ter focado, mas só viu um borrão de relance. E claro que pode ser pior. Amazônia, por exemplo, como disse uma amiga, você fica olhando a foto e pensando “será que eu fotografei um monte de folhas?”, até que você reconhece uma ave escondidinha e minúscula no meio de tudo aquilo.

Depois do litoral conheci o Cerrado, o Pampa e o Pantanal, e por um bom tempo só queria saber de fotografar com luz. Afinal de contas, fotografia é luz: no light, no photo.

Mas é um fato que a Mata Atlântica guarda tesouros que só ela tem, e neste ano me vi saudosa daquele verde-escuro, árvores altas, bromélias, insetos escondidos e desafios em forma de emplumadinhos encapetados. (Mais saudosa ainda depois de voltar da Espanha, que é linda, mas sem comparação em termos de riquezas naturais). Por isso no feriado de primeiro de maio voltamos pra Ubatuba, eu e o Cris, e contratamos o Guilherme Battistuzzo pra ser nosso guia.

Fomos conhecer a Trilha da Mococa, uma trilha do Parque Estadual da Serra do Mar que termina num condomínio fechado, fica a cerca de 22km da Praia do Lázaro. Basta na portaria se identificar como alguém que quer andar pela trilha do Parque Estadual. Vão anotar seu nome e placa do carro.

A trilha é plana e relativamente iluminada, mas é Mata Atlântica. Fotografei em 5.6 e ISO 3200 a maior parte do tempo, e mesmo assim tive várias fotos com 100 ou 200 de velocidade. A galinha-do-mato saiu com 40.

Além da galinha-do-mato, vimos cabeçudo, vários papa-moscas-estrela, não-pode-parar bem de perto, muitas rendeiras, limpa-folha-ocráceo, choquinha-lisa, choquinha-de-peito-pintado, tangarazinho, bico-chato-de-orelha-preta, assanhadinho, pica-pau-bufador fazendo ninho, tiê-galo, tiê-sangue, saíra-ferrugem, pintadinho, barbudo-rajado, trovoada, mariquita, pula-pula, maitaca-verde, saíra-sete-cores, saíra-militar, limpa-folha-coroado, bico-assovelado. Demos uma passada para falar oi pro Jonas, e lá havia aquele bando de beija-flores, thraupideos, e também um gavião-bombachinha.

O dia que mais rendeu foi a manhã da sexta. À tarde estava bem parado. No sábado decidimos voltar pra trilha da Mococa, e passarinhamos só na parte da manhã.

A entrada para o condomínio é mais ou menos aqui: -23.5693874,-45.2948104,20. A entrada da Trilha era em alguma extremidade. Olhando no Google Maps, eu diria que é na Rua Atum, mas como há uma Rua Trilha, desconfio que seja na Rua Trilha. Você pode perguntar na portaria.

Guia

O Guilherme é ornitólogo, já trabalhou na Caiman e no Cristalino. Uma pessoa muito tranquila e simpática. Mudou-se para Ubatuba no início do ano. Como acontece com vários guias acostumados a guiar estrangeiros, pode acontecer dele confundir um nome em português. O Guilherme já fez trabalhos voluntários para ONGs na Europa, e cultivava orquídeas quando morava em São Paulo, é alguém que se sente conectado com a natureza desde a infância.

Nesta época do ano as aves ainda não ligam muito pra playback, e a falta de luz na Mata Atlântica de litoral prejudica o resultado das fotos. Mas é sempre uma grande diversão andar em lugares com uma diversidade tão alta de aves, insetos, flora. Recomendo o Guilherme como uma boa opção de guia em Ubatuba. Ele não cobra caro, e o fato de morar na cidade faz com que não haja gasto com hospedagem do guia.

Hospedagem, restaurantes

Ficamos hospedados no Solar das Águas Cantantes, fica na área em frente à entrada pra Folha Seca, mas do outro lado da Rodovia. Diária de R$ 230, com direito a café da manhã em horário passarinheiro, basta combinar antes.

O Solar também tem um restaurante famoso pelas moquecas, são boas (apesar de eu ter ficado estragada depois de experimentar a moqueca do Amadeus em São Paulo – é tão boa que eu nunca mais fiz moqueca em casa, falo pro Cris que no dia que a gente quiser moqueca, vamos no Amadeus).

Comemos em restaurantes bem recomendados no Trip Advisor. O favorito foi o Cannelle, que faria bonito em qualquer cidade. Couvert ótimo com bolinhos de siri, algo como uma bruschetta de banana, mandioca frita. Também pedimos uma entrada que era como uma bruschetta de polvo, também muito boa. O Cris comeu caussolet de frutos do mar, eu pedi um arroz negro com polvo, tudo muito bom. O Cannelle também tem o mérito de ter nos apresentado a pimenta temperada com canela em pau, flor de anis, cravo, azeite e vinagre. Acho que foi a melhor pimenta que já comi. Compramos um potinho, e depois temperamos as de casa com essas especiarias.

Comemos no A Taberna, um português, número 1 do Trip Advisor. Ótima alheira, bolinhos de bacalhau. Mas o camarão na cerveja decepcionou pela quantidade de camarões x preço do prato. Também fomos no Peixe com Banana, a unidade que fica perto do Lázaro. Bom, mas sem destaques. E nos esbaldamos no mercado de peixes de Ubatuba: camarões rosa G por menos da metade do preço de São Paulo. Compramos pacotes congelados que aguentaram bem toda a viagem de volta, apenas bem embrulhados em jornal.

Ubatuba é um destino excelente pra quem busca as aves de Mata Atlântica do litoral. Uma cidade com bastante estrutura e opções de onde passarinhar. E na baixa temporada, fora do verão, as cidades litorâneas ficam um paraíso.

 

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