Cuscuzeiro Analandia Tietta Pivatto 20140201_018 LR
A bela imagem do Morro do Cuscuzeiro refletida no lago tranquilo da propriedade..
Horto Florestal Rio Claro Tietta Pivatto 20140202_011 LR
Além da floresta, o Horto Florestal tem um belo lago cheio de ninfeias e aves aquáticas, um cenário de tranquilidade para o fim de tarde domingueiro

 

Dá pra passarinhar depois das 10h, ainda mais nesse calorzão? Descobri que sim!

Todo observador de aves já sabe: se quiser ver passarinho, tem que acordar bem cedo. De preferência estar no local desejado ao amanhecer para aumentar a chance de encontrar e fotografar as espécies mais interessantes. Eles têm razão. E é verdade também que isso acaba desestimulando diversas pessoas, uma vez que muitos dos interessados em conhecer a atividade só podem fazer isso no final de semana, geralmente os únicos dias de descanso depois de uma semana de trabalho. Pensar em madrugar para ver passarinhos torna-se então um fator limitante para muitos iniciantes.

No último final de semana eu participei de uma passarinhada para quem não gosta de acordar cedo ou está cansado e precisando descansar um pouco mais. Mesmo com o calor absurdo que tem feito neste verão, saímos depois das dez da manhã para procurar aves, e encontramos várias. Tudo bem, roteiros de praia ou mesmo no Parque Nacional Lagoa do Peixe isso já é comum, mas será que em áreas de floresta, bordas de mata ou cerrado, isso funciona também?

Funciona. Obviamente não será tão produtivo quanto nos primeiros horários e a chance de encontrar espécies mais difíceis diminui bastante, mas para quem quer apenas passar momentos agradáveis em um ambiente natural observando descompromissadamente as aves que aparecerem, pode ser uma oportunidade muito gostosa de passarinhar. Para quem está começando, é perfeito.

Em três dias divididos em duas oportunidades diferentes, visitei alguns pontos na região de Limeira, Piracicaba, Iracemápolis, Analândia e Rio Claro, interior de São Paulo. Dias muito quentes, horários tardios, e ainda assim conseguimos registrar 104 espécies, com algumas bacanas como o gavião-de-rabo-branco, saí-canário, choca-barrada e anambé-branco-de-bochecha-preta, entre outras.

Na primeira viagem visitamos a fazenda histórica Morro Azul, em Limeira, e as margens de uma represa com vegetação regenerada, rica em jenipapos e outras espécies que atraem diversos animais. A represa de Iracemápolis protege não apenas a água, mas também muitas aves que habitam a vegetação regenerada da borda como socós, pica-paus, capivaras e outros animais.

Em seguida, fomos a um tanque de decantação usado por uma das usinas de cana da região. Aroma nada agradável, mas cheio de maçaricos e outras aves, bem interessante, como uma família de marrecas-caboclas (Dendrocygna autumnalis) e diversos maçaricos.

Visitamos também o Morro do Cuscuzeiro, em Analândia, local muito procurado por escaladores, mas com um pouco de atenção descobrimos várias espécies por ali, principalmente em volta da lagoa. A vegetação de margem guarda espécies como o tico-tico-de-bico-amarelo (Arremon flavirostris), choca-barrada (Thamnophilus doliatus), e e a choca-da-mata (Thamnophilus caerulescens).

No dia seguinte, uma agradável visita ao Horto Florestal de Rio Claro, um lindo bosque formado pela maior coleção de variedades de eucaliptos do Brasil que, mesclada com vegetação nativa, tornou-se habitat para diversas espécies, entre elas juruvas, sanhaçus-de-fogo, pintassilgos e bigodinhos.

Além da floresta, o Horto Florestal tem um belo lago cheio de ninfeias e aves aquáticas, um cenário de tranquilidade para o fim de tarde domingueiro.

Um fim de semana de preguiça conciliada com uma deliciosa passarinhada, mostrando que a observação de aves pode ser sempre prazerosa, tanto para madrugadores como para os mais dorminhocos. E que terminou com um merecido e refrescante brinde no final da tarde. E que venham mais passarinhadas preguiçosas!