Região cafeeira, mas onde é possível observar muitas espécies do cerrado.

Periquito-rei (Aratinga aurea) Peach-fronted Parakeet

 

Fui passarinhar durante o carnaval. Eu não sou fã do carnaval, então, eu usei algum tempo do feriadão para fotografar em Ibiraci, no estado de Minas Gerais. Ibiraci é uma importante cidade produtora de café. Pra onde você olhar ao redor da cidade, você vai ver plantações de café. Então, para passarinhar, é melhor sair da cidade, em direção a zona rural.

Uma área muito boa para observação de aves é em torno da represa do Rio Grande. Você encontrará montanhas cortadas por trilhas cruzando o cerrado, florestas de galeria, remanescentes grandes de floresta e campos de altitude.

 

Primeiro dia, 20/02

Primeiro dia eu contratei como guia o Douglas Fernando, que conhece a região e as aves locais. Saímos às 6 da manhã da ponte de Peixoto, pegando a estrada que vai para Sacramento. Enquanto dirigia para aquela área, nós paramos duas vezes na estrada.

Primeiro, muito perto de onde começamos encontramos o bico-de-pimenta em uma árvore ao lado da estrada. Paramos o carro para tirar algumas fotos. A luz ainda não era das melhores, mas foi possível fazer algumas fotos.

Mais tarde, encontramos um grupo de três casais de maracanã-verdadeira, em uma árvore que o Douglas achou que tivessem passado a noite. Elas estavam se limpando, quietas na árove. Pra mim, um lifer! E foi justo na hora que estávamos conversando sobre os psitacídeos que ocorrem na região.

Na mesma área ouvimos a sanã-parda. Ave que normalmente não se mostra, só conseguimos vê-la após o Douglas fazer playback. A foto não ficou tão legal quanto eu queria, mas foi o meu primeiro registro da espécie. Mais um lifer. Voltando para a estrada, na mesma área, podemos encontrar o tiziu, chorão, cigarra-do-coqueiro, viuvinha, japacanim.

Voltamos para casa do Douglas em torno de 11h, e descemos o Rio Grande de barco, para procurar o urubu-rei, uma espécie vulnerável no Brasil. Quando chegamos no local onde eles costumam passar a noite, já haviam saído, e foi possível vê-lo voando bem no alto. Duas ou três vezes um adulto passou um pouco mais baixo, mas ainda assim bem longe de onde estávamos.

Depois disso, continuamos descendo o rio até a primeira cachoeira, linda cachoeira. Eram 3 horas da tarde, muito quente, então nadar na água foi muito refrescante. Após essa cachoeira ainda fomos em mais uma, desta vez só para olhar, tanto de baixo quanto lá de cima. Linda vista.

Voltamos para a casa do Douglas, e depois de beber um pouco de água, fomos para uma área cerca de 500 metros de sua casa, onde iríamos procurar o campainha-azul. Subimos um morro, o Douglas fez playback, e então ele apareceu. Achamos que o bicho não estava totalmente formado, pela coloração das penas. Douglas achou que talvez seja um comportamento de época fora de reprodução.  De qualquer modo, é sempre bom ver esse bicho. Muito lindo.

 

Manhã do dia 21

Na manhã seguinte, resolvi voltar para a área do brejo, do cuiró, desta vez sozinho, tentando melhorar algumas fotos. No caminho, duas surpresas legais: tucano e tico-tico-rei.

Após fotografá-los, fui para a área do brejo. A tentativa de melhorar as fotos funcionou. Fiz foto do chorão, sanã-parda e cigarra-do-coqueiro. Fiquei em torno de 2 horas, então eu comecei a voltar. Enquanto dirigia de volta, eu vi mais algumas espécies, como joão-bobo, periquito-rei, gavião-carijó e casaca-de-couro-da-lama.

Foi uma passarinhada bem legal em Ibiraci. Lifers: urubu-rei, maria-cavaleira-de-rabo-enferrujado, cigarra-do-coqueiro, maracanã-verdadeira.