• Texto e fotos: Vinicius Neves
  • Câmeras: Canon 60D com Tamron 200-400

O porquê da Guarapiranga

Faz muito tempo que eu tento, de algumas formas, fazer com que a Represa de Guarapiranga seja mais conhecida, e mais aproveitada pelos habitantes de São Paulo. Em geral, poucos paulistanos conhecem e aproveitam essa grande represa dentro da cidade de São Paulo. Muitos acham o acesso é difícil, outros que toda a sua margem é bastante perigosa, já outros pensam que ela é mais distante do que realmente é. Eu mesmo fui conhecê-la há pouco tempo, depois de descobrir que ela fica a somente 10km da minha casa. Basicamente é possível chegar na margem leste da Represa de Guarapiranga seguindo pela Marginal Pinheiros (Av. Nações Unidas), acessando a Ponte do Socorro e continuando pela Av. Atlântica (Antiga Robert Kennedy), e no caso da margem oeste, é possível seguir pela Av. Guarapiranga, também acessível pela Marginal Pinheiros.

Mas depois de esse pequeno mar paulistano ter me rendido tantas fotos, eu não poderia fazer outra coisa senão divulgá-lo. Mesmo porque, quando um número maior de pessoas começa a aproveitar mais um determinado local, a tendência é que mais pessoas se preocupem com a saúde do local. E eu acredito que a Represa de Guarapiranga esteja precisando de pessoas que se preocupem com ela.

Uma curiosidade interessante sobre a represa é que, conforme o nível de chuvas na represa, o controle das cheias é realizado com a liberação de água da represa no Rio Pinheiros. Esse processo é feito na barragem instalada dentro do Parque Barragem da Guarapiranga, cujo relato segue abaixo.

História e localização

A represa foi criada no início do século 1920, para fomentar a produção de energia elétrica. Após esse período, nos anos 1930 começaram a ser vendidos loteamentos próximos à represa, que deram origem aos bairros que ali se encontram hoje. A represa já foi palco para diversos eventos de esportes náuticos, como os torneios de vela dos jogos panamericanos de 1963. As margens da represa abrigam diversas marinas e clubes náuticos.

A represa fica localizada na zona sul da cidade de são Paulo, entre os bairros Santo Amaro/Socorro (margem norte), Interlagos/Cidade Dutra (margem leste), Jardim São Luis/Riviera (margem oeste) e pelos municípios de Itapecerica da Serra e Embu-Guaçú (margem Sul).

Ilhas e Água

A represa possui duas grandes ilhas, a Ilha dos Macacos e a Ilha dos Amores. A maior delas é a ilha dos macacos, que concentra fragmentos de mata nativa e de eucaliptos, nos quais se encontra um grande ninhal de biguás. Ao navegar ao redor desta ilha são fáceis os avistamentos de macacos-prego, savacu, carão, garça-branca-grande, garça-branca-pequena, garça-moura, maria-faceira, marreca-cricri, pé-vermelho, irerê, curicaca, socozinho, frango-d’água-comum, jaçanã, biguatinga, gavião-caramujeiro, caracará, saracura-do-mato, além de bandos gigantes de biguás, que usam a ilha como abrigo e ninho. É um espetáculo quando, por volta das 8h da manhã, centenas de biguás saem da ilha em direção a diversas regiões de São Paulo. No próprio leito da represa, além das espécies acima, são comuns os encontros com o mergulhão-grande. Em minha última visita foi possível visualizar três indivíduos.

Ressalto o espetáculo dos bandos de biguás e de várias das espécies acima caçando alimento, um show à parte. Na vegetação flutuante também é possível a observação de capivaras, do ratão-do-banhado e de lontras.

Parques

A Guarapiranga é repleta de parques em suas margens, com características incomuns em cada um deles. É importante ressaltar que muitos desses parques também possuem problemas, alguns relacionados à segurança, outros à precariedade de infraestrutura, mas isso não exclui o fato de serem ótimos locais para birdwatching. Abaixo, destaco alguns parques que já visitei.

 

Parque Municipal Guarapiranga (Margem Oeste)

Estrada Guarapiranga, 575 – Parque Alves de Lima – Fone (11) 5514-6332
Funcionamento: de terça a domingo das 6h às 18h

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/parques/regiao_sul/index.php?p=5744

Relato: O parque está inserido em uma área bastante urbanizada da margem oeste da represa de Guarapiranga. O acesso é simples, as trilhas são bastante urbanizadas e há um acesso direto para a represa. Nesse parque foi possível observar pula-pula, pavó, garça-branca-grande, garça-branca-pequena, garça-moura, gavião-caramujeiro, pica-pau-anão-de-coleira, pica-pau-de-cabeça-amarela, socozinho e pica-pau-de-banda-branca. A infraestrutura é legal, com estacionamento externo. Apesar de haver segurança na portaria, já ouvi dois relatos de roubos no interior do parque. É importante tomar cuidado.

 

Parque Ecológico Estadual Guarapiranga (Margem Oeste)

Estrada da Riviera, 3.286 – Bairro da Riviera Paulista – Fone (11) 5517 6707
Funcionamento: De terça a domingo: 8h às 17h

http://www.saopaulo.sp.gov.br/conhecasp/turismo_parques_ecologico-guarapiranga

Relato: Esse parque fica em uma área bastante interessante, onde é possível observar a típica vegetação ribeirinha da represa de Guarapiranga. Possui trilhas revestidas com madeira, o que facilita acessibilidade. Este parque está no roteiro de trilhas de parques estaduais indicadas pelo Governo de São Paulo para Trekking de baixa intensidade. São fáceis as oportunidades de visualização das espécies apontadas acima. Apesar de o parque conter muita infraestrutura, é interessante tomar cuidado, pois pelo perfil do percurso do parque, a sensação de segurança é abalada. O estacionamento também é tranqüilo. Esse parque fica ao lado do bairro Riviera.

 

Parque Barragem da Guarapiranga (Margem Leste/Norte)

Rua Doutor Caetano Petraglia Sobrinho, 41 – Jd. Guarapiranga
Funcionamento: diariamente das 6h às 19h – Fone (11) 5524-8403

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/parques/regiao_sul/index.php?p=47085

Relato: Essa linda área abriga grandes gramados e banhados, onde é possível ver a ação dos gaviões-caramujeiros, bem como as áreas típicas de campos abertos, como caminheiro-zumbidor, suiriri-cavaleiro, além de uma família de corujas-buraqueiras que adotou o local. Isso tudo além de frango-d’água-comum, savacu, socozinho, jaçanã, Curutié, periquito-rico e bandos de tiriba-de-testa-vermelha. Não há estacionamento no local. A sensação de segurança é razoável, dada a proximidade da área de observação com a guarita. É necessária atenção quanto à segurança na saída do parque.

 

Parque Praia São Paulo (Margem Leste)

Avenida Atlântica, 3100 (Antiga Robert Kennedy)
Funcionamento: diariamente das 6h às 19h

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/parques/programa_100_parques/index.php?p=47095

Relato: Esse parque é uma das mais populares praias da Represa de Guarapiranga. Todos os finais de semana esse parque lota, com muita gente interessada em tomar um banho na represa. Visitei-o muito rapidamente, sem câmera, mas foi possível visualizar suiriri-cavaleiro, pica-pau-do-campo, tiriba-de-testa-vermelha, bem como a maioria das espécies aquáticas relatadas no inicio.

 

Parque Linear Castelo (Margem Leste)

Rua Zeferino Borges Barreto, 260 – Fone: (11) 5666-1680
Funcionamento: diariamente das 5h30 às 18h

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/parques/regiao_sul/index.php?p=19415

Relato: Esse parque foi projetado para ser o principal parque municipal às margens da Represa de Guarapiranga, voltado para o Birdwatching. Ele foi instalado em uma área que concentra trilhas de mata fechada, em conjunto com uma grande área aquática e de brejo. Suas trilhas nas áreas aquáticas foram instaladas por meio de grandes passarelas de madeira, que levam a um píer, bem como a uma torre de observação de aves de aproximadamente 4 metros de altura, onde é possível observar e fotografar, com conforto, aves como savacu, carão, garça-branca-grande, garça-branca-pequena, garça-moura, maria-faceira, marreca-cricri, pé-vermelho, irerê, curicaca, socozinho, frango-d’água comum, jaçanã, biguá, biguatinga, gavião-caramujeiro, caracará, suiriri, anu preto, canário da terra, curutié, maracanã-pequena, papagaio-verdadeiro, além de eventuais contatos com colhereiro, águia-pescadora e tiriba-de-testa-vermelha, sem prejuízo de eventuais contatos com espécies ainda mais raras. E ironicamente, em minha segunda visita ao parque dos birdwatchers fui barrado por um segurança, com o velho e ignorante discurso de que “não pode tirar foto”. Acredito que a situação esteja normalizada atualmente, pois após essa constrangedora cena, fiz contato com o diretor do parque e com o secretário do meio ambiente na época, expondo a questão. O parque é lindo, mas o acesso ao parque é simplesmente péssimo. A única entrada do parque está localizada ao final de uma viela de terra sem saída, com moradias irregulares ao redor. A sensação de segurança dentro do parque é ótima, mas as saídas e chegadas dão medo. A infraestrutura é sensacional. Uma dica é levar um banquinho, o tripé, e fotografar sentado, na torre coberta de observação de aves. É Birdwatching com conforto.

 

Parque Linear Nove de Julho (margem Leste)

Avenida Ponta do Sol , s/n – Cidade Dutra

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/meio_ambiente/parques/regiao_sul/index.php?p=44003

Esse parque é sensacional e o registro de muitas espécies é possível neste parque, considerado pela prefeitura o detentor do maior número de espécies de avifauna. Mas acredito que o relato no nosso amigo Marco Silva já esclareça todos os itens relativos a este parque: http://virtude-ag.com/pa-parque-nove-de-julho-sp-dez13-marco-silva/.

Espero que após este relato, as pessoas se interessem mais pela Represa de Guarapiranga!

 

Relatos de passeios (+)