No último sábado, dia 29 de junho, eu estava combinado com o Marcos Eugênio, o Júlio Silveira e o Izaías Miranda Jr. para uma ida à Fazenda Angelin em busca do anambezinho. Topei a parada não só pelo anambezinho, mas porque acho aquele lugar um dos mais bacanas que conheço para passarinhar na região de Ubatuba. Eles sairiam de Jacareí as 5h30 e eu, que estava no Olho Dágua em São Luiz do Paraitinga, os encontraria na Br 101 pelas 7h30 da matina.

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  • Texto e fotos: Marco Guedes

Como sempre que tem passarinhada no dia seguinte, eu dormi pouco, acordando a todo momento e olhando o relógio na cabeceira da cama. Acabei saindo cedo demais e quando o Júlio me ligou pelas 7h para dizer que estavam perto da serra na rodovia Oswaldo Cruz, eu já havia parado numa padaria, comido um pão com manteiga na chapa acompanhado por um copo de café com leite e estava chegando na rotatória da 101, tinha que fazer cera até eles chegarem. Decidi dar um pulo numa lagoa que me chamava a atenção toda vez que ia para o Itamambuca Eco Resort visitar o meu amigo Dimitri e as muitas aves de lá ou para Ubatumirim, outro passeio muito bom. A lagoa fica na altura da Praia Vermelha, do outro lado da estrada, quase encostando no acostamento. Eu sempre via alguma ave aquática nela quando passava, então decidi que era um bom momento para dar uma olhada mais prolongada naquele lugar.

Ao chegar, estacionando no acostamento, vi uma garça-moura ainda empoleirada numa embaúba, olhando para baixo, se preparando para descer na água. Que boa oportunidade de registrar o começo do dia de uma garça-moura, pensei comigo. Montei o equipamento no tripé colocando o TC de 2X na 400mm e comecei a seguir a sua atividade.

Ela desceu na água afundando até o meio das pernas e começou a caçar. De repente, notei que desviou a sua atenção para algo mais atrás e que ficava muito atenta. Olhei na direção da sua atenção e fiquei pasmo: um jacaré! Como assim, um jacaré, em Ubatuba, ao lado da Br 101, lugar de passagem de carros e pessoas, como pode! Podia, lá estava ele, e ia na direção da garça. Ela ficou esperta, acompanhava os seus movimentos, um olho na água e outro no bicho. Ele parou perto dela como quem não queria nada, mas ela não o perdia de vista. Minha respiração acelerava, o coração também, o dedo apoiado no disparador esperando a ação ansiosamente. Algo estava para acontecer ali bem na minha frente e com tudo pronto e regulado para registrar, eu não podia perder isso por nada no mundo.

De repente ela deu uma série de gritos e se atirou para o ar alçando voo rapidamente. O jacaré, pego de surpresa, deu um salto na sua direção, mas muito tarde, a garça estava fora de alcance.

Ela voou por uns 10m e foi pousar numa mini lhota sobre a água, lugar mais seguro enquanto o jacaré estivesse por perto.

O telefone tocou, era o Júlio dizendo que estavam chegando, desmontei o equipamento e fui encontrá-los.

E as fotos? Ah aí estão elas, o meu herói Cartier Bresson ia ficar orgulhoso do discípulo.