150 espécies registradas em um dia e meio de passeio

A Floresta Encantada já foi apresentada aqui na Virtude: http://virtude-ag.com/pa-floresta-encantada-ago13/

Desta vez a agenda da Ecoavis não permitiu uma excursão, mas os amigos santoantonienses, Daniel Santos, seu filho Luís Henrique e o Paulo Couto (que participaram da primeira excursão) toparam um retorno à boa terrinha.

Já o Wagner Nogueira estava me devendo uma visita já há um bom tempo, e a folga em sua atribulada agenda coincidiu com a visita dos amigos de Santo Antônio do Monte. Tínhamos uma ótima equipe para vasculhar cada canto da floresta encantada. E assim foi feito.

Descobrimos lugares que jamais imaginei que existissem naquela mata. Adentramos também o município vizinho de São Gonçalo do Rio Abaixo, onde grotões com uma mata alta e fechada nos reservariam um encontro fantástico.

Bem, apesar do período de descanso reprodutivo, foi muito proveitosa nossa excursão. Graças ao talento do Wagner, oito novas espécies foram acrescidas à lista da cidade.

Infelizmente os bichos não estavam respondendo ao playback (com raríssimas exceções), até o tapaculo-pintado, famoso habitante da floresta que responde de pronto (ainda que vocalmente), não se manifestou.

Porém foi muito bom saber que espécies como chocão-carijó(!) – primeiro registro em Minas Gerais no Wikiaves, choquinha-lisa, os rabos-branco pequeno, rubro e de garganta rajada habitam a floresta encantada.

O Wagner listou 151 espécies em um dia e meio de passarinhada, número expressivo para uma cidade que já destruiu 90% de sua cobertura vegetal original. Neste contexto é de suma importância que esta floresta seja preservada. Já passarinhei em outras matas da cidade, e nada se compara a ela. Talvez na área da mina da Vale, onde o acesso é restrito, deva ter riqueza biológica comparada (bichos interessantes como peixe-frito-pavonino, urubu-rei, rabo-mole-da-serra, entre outros, já foram registrados lá). A lista das espécies pode ser vista aqui: http://www.taxeus.com.br/lista/2904

No último dia de passarinhada, quando nem contávamos mais com o Wagner (que teve que partir na véspera), algo sonhado por todo birder aconteceu.

No dia anterior havíamos registrado um casal de gaviões-pega-macaco voando sobre nossas cabeças, alegria geral! Mas grande sorte nos aguardava no dia seguinte.

Estávamos numa daquelas grotas que já mencionei, verdadeiros braços fortes da floresta encantada entremeados por um pequeno eucaliptal, quando vimos um deles voando baixo e sumindo atrás de algumas árvores.

Apesar de termos nos esbaldado no dia anterior, a euforia foi a mesma, e a possibilidade de realizar o antigo sonho de ver aquele bicho pousado falou mais forte: acionamos o playback (que no dia anterior havia funcionado muito bem).

Não demorou muito para o êxtase tomar conta de todos! Aquele predador gigante surgiu de repente e pousou na árvore que havia sobrevoado a pouco, nos proporcionando uma imagem que ficará para sempre em nossas memórias.

Bandos mistos que até então faziam grande algazarra na copa das árvores simplesmente desapareceram, um silêncio inédito tomou conta da paisagem, eu só ouvia clicks e minha respiração ofegante.

Aquela criatura que admirava desde criança foi generosa, posou de várias maneiras, por um bom tempo, até que levantou voo e sobrevoou nossas cabeças estupefatas. Nossas caras de bom espanto falavam por nossas almas, parecia que tínhamos visto algo de outro mundo.

Até que o incansável Paulo Couto teve a sagacidade de ver se ele havia pousado em algum lugar. Saiu debaixo da pequena árvore onde havíamos estrategicamente nos posicionado e para nossa surpresa achou o bicho pousado ainda mais próximo, em um eucalipto.

Fomos para onde o Paulo estava com a maior cautela possível, já que estávamos um tanto quanto atabalhoados, obra da adrenalina em nossas veias. E apesar de tudo, do barulho dos clicks e de nossa movimentação, em vez de alçar voo para longe, o grande rapinante, que estava pousado de costas, virou-se e pulou para um galho “no limpo”, mais próximo e de frente para nós, proporcionando-nos um dos momentos mais fantásticos de nossas vidas de observadores/fotógrafos de aves.