Murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana) Tawny-browed Owl

 

Uma das poucas áreas preservadas de Cerrado no Estado de São Paulo

Fim de semana passado fui com Hideko e Arthur Macarrão passarinhar nas cidades de Dourado e Itirapina, localizadas no estado de São Paulo, 170 quilômetros de distância da minha cidade.

Itirapina ainda tem uma grande área de cerrado, a única área no Estado de São Paulo que ocorre o papa-moscas-do-campo.

 

17 de março, primeiro dia

Saímos de Paulínia às 4:30 da manhã no sábado, e chegamos em Dourado perto das 6:15 horas, na pousada que iríamos ficar por uma noite, e lá encontramos Cal, o nosso guia para os dois dias.

Cal decidiu que deveríamos ir primeiro para Itirapina. Chegando lá, o tempo não estava dos melhores. Meio nublado, ventando, um tempo não muito bom para observação de pássaros. Mas de qualquer maneira, nós estávamos lá para isso, então começamos a explorar a área. Inicialmente, de carro.

Não havíamos andado nem meia hora, alguém viu um cabeça-seca voando, então parei o carro e descemos. Hideko tentou uma foto e depois voltamos para o carro. Dei partida para sair, mas o carro não se moveu um centímetro. Estávamos atolados. Passamos cerca de meia hora para conseguir tirar o carro. O dia havia começado bem… :)

Paramos em um lugar onde iríamos tentar o galito. Procuramos por cerca de uma hora, mas nenhum sinal dele. Também procuramos o canário-do-brejo, mas novamente, sem sucesso. Enquanto procurávamos pelas duas espécies, vimos alguns caboclinhos. Fiz algumas fotos, mas bem meia-boca. Só para registro.

Voltamos para o carro, e fomos para uma área diferente. Em nosso caminho para onde iríamos procurar o tapaculo-de-colarinho, vimos o canário-rasteiro, cigarra-do-campo e bico-de-pimenta.

Quando chegamos ao nosso próximo destino, Cal primeiro tentou chamar o pica-pau-chorão, mas novamente, sem sucesso. Em seguida, Cal começou a fazer o playback do tapaculo-de-colarinho, e depois de algum tempo, Cal conseguiu ouvir uma resposta.

Não foi tão fácil encontrar o pássaro, mas depois de algum tempo, conseguimos vê-lo. Infelizmente, apenas por alguns segundos, e sempre escondido no mato. Mas foi tempo suficiente para ver como é bonito.

Na mesma área, um casal de bandoleta vocalizava em uma árvore perto de nós. A foto saiu meia boca, o céu não ajudava muito.

O cerrado brasileiro é o lar de algumas flores e borboletas muito bonitas. Ao andar no mato, você sempre encontra algumas delas.

Voltamos para o carro, e a nossa próxima tentativa seria o pula-pula-sobrancelha. Tentamos em dois lugares diferentes, mas uma vez mais, nada do bicho. Deixamos essa área para atrás, e fomos para outra área aberta, onde iríamos tentar papa-moscas-do-campo.

Depois de parar o carro, começamos a caminhar dentro dessa área aberta. Caminhamos muito. Cal tentou playback, e chegou a ouvir uma resposta, mas não conseguimos ver o pássaro. Em determinado momento, Cal estava à frente de nós, e ele então parou e nos chamou, assobiando. Aceleramos o passo, e pudemos ver uma cascavel, toda enrolada. Mas mesmo antes de pensar em pegar a câmera, a cobra desapareceu no mato.

Depois de quase uma hora, sem sucesso, voltamos para o carro. No fio acima de nossas cabeças, vimos uma andorinha-morena.

Depois de tirar algumas fotos, voltamos para Dourado, para que pudéssemos almoçar. Depois do almoço, decidimos ir para a cidade vizinha de Boa Esperança do Sul, para procurar o cardeal-do-banhado. Novamente, sem sucesso. Mas, enquanto estávamos lá, nós pudemos ver alguns bichos como anu, coró-coró, garibaldi e o belo graveteiro. Ao voltar para Dourado, vimos ainda um maçarico-solitário.

Fomos para a pousada que iríamos ficar, descansamos um pouco e depois saímos à procura de corujas e bacuraus. Cal nos levou em um lugar no meio de canavial, um lugar muito comum em Dourado. Mesmo com essa quantidade de cana-de-açúcar, Dourado ainda mantém uma grande quantidade de remanescentes de Mata Atlântica.

Enquanto dirigia no meio dos canaviais, chegamos a ver um bacurau-tesoura, mas não conseguimos parar para fotografar. Também vimos alguns bacuraus. Paramos o carro e entramos em uma área de mata, e lá pudemos ver este belo mãe-da-lua.

Então entramos no carro novamente, e deixamos o canavial para trás, e começamos a pegar uma estrada e subir uma pequena serra. O objetivo eram algumas corujas.

E funcionou.

Eu ainda não sei como, mas enquanto eu estava dirigindo, Cal conseguiu ver uma murucututu-de-barriga-amarela, mesmo sem usar a lanterna.

Depois de algumas fotos, seguimos nosso caminho até um pouco mais adiante, e depois de alguns minutos, decidimos voltar. Parei o carro para dar a volta, e quando eu olhei para o meu lado esquerdo, eu não podia acreditar no que estava vendo, a menos de 3 metros de mim. Era esta incrível cuíca-de-lã, Caluromys lanatus, uma espécie ameaçada.

Cal também não podia acreditar no que estava vendo. Ele anda por Dourado há mais de 20 anos, e nunca tinha visto essa espécie.

Voltamos para a pousada, ainda animados com a descoberta surpreendente da noite. Desta forma, as nossas quase 20 horas de passarinhada terminou. E mais um dia ainda por vir.

 

18 de março, segundo dia

Segundo dia começou cedo, e o primeiro objetivo era a pararu-azul.

Cal tinha encontrado um lugar onde eles vivem em Dourado, e onde se alimentam durante as primeiras horas da manhã. Chegamos ao local no início da manhã, por volta de 6:30, e escondemo-nos na plantação de cana de açúcar. Nós esperamos por cerca de uma hora, mas infelizmente, a pararu-azul não desceu das árvores. Podíamos vê-los, mas muito alto.

Depois fomos para a mata novamente. Cal ouviu o chamada do chorozinho-de-chapéu-preto, em seguida fez o playback, e então o bicho apareceu. No mesmo local, o miudinho também vocalizou. Após esses, nós também ouvimos o barulhento. A manhã não foi muito boa, poucas espécies foram encontradas. Depois fomos para um almoço, e logo depois disso, nós fomos para uma área diferente onde iríamos procurar algumas espécies.

Mesmo não conseguindo encontrar algumas das espécies que procurávamos, estes dois dias passarinhando em Dourado e Itirapina foram muito legais. Espero poder voltar em breve.