Todo final de ano o amigo Luciano Monferrari organiza uma excursão do CEO para o Tanquã (Piracicaba – SP) e Fazenda Bacury (Anhembi – SP). O Tanquã é a parte superior do lago formado pelo Rio Piracicaba em função da barragem de Barra Bonita. Tem as mesmas características do Pantanal Mato-grossense. Seu acesso é feito pelo bairro do Tanquã, na estrada que liga o município de Piracicaba a Anhembi (SP – 147). Fica distante uns 60 km de Piracicaba e 17 km da Fazenda e Pousada Bacury.

Bacury - coruja-da-igreja Silvia Linhares

 

A Fazenda Bacury é antiga, tem 80 anos de história para contar. Possui belas matas onde habitam aves raras como o patinho-gigante e a juriti-vermelha, que eu ainda não tive a sorte de avistar. Apesar de ser utilizada para a pecuária, foi adaptada para receber turistas. A antiga sede foi transformada em uma deliciosa pousada com decoração rústica e de bom gosto. Você terá opções de se hospedar com mais ou menos sofisticação, dependendo do seu bolso: pode escolher entre a Pousada Sede e a Pousadinha.

A “Pousadinha” foi idealizada para pessoas que não irão fazer uso das instalações e serviços da sede (piscina,cavalos, etc.), sendo especificamente destinada a pesquisadores, estudantes, professores, fotógrafos de natureza, “birdwatchers”, observadores de fauna, etc. , sempre de um mesmo grupo, ou seja, não recebem pessoas desconhecidas entre si na mesma casa; e também a pessoas (sós ou de um mesmo grupo) a trabalho, que apenas necessitem de pernoite com café da manhã, que está incluído na diária. As demais refeições podem ser trazidas e preparadas pelos próprios hóspedes. Clique aqui para ver as opções

A Fazenda Bacury

Há diversos ambientes: mata, cerrado, matas ciliares, capoeiras, pastos sujos, varjões com gramíneas e outras plantas e brejos com taboa. Há ainda pequenas lagoas naturais e artificiais. A maior parte da área é formada por pastagens, que reproduzem de certo modo os campos limpos de cerrado, atraindo aves destas formações. Outros ambientes antropizados são os pomares, jardins das casas, lavouras. O lago da Represa de Barra Bonita, formado em 1961, acrescentou diversos ambientes à área, além do espelho d’água, praias arenosas, áreas paludosas, barrancos, charcos e lagoas, formados com a baixa do nível da represa. A mata ali presente é classificada como mata mesófila semi-decídua (fonte: CEO).

E como eu achava as aulas de biologia maçantes na época do colégio, fui buscar no Google saber o que significava mesófila semi-decídua, foi aí que fiquei mais confusa. Quem se interessar deve buscar a resposta direto com um biólogo especializado em botânica, mas se prepare para nomes estranhos como fanerófitos com gemas foliares protegidas da seca por escamas (catáfilos ou pelos), tendo folhas adultas esclerófilas ou membranáceas deciduais.

Bom, voltando ao que interessa. Essa excursão anual do CEO funciona assim. É exclusiva para associados. São abertas 12 vagas, cujas inscrições se esgotam rapidinho. Esse ano, não foi diferente, mas por razões diversas, muitos desistiram e fomos em apenas seis pessoas: Luciano e Claudia Monferrari, Rosemarí Julio, Adilson Amaral, Alvaro Nascimento e eu. A sétima a se juntar ao grupo foi a Silene Gaston, proprietária da Fazenda e Pousada Bacury.

Eu fui de carona com o Adilson. Foi uma viagem tranquila, ora batendo papo, ora cantarolando, sempre apreciando a paisagem e o delicioso final de tarde. Mais uma vez Santa Clara me presenteou com um belo e ensolarado fim de semana. Chegamos na Pousada pouco depois do Luciano, da Claudinha e da Rosemarí, por volta de 19 horas, com a noite já se anunciando. Fomos recebidos calorosamente pelos simpáticos proprietários Carlos Leôncio e Silene. O lugar é de uma beleza imensa. Muito acolhedor. Como disse o Adilson, lembra a Toscana, na Itália, lugar que eu conheço apenas de filme. O lugar transmite uma paz e uma tranquilidade sem preço, principalmente para quem vive nos grandes centros urbanos. E a comida é saborosíssima. Tudo feito com muito capricho.

Ávidos por uma “corujada” e “bacurauzada”, nos instalamoes rapidamente, juntamos as tralhas e fomos a campo procurar as avezinhas de hábito crepuscular e noturno. De cara, assim que passamos a porteira, um bacurau (Hydropsalis albicollis) inaugurou a festa. Depois dentro da mata, chamamos a corujinha-sapo (Megascops atricapilla), que vocalizou muito e se aproximou bastante, mas não quis dar o ar de sua graça. A corujinha-sapo não fotografamos, mas sapo, sim e dos grandes.

Quando retornamos à Pousada, o amigo Álvaro já havia chegado, porém já tinha se recolhido para dormir. Jantamos uma comidinha maravilhosa, tomamos vinho e rimos muito. Fomos dormir bem tarde. Dia seguinte iríamos navegar pelas águas do Tanquã no Rio Piracicaba, passeio que sempre reserva surpresas e propicia lindas fotos.

No dia seguinte, o Luciano, inovou seu modo de nos acordar. Fomos despertado ao som de “PAMONHAS, PAMONHAS FRESQUINHAS DE PIRACICABA”…isso com voz esgarniçada, saindo do seu potente alto-falante. Após o farto e caprichado café da manhã, no jardim da pousada fiz uma belezura de foto da gralha-do-campo (Cyanocorax cristatellus) e de um bandinho de periquitão-maracanã (Aratinga leucophthalma).

Em seguida, lá fomos todos animados para o Tanquã. Eu dividi o barco com a Rosemarí e o Adilson. Saltou-me aos olhos que esse ano havia mais tuiuiús (Jabiru mycteria) do que nas outras vezes que fui.

Havia menos marrecão (Netta peposaca) e colhereiros (Platalea ajaja) que nos anos anteriores. Em compensação havia mais marrecas-caneleira (Dendrocygna bicolor), asa-branca (Dendrocygna autumnalis)e marrecas-cricri (Anas versicolor)e estavam bem fáceis de registrar. Frango-d’água-comum (Gallinula galeata) e frango-d’água-azul (Porphyrio martinica) em abundância.

Cabeça-seca (Mycteria americana) e jaçanã (Jacana jacana) por todos os lados. Havia também tapicuru-de-cara-pelada (Phimosus infuscatus), caraúna-de-cara-branca (Plegadis chihi) e carão (Aramus guarauna). Vários Ardeídeos como o socozinho (Butorides striata), savacu (Nycticorax nycticorax), garça-branca-pequena (Egretta thula), garça-branca-grande (Ardea alba), garça-moura (Ardea cocoi), revoavam sobre nossas cabeças. Observei bem poucos pernilongos-de-costas-brancas (Himantopus melanurus) esse ano.

Esse ano sentimos a ausência dos maçaricos e das batuíras, geralmente formando bandos enormes. Garibaldis (Chrysomus ruficapillus) vocalizavam e saltitavam por todo os lados. O gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis) buscava seu café da manhã em todo o mini-pantanal, sempre se exibindo para a gente. Até o urubu-de-cabeça-preta (Coragyps atratus) fez pose bonita prá sair bem na foto.

O show ficou mesmo por conta de uma águia-pescadora (Pandion haliaetus), que peneirava sobre o rio e descia em rasante atrás de alguma presa. Sempre muito longe e no alto. Ressalto também os milhares de sapinhos minúsculos, do tamanho de uma unha, nas partes não alagadas onde descemos do barco.

Hoje encontra-se sub-judice um projeto para transformar o Tanquã em barragem, o que destruiria o habitat e a imensa avifauna local, sem falar dos outros bichos. Não entendo como alguém pode querer destruir um lugar desses para construir uma barragem. O ganho é tão ínfimo se compararmos com a perda irreparável que isso vai acarretar. O Tanquã é um berçário riquíssimo para a nossa avifauna.

Já não basta tudo o que já foi destruído no planeta em nome do progresso? Deveriam tombar o local de modo que, nenhum político mal-intencionado ou empresário inescrupuloso tivesse meios de acabar com esse paraíso. Acredito que quanto mais divulgarmos o nosso mini-pantanal, quanto mais turistas vierem conhecê-lo, mais difícil será por fim nele.

Por isso, você que me lê nesse momento, convide sua turma e vá para lá sempre que puder. Vá pescar, observar aves, ou simplesmente levar as crianças para passear de barco. O “Alemão” e o Carlinhos estão com seus barcos aguardando sua reserva (R$ 120,00 para 4 pessoas – R$ 30,00 por cabeça). Em uma manhã, você pode avistar todas essas belas aves e mais algum outro bicho que apareça de surpresa.

(Fale com o “Alemão” (19) 3418-7115)

Voltamos do Tanquã direto para o almoço. Em seguida tiramos um cochilo, que eu e os amigos chamamos de sono da beleza, necessário e suficiente para recuperar as energias. Fomos despertados pelo Luciano tentando desafinadamente assoprar uma corneta. Dessa vez ele passou pelo corredor com “O CARRINHO DE LIMAR FACAS E ALICATES”, de Piracicaba, lógico…(a Rosemarí até filmou)

Antes de irmos para as trilhas, ainda fotografei nos arredores da pousada um casal de sovi (Ictinia plumbea), um anu-branco (Guira guira) e um arapaçu-de-cerrado (Lepidocolaptes angustirostris).

No caminho para a mata avistamos um tico-tico-do-campo (Ammodramus humeralis) paradinho na cerca, uma águia-pescadora (Pandion haliaetus) pousada no mesmo galho seco onde ano anterior eu fotografara o urubu-rei (Sarcoramphus papa) e de quebra ainda vimos uma “Raposinha” também conhecida como raposinha-do-campo, cachorro-de-dentes-pequenos ou jaguapitanga (Pseudalopex vetulus).

Na mata foram construídas casinhas de observação com bancos e janelinhas para observar as aves e bichos que se alimentam nas “cevas”. Eu pretendia ficar na “ceva” e aguardar as jacupembas (Penelope superciliaris), ave que nunca avistei e que o Carlos Leôncio disse que aparecem em bando no fim do dia. A Rosemarí me acompanhou. Mas a necessidade de silêncio absoluto e o calor infernal, me fizeram ficar 10 minutos lá dentro e sair correndo pela estradinha atrás do resto da turma. Talvez pelo horário, ainda havia poucas aves no pedaço.

As belas juruvas-verde (Baryphthengus ruficapillus) apareceram aos bandos, mas estavam muitas altas para a foto perfeita.

Ficamos até escurecer bem. Novamente a corujinha-sapo (Megascops atricapilla) se aproximou, vocalizando muito, não uma, mas duas. De repente o Luciano iluminou um ponto a menos de 2 metros de nós dois e lá estava ela, paradinha, num galho limpo, olhando para nós. Nem dava para acreditar. Empolgados e no auge da emoção, ele desviou a lanterna que iluminava a bichinha para correr buscar a câmera e o tripé e chamar o resto do pessoal. Resultado: nem eu nem ele, nem ninguém fotografou a bichinha, ela deu no pé e não voltou mais.

O dia terminando com um belo arco-íris no céu.

Ainda procuramos bacuraus, e havia vocalizações diferentes, provavelmente do bacurau-chintã (Hydropsalis parvula) e do joão-corta-pau (Antrostomus rufus). Só conseguimos fotografar o mais comum deles, mas não menos bonito, o bacurau (Hydropsalis albicollis). Como estava estava na hora do jantar, retornamos à pousada um tanto quanto frustrados.

Inconformados com a chance perdida de um espetacular registro da corujinha-sapo, pensamos em voltar às 4 horas da manhã para tentar novamente. Aí surgiu outra idéia. Já viu, né, passarinheiro é tudo louco. Então decidimos jantar e retornar logo em seguida. Só eu e a Rosemarí topamos acompanhar o Luciano. Quase 23 horas, “ói nóis di vorta” no escuro atrás da “estrigídea” cobiçada. No caminho, paramos para que a Rosemarí fizesse uma linda foto da coruja-da-igreja (Tyto alba) num mourão. Ela fez bastante cliques, ávida por uma bela foto, enquanto eu e o Lucino segurávamos as lanternas. A bichona linda voou. A Rosemarí, ao rever os cliques no LCD, quase surtou. Foi um sofrimento, estava tudo preto, simplesmente o flash soltara-se do contato e não disparara. Estórias de passarinheiros…acontece…

Ao chegar no local dos bacuraus e corujinha-sapo, começou mais capítulo da “novela”. Resolvemos primeiro chamar o joão-corta-pau (Antrostomus rufus) que estava vocalizando no local, ele prontamente se aproximou. Como não saia do mato e estávamos perdendo muito tempo, preferimos ir atrás da corujinha-sapo dentro na mata. Lá chegando, muito rapidamente ela respondeu ao play-back, aproximou-se, deu rasantes sobre nossas cabeças, mas não quis exibir-se para nossas lentes. Quase uma hora nesse lenga-lenga, desistimos dela. Vai ficar fazendo …doce para outro!!!

Voltamos atrás do joão-corta-pau, havia uma cerca de arame e por trás dela um “muro” de plantas e cipós praticamente impenetrável, e foi ali que o danado ficou vocalizando, a menos de dois metros da gente. Nem a pontinha da cauda ele mostrou, não teve quem o fizesse se mexer, muito menos se mostrar. Parecia grudado no galho onde estava, mas nem com reza braba deixou que tivéssemos um único vislumbre dele. Gravamos o som e só.

Som joão-corta-pau (Antrostomus rufus) por Silvia Linhares | Wiki Aves – A Enciclopédia das Aves do Brasil

No retorno, a coruja-da-igreja nos aguardava no mesmo lugar e as fotos agora ficaram dignas da beleza dessa rapinante.

A hora havia passado rapidamente e o relógio mostrava que em breve teríamos que estar de pé novamente. Fomos dormir já perto das duas da manhã.

Cinco da manhã lá vem o Luciano de novo nos acordar: dessa vez com um “melo-dioso” prá não dizer “odioso” “O QUE ÔCE FOI FAZÊ NO MATO MARIA CHIQUINHA!…”, usando o “mini megafone” que ele adquiriu recentemente para fazer play-back. O olho nem desgrudava direito de tanto sono, mas a vontade de encontrar mais aves era tanta, que em alguns minutos, todos estavam à mesa desfrutando de mais um farto café da manhã.

“Simbora” pra mata. Um pio ou outro. Chamamos o peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus), foi mais um que respondeu pertinho, mas não estava a fim de um ensaio fotográfico. Tinha pula-pula (Basileuterus culicivorus), petrim (Synallaxis frontalis), pichororé (Synallaxis ruficapilla), trovoada (Drymophila ferruginea), muita juruva-verde (Baryphthengus ruficapillus), mas a gente queria mesmo é algo mais especial. O Luciano, nosso “DJ ornitológico absoluto” tocou um caburé (Glaucidium brasilianum). Isso agitou a mata, os beija-flores ficaram enlouquecidos. Um monte de pássaros pequeninos apareceram. Até o próprio caburé veio ver o que estava acontecendo.

Então ouvimos um canto lindo, era o belo pimentão (Saltator fuliginosus). Não só pudemos gravar seu canto, como fotografá-lo também.

Som pimentão (Saltator fuliginosus) por Silvia Linhares | Wiki Aves – A Enciclopédia das Aves do Brasil

Para não estressarmos as aves, seguimos trilha adiante até chegar a um ponto onde já foi fotografado o papa-lagarta-de-euler (Coccyzus euleri) no ano anterior. Tentamos várias aves e só conseguimos registrar alguns papagaios-verdadeiro (Amazona aestiva).

Saindo da trilha principal, descemos em uma trilha apertada, cheia de cipós que ia dar num filete de água. Durante a trilha o show ficou por conta do soldadinho (Antilophia galeata). Com seu topete vermelho, ele não economizou em beleza. Que ave formosa! É de tirar o fôlego.

Já íamos chegando no final da trilha, quando o nosso amigo, Coronel Álvaro (FAB) sinalizou que parássemos e nos aproximássemos devagar. Havia um bacurauzinho pousado num galho quase no chão, quase todo mundo tirou foto dele. Já sabíamos que não era o comum, e sem saber a que espécie o sujeitinho pertencia, apelidamos ele de bacurau-do-coronel. Posteriormente o bicho foi identificado como o bacurau-ocelado (Nyctiphrynus ocellatus). Único lifer para mim no fim de semana. Não tenho nem como descrever a emoção que senti. Todo bicho novo dá um frisson no coração, o dedo fica nervoso, você confere várias vezes o LCD e as configurações da câmera e não economiza nos cliques. Taí o bichinho, clicado sem flash com ISO 6400.

Findo esse momento orgástico, lá fomos nós tentar mais uma vez o peixe-frito-pavonino (Dromococcyx pavoninus), que nem se manifestou dessa vez. Só o surucuá-variado (Trogon surrucura) deu uma chance para nossas lentes. E que chance…com olhar 43 e tudo.

Já estava chegando a hora do almoço e o estômago começava a roncar. Decidimos retornar para a pousada, onde nos aguardava um apetitoso almoço. De quebra ainda rolou um lifer para a cidade: um bando de chopim-do-brejo (Pseudoleistes guirahuro), margeando a estrada.

Após o soninho da beleza, pós pança-lotada (é impossível comer pouco na Fazenda Bacury), nos preparamos para retornar aos nossos lares. Apesar da ameaça de chuva não caiu uma gota, e para me contrariar, visto que no dia anterior não havia nenhum, um bando garça-vaqueira (Bubulcus ibis) ao lado do gado se alimentava quando íamos embora. Eu já tenha muitas fotos dela, porém não resisti e fiz mais algumas.

No retorno, já no asfalto, um lindo tucanuçu (Ramphastos toco) pousado no limpo parecia aguardar uma bela foto, no entanto nem eu nem o Adilson pensamos em parar. Só bem depois foi que bateu aquele pensamento: “Pô, a gente podia ter parado!” Mas isso já estava contabilizado como prejuízo fotográfico em nossas mentes. Ia fechar o dia com chave de ouro, ou melhor com bico de ouro, (alusão ao belo bico do tucanuçu). Na próxima, sem dúvida, iremos parar.

Em suma, foi um fim de semana perfeito regado a vinho, aves, alegria e muitos risos. Esse tipo de passeio fortalece os laços de amizade e deixa um gostinho de quero mais. Deixo aqui no final uma foto da turminha, lamentando muito pelos que não puderam ir.

 

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