Fiquei sabendo do evento pela internet e, como a casa de minha mãe é caminho, resolvi participar, meio que no escuro. Ótima decisão. Recomendo a todos uma passarinhada por lá.

Espirito-Santo_Daniel_Esser_22

 

Alguns municípios do Espírito Santo resolveram juntar forças para promover o turismo rural e incluíram sabiamente a observação de aves no programa. O lugar é sensacional, com uma diversidade enorme e conta com a bióloga Cláudia Pimenta, uma guia que conhece todos os macetes locais.

Ficamos hospedados na Pousada Vovó Dindinha, com instalações rústicas e confortáveis, comida muito boa e pessoas muito atenciosas, que fazem de tudo para fazer a estadia agradabilíssima.

Não posso deixar de mencionar os amigos que por lá fiz, excelentes companheiros de aventura: Alexandre, Bárbara, Celi Aurora, Felipe, João Andrade, Mário e Carlos Rizzo, e os guias em treinamento, Márcio, Adones e Phablo, que nos ajudaram em todos os momentos.

Vamos às fotos, que é o que interessa.

Primeiro dia, chegada à pousada e uma volta de reconhecimento em que apareceu um teque-teque (Todirostrum poliocephalum) calmo, o que é raro. De tardinha um pica-pau-de-banda-branca (Dryocopus lineatus) atendeu a um playback e deu um show.

Segundo dia, logo de manhã, a primeira foto foi de uma preguiça, ainda recolhida em si mesma, dormindo.

O primeiro lifer não demorou muito, o gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) passou voando e deu um show.

O rabo-branco-acanelado (Phaethornis pretrei) logo deu o ar da graça em uma grande inflorescência.

Um bando de saíras-lagartas (Tangara desmaresti) apareceu e deu muito mole. Pudemos fazer fotos de todos os ângulos.

Um picapauzinho-de-testa-pintada (Veniliornis maculifrons) foi meu segundo lifer.

O arapaçu-escamado (Lepdocolaptes squamatus) sempre que aparece nos permite boas fotos.

Tivemos a sorte de encontrar um lindo pica-pau-dourado (Piculus aurulentus).

Consegui melhorar muito minhas fotos do gritador (Sirystes sibilator).

Uma fêmea da saíra-viúva (Pipraeidea melanonota) deu as caras rapidamente, para me permitir completar o registro do casal, já que só tinha foto do macho.

O casal de surucuá-variado (Trogon surrucura) que encontramos não me deu chance de fotografá-lo de frente, esta foi a melhor que consegui.

À tarde encontramos vários bichos, entre eles um casal de tiribas-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis), muito tranquilo e no maior love.

Um coleirinho (Sporophila caerulescens) apareceu para minha felicidade.

No brejinho atrás do comedouro, um curutié (Certhiaxis cinnamomeus) cantou e fez uma rápida aparição.

À tardinha achei o último lifer do dia, a marreca-de-bico-roxo (Nominix dominica), escondida entre o capim. Logo depois, com nossa aproximação, afastou-se para a água aberta.

À noite, a grande estrela do dia, a murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana), uma imponente coruja, que a Cláudia trouxe magistralmente para um galho seco, no limpo, conforme havia prometido desde a manhã.

O segundo dia começou tranquilo com uma garça-noturna (Nycticorax nycticorax), ainda na pousada.

Andorinhas-domésticas-grandes (Progne chalybea) pousaram em alguns fios e pude fotografá-las após longo tempo. As que nidificavam em Manhumirim foram afugentadas por um desastroso “embelezamento” dos muros de arrimo da cidade, que reduziu os barbacãs e dificultou a entrada delas para fazerem os ninhos.

Ainda na estrada, encontramos o chauá (Amazona rhodocorytha), quarto lifer, que nidifica nas redondezas, segundo a Cláudia. Por isso só fizemos fotos de longe.

Em seguida o quinto lifer dá sinal de vida – borralhara (Mackenziaena severa). Custou a permitir foto que prestasse, mas valeu a pena a insistência. Pena que a fêmea, muito mais bonita, não apareceu.

Um araçari-de-bico-branco (Pteroglossus aracari) passou rápido, quase não dando chance para fotos.

Um solitário trinca-ferro (Saltator similis) veio buscar frutas no comedouro. Não ouvi esses passarinhos por lá.

Finalmente um macho da rendeira (Manacus manacus) me permitiu fazer fotos razoáveis.

Umachoca (Thamnophilus sp.) me permitiu 2 fotos quase iguais, antes de se embrenhar na galharada. Não consegui chegar a um acordo para identificá-la.

Um petrim (Sinallaxis frontalis) apareceu entre uns eucaliptos e consegui duas fotos.

Só para constar como sexto lifer, vai a foto do caneleiro (Pachyramphus castaneus), que se recusou a sair detrás da folha.

O gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea) deu um show.

Tié-de-topete (Lanio melanops), fêmea, discreta e bonita.

Os guaxes (Cacicus haemorrhous) eram presença constante e chegaram muito perto em um dos comedouros, como se pode ver na foto.

Um ninho de pica-pau-verde-barrado (Colaptes melanochloros) nos deixou eufóricos, com tantas fotos boas, de todo jeito. Separei essa aí.

As maracanãs (Primolius maracana) estão se alimentando dessas secreções das embaúbas em vários lugares por onde passo. Deve ser uma solução para esses tempos magros de final de inverno.

A passarinhada teve fecho de ouro com um casal de japacanins (Donacobius atricapilla), que enfeitiçou a Bárbara com sua “dancinha” e dueto espetaculares.

Foi isso. Recomendo enfaticamente a hospedagem na Pousada da Vovó Dindinha e a Cláudia Pimenta como guia, para quem quiser fazer uma passarinhada muito proveitosa no Espírito Santo e, como ela diz, correndo o risco de ver a saíra-apunhalada…

Mata Atlântica (+)