A fotografia de natureza pode ser feita o ano todo, mas para ver aves, o segundo semestre é considerado um período de atividade mais intensa. Há a floração das cerejeiras em São Paulo e em Campos do Jordão, que oferecem oportunidades para fotos excelentes. Nos locais de Mata Atlântica também aumentam as oportunidades fotográficas em locais com pés de palmito e comedouros. Entre julho e outubro também é o melhor período para fotografar no Pantanal, que realmente merece a fama de um dos locais mais espetaculares do planeta. Setembro e outubro são os meses em que as aves estão com a plumagem mais bonita, há mais chance de atenderem ao playback, e há mais oportunidades para fotografar.

 

Junho a agosto: floração das cerejeiras

As cerejeiras são um grande imã para atrair aves como o beija-flor-de-topete, o beija-flor-de-papo-branco, gaturamo-bandeira, o gaturamo-rei, sanhaçu-de-encontro-amarelo, sanhaçu-cinzento, saí-azul, saíra-amarela, saíra-lagarta, quete, tico-tico, tiriba-de-testa-vermelha.

Há várias cerejeiras em parques de São Paulo, como o Horto e o Ibirapuera. Campos do Jordão também tem várias, e com certeza os parques da região Sul também têm. Depois que começa a florir, cada árvore só terá umas duas semanas de flores no ano. Mas já vi árvores que têm o início da floração em períodos diferentes (talvez sejam de espécies diferentes). Assim, no Parque das Cerejeiras em Campos do Jordão, o festival (evite: dezenas de ônibus, gente demais) acontece em geral em meados de julho – a depender do início previsto da floração, mas no ano passado, em agosto ainda havia umas 3 árvores floridas. Em Campos do Jordão também já peguei floração e meados de junho, e quando há geadas fortes, geralmente acaba com todas as flores.

 


Julho a início de outubro: Pantanal

A maior planície alagável do mundo também é um dos destinos mais famosos para ver fauna. Um lugar para fotografar o dia inteiro, e à noite para quem quiser ir atrás das noturnas.

Pesquisando na internet você verá diversas ofertas de agências e operadoras. A Virtude tem relatos de quem foi sem agência, de quem já ficou no famoso SESC de Poconé, e neste ano o Geiser Trivelato montou um roteiro muito legal para quem quer ter muitas chances de fazer ótimas fotos.

O Pantanal é um destino muito procurado, especialmente nas férias escolares, então é preciso fazer as reservas com bastante antecedência.

 


Setembro a novembro: Manaus, Parauapebas, Presidente Figueiredo, Cristalino Jungle Lodge, Apiacás, Peru

A Amazônia é um bioma muito difícil. Calor, pouca luz, aves em árvores altas, ou muito arredias e embrenhadas. Grandes distâncias. As fotos incríveis geralmente são quando o fotógrafo deu a sorte de achar uma fruteira baixa (uma árvore frutificando) que atraiu as aves para mais perto do solo, ou então uma fruteira próxima de uma torre de observação.

Mas a Amazônia é onde estão metade das 1.800 espécies de aves brasileiras, e muitas você só encontra lá, então uma hora ou outra os passarinheiros acabam marcando um passeio.

A primavera é a época em que as aves estão mais ativas, respondem melhor ao playback, e estão com a plumagem mais bonita, então no geral as pessoas marcam viagens nessa época. Mas há aves o ano todo. Veja as informações dos guias Guilherme Battistuzzo e Marcelo Barreiros.

Minhas experiências na Amazônia foram em Carajás e num pedacinho do Pará. Bichos incríveis, mas viagens difíceis. Recentemente recebi informações sobre novos destinos que prometem um pouco mais de oportunidades: a Fazenda Boca da Onça, em Apiacás – MT, do Fernão Prado, e o roteiro para o Peru, organizado pelo Adrian Rupp.

 


Setembro a outubro: África do Sul – Kruger e Kgalagadi. Novembro-janeiro tem seus atrativos para ver as migratórias

A África do Sul são minhas férias favoritas. Tranquilidade, segurança, estradas boas, infraestrutura, e a oportunidade de fotografar o tempo todo. Vocês sabem que há diversos tipos de viagens para a África: viagens de aventura, de luxo, de desafios e riscos. Não é nosso perfil: gostamos dos parques nacionais da África do Sul, frequentados pela classe média sul-africana. Acomodações simples, nosso próprio carro, nosso roteiro, nossos horários. Já fomos cinco vezes. Em todas fomos ao Kruger, duas vezes também para o Kgalagadi, na primeira viagem também para a Cidade do Cabo para o Etosha, na Namíbia.

No Kruger evitamos a parte sul, que tem mais mamíferos grandes, mas muito mais carros, gente, e até situações desagradáveis com os motoristas de agências de turismo. Da parte central para cima é muito mais tranquilo. Gostamos muito de Punda Maria, o campo mais ao norte do parque, zona de transição climática e famoso por ter muitas aves.

Novembro-janeiro é um período fabuloso para aves na África do Sul, quando chegam milhões de migrantes. Mas ainda não tivemos coragem de enfrentar, devido às altas temperaturas, aumento da quantidade de insetos, risco de malária e, em alguns anos, de enchentes, principalmente em fevereiro. Mas para quem tem mais coragem, recomendo. O campo mais famoso do Kruger para birdwatchers, Punda Maria, lota nesse período.

Mais informações. No post “Destino Favorito: África do Sul” coloquei informações detalhadas, inclusive sobre custos.

 


Outubro (fim) a meados de março: Boa Vista – RR, os limites da Amazônia brasileira

“Quem vem para Roraima para a prática do birdwatching logo percebe que esse é um destino para voltar várias vezes, porque há uma grande diversidade de aves, e a cada viagem o espetáculo é diferente. Recentemente eu e Thiago Laranjeiras (ornitólogo do ICMbio lotado no PARNA do Viruá que é conhecido pela variedade de sua avifauna) elegemos alguns pontos que consideramos obrigatórios pra quem vem fazer uma visita de 10 dias: (…)” [Texto do Marcelo Camacho, do ótimo post sobre a região]