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Pedras no caminho e o horizonte no Alto da Boa Vista
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Lapinha da Serra – vista parcial
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Trilha no Parque Nacional da Serra do Cipó

 

Um dos melhores destinos em Minas Gerais

Espécies diversas de fauna e flora, raras, endêmicas, ameaçadas de extinção. Diversidade de ambientes: cerrado, dos campos rupestres às matas de galeria; mata atlântica. Caminhadas e paisagens de tirar o fôlego. Comida mineira para todos os paladares. Opções de hospedagem para os mais diversos níveis de exigência. Sejam bem-vindos à Serra do Cipó, um dos melhores destinos para observação de aves em Minas Gerais!

O que está citado no parágrafo acima pode parecer exagero, mas não é. O objetivo desse post é apresentar um pouco das possibilidades para observação de aves na Serra do Cipó. A serra está localizada na região central do estado, a 90 km de Belo Horizonte e 75 km do aeroporto de Confins, com acesso por estrada asfaltada. Protegida pelas Unidades de Conservação Parque Nacional da Serra do Cipó e APA Morro da Pedreira, a região é considerada um dos conjuntos naturais mais exuberantes do mundo. A serra faz parte da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço.

Hora de falar de passarinhos… Começamos pelo Parque Nacional, que é aberto à visitação e tem sua sede no Distrito Serra do Cipó (antigo Cardeal Mota), município de Santana do Riacho. A rodovia MG 10, que dá acesso ao distrito, percorre toda a margem oeste do parque e serve como referência de trajeto para a maior parte dos pontos sugeridos aos observadores de aves.

A partir da portaria principal o visitante pode acessar trilhas que atravessam os campos e levam às matas de galeria, que acompanham o Rio Cipó. Antes de partir para as trilhas vale a pena uma volta pelos arredores da sede. Espécies como saí-azul, tuim, saíra-amarela, chorozinho-de-chapéu-preto, guaracava-de-barriga-amarela, dentre várias outras, costumam ficar por lá para dar as boas vindas. Não se espante também se um raro azulão aparecer…

Partindo para as trilhas, espécies campestres como o canário-do-campo podem ser encontradas. Nos campos cobertos por capim natural algumas espécies de papa-capim encontram abrigo e alimento no período reprodutivo, geralmente de outubro a fevereiro.
Trilha no Parque Nacional da Serra do Cipó

Nas árvores esparsas podem ser encontrados o pica-pau-de-banda-branca, o gibão-de-couro e o suiriri-pequeno. À medida que o rio fica mais próximo os campos dão lugar a uma vegetação mais densa, as matas de galeria. Lá, ilustres representantes do cerrado têm sua moradia: soldadinho e fura-barreira. Dividem com eles essas matas o ferreirinho-relógio, a fogo-apagou e o bagageiro. Bem próximo à água o casaca-de-couro-da-lama e o martim-pescador-pequeno podem ser encontrados. Enfim, uma variedade de espécies pertencentes a várias famílias, de hábitos e ambientes distintos. Ao final da tarde ainda é possível encontrar pousada em alguma árvore seca a jacurutu, maior rapinante noturno das Américas.

Concluída a visita à sede, é interessante subir um pouco a serra, de carro, pela rodovia MG 10. A certa altura é possível notar a mudança na paisagem e perceber a presença dos campos rupestres. Há diversas trilhas que atravessam esses campos, sendo a Mãe d’Água uma das mais conhecidas. Ao longo dessa trilha, que tem em torno de 3,5 km, alguns dos maiores atrativos da serra podem ser encontrados: beija-flor-de-gravata-verde, chifre-de-ouro, estrelinha-ametista, capacetinho-do-oco-do-pau e pica-pau-chorão.

Mais adiante, seguindo pela MG 10, está o Alto da Boa Vista. Um local que exige bastante esforço para caminhada, com subidas e descidas íngremes, sempre em meio às pedras. É uma região com altitude variando entre 1.300 e 1.500 m, onde o tempo está frequentemente fechado. No entanto, há dois grandes atrativos: a vista (quando se consegue chegar lá com tempo aberto) e o lenheiro-da-serra-do-cipó, ave endêmica do Espinhaço, ameaçada de extinção.
Pedras no caminho e o horizonte no Alto da Boa Vista

Além do lenheiro, o caminheiro-de-barriga-acanelada, o papa-moscas-de-costas-cinzentas e a águia-chilena podem ser encontrados nesse trecho.

Continuando pela MG 10 chega-se ao Alto do Palácio, onde há outra portaria do Parque Nacional. Ali é o limite norte do parque. Espécies como o papa-moscas-do-campo, o canário-do-brejo e o tapaculo-serrano podem ser encontradas nos arredores. Ao longo da MG 10 esses são os pontos mais relevantes para observação de aves.

Outro local que merece atenção é a Lapinha da Serra. Distante cerca de 40 km do Distrito Serra do Cipó, a Lapinha também pertence ao município de Santana do Riacho. O acesso até sede do município (30 km) é asfaltado. Os outros 10 km que ligam a sede à Lapinha são de estrada de terra, acessível por qualquer tipo de carro. O principal atrativo é o pedreiro-do-espinhaço, outra espécie endêmica, que só é encontrada na Serra do Cipó.

Uma caminhada pelas trilhas da Lapinha permite também observar a primavera, o cochicho, o arapaçu-de-cerrado e a guaracava-modesta.

Há uma lista de espécies mantida pela Ecoavis contemplando as que foram citadas nesse post e tantas outras que podem ser encontradas na Serra do Cipó, atualizada sempre que membros da instituição realizam visitas à região – taxeus.com.br/lista/1556.

Gostou do lugar? Quer passarinhar por lá? Entre em contato e agende sua visita com um guia especializado.