Quando voltei dos EUA com o novo equipamento a grande vontade era ir a dois lugares onde sempre fotografo, para fazer a comparação entre as fotos de antes e as de agora. Um deles a Pampulha e o outro o Sítio São Pedro. Embora a Pampulha fique em Belo Horizonte, onde moro, foi no sítio que pude fazer o teste em primeiro lugar.

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Aproveitei o feriado de Finados para ir a Manhumirim para o aniversário de minha Mãe e também me encontrar com meus irmãos e as respectivas famílias. Já que estava por lá, fui ao sítio no dia 3 para fotografar meus velhos conhecidos e comparar os resultados.

Para fazer tudo direitinho, levei a tralha toda, câmera, lente, teleconversor, tripé, cabeça, calça, camisa, botina, tudo novinho em folha. Câmera Canon EOS 7D, lente Canon 300 mm 5.6, teleconversor 1.4x EF III, tripé Gitzo, cabeça Gimble, calça e camisa camufladas, botina Timberland. Uma beleza, tudo novo. Chapéu, banquinho, colete, meias e eu, tudo velho .

Saí cedinho, ainda meio escuro, com bastante cuidado para não acordar todo mundo, sem nem tomar café, confiando na padaria. Quem dera! Fechada. Só abre depois das 6h. Ah… meus tempos, 5h30 já tinha pão na janela de casa, quentinho. Sem problema, até chegar ao sítio já seriam mais de 6 horas e mais 3 km me levariam a Martins Soares, onde também tem padaria. Dito e feito, cheguei lá, padaria aberta, bolso sem grana. Lembrei-me de tudo, menos grana. Beleza. Para fotografar passarinho a falta de café da manhã não é nada. Eu aguento. Até que horas não sei, mas aguento.

O tempo estava ruim, muito nublado e garoando ou mesmo chuviscando, mas o sítio tem duas cobertas onde dá para se instalar e vigiar algumas árvores e arbustos onde sempre aparecem bichos bem interessantes. Para minha sorte, havia um cacho de bananas com algumas já amadurecendo e um pé de jabuticabas maduras.

Montei a tralha toda, instalei-me debaixo de uma das cobertas e comecei os trabalhos. O incremento da lente antiga de 300 mm para a nova com TC, equivalente a 420 mm me deixou entusiasmado. A possibilidade de passar o ISO de meros 400 para 1.600 era um sonho. E toca a tirar fotos, todas erradas. Até aprender a manobrar os controles eu ainda vou apanhar muito. Mas consegui alguns resultados que muito me agradaram.

Para minha alegria os anumarás haviam voltado. Estavam lá uns 4 ou 5, xeretando tudo e parece que escolhendo material para ninho. Vamos ver. Fiz um vídeo deles para testar a câmera, mas não consegui fazer o upload aqui para o blog, provavelmente terei que reduzir os Mb.

Tinha um sabiá-barranco engasgado com um coquinho do palmito Jussara, um sabiá-laranjeira com o bico cheio de minhocas para os filhotes, os sofrês com um filhotão já criado, uma maria-cavaleira calada sem dar dicas do sobrenome, um lindo casal de canarinhos, um bando de galos-do-campo, uma garricha cantora, um jacu guloso, os tietingas botafoguenses e mais um monte de outros que não peguei ou de quem fiz fotos horrorosas, para variar.

Por volta das 9h jabuticabas me deram gás para mais umas 2 horas. Aí o jeito foi voltar para casa.

Na chegada, quando o Sérgio, meu irmão, me viu todo camuflado não teve dúvida, falou para meus sobrinhos: “Olha o Freddy Krueger”. E Freddy Krueger fiquei até de tardinha. Fred