Curtindo a natureza em Campos do Jordão e Sul de Minas

  • Texto e fotos: Claudia Komesu, Nikon D750 com Sigma 150-600 e Olympus TG5

Na Páscoa fui pra Campos do Jordão com o Cris. Não era um passeio passarinheiro, e sim daqueles que você está com o marido (ou esposa), e sai pra rodar de carro, passear. É claro que a gente fotografa também, mas são aqueles dias em que o principal objetivo é olhar, absorver o ambiente, sentir o privilégio de estar no meio de lugares tão bonitos.

Fizemos três passeios:

1 – Na sexta fomos pro Sul de Minas: Wenceslau Braz e Itajubá

O caminho é pela estrada lateral do Horto de Campos. Para usar essa estrada municipal você vai até a portaria do Horto, fala pro segurança que você está indo para o Sul de Minas, e não precisa pagar o ingresso (que atualmente está R$ 14 por pessoa. Crianças a partir de 12 anos pagam como adulto). Basta entrar no Horto, e em vez de ir para a área de estacionamento você segue para a esquerda. A estrada dentro do Horto está bem esburacada. Temos um Suzuki Grand Vitara 4×4 e não houve nenhum trecho pra se preocupar, mas carros mais baixos talvez tivessem problemas, e de qualquer forma é dessas estradas pra ir sacolejando o tempo todo.

Procurei no Google Maps e não achei essa estrada. Mas sei dizer que passamos em frente ao Bosque Vermelho, que está no Google Maps, que aparece como se fosse o final da estrada, e não é. A estrada segue, ruim mas segue, e sai no Sul de Minas.

A área do Horto faz divisa com o município de Wenceslau Braz. Conheci esse trecho graças ao querido Thiago Carneiro, junto com a Rosemarí Júlio, em junho do ano passado. Poucos quilômetros depois da placa que indica que você entrou em Wenceslau Braz há áreas abertas e montanhosas. Em julho do ano passado voltei para esse trecho, com o Cris, em horário de nascer do sol e tiramos fotos como esta: (depois faço um post só pra esse passeio, que foi muito legal para fotografia de paisagem).

Os cenários de Wenceslau Braz são maravilhosos, mas tem o grande problema da distância: as condições da estrada fazem com que leve cerca de 1h30 pra chegar no ponto com vista bonita. Acordar 3h30, pra sair de casa às 4h e estar no ponto às 5h30, quando o céu começa a mudar de cor. Dessa vez não tivemos coragem de fazer isso, preferimos jantar com vinho depois das 21h30, acordar só 7h30 – 8h.

No caminho tem um lugar com uma bifurcação indicando ou Corredeira Pedra Mármore ou Itajubá. Siga pra Itajubá.

Num dos pontos da estrada tinha uma vista bonita, e uma estradinha que parecia indicar uma área de mirante. Era isso mesmo. Subimos uns metros com o carro e topamos com esta vista:

Já eram 10h30, um bom horário pra fazer um lanche. Tínhamos sanduíches de pão integral e pastrami do Dëlika (Mercado de Pinheiros), cenoura, tomate. O pastrami do Dëlika é muito bom, o melhor que a gente já comeu, na nossa opinião melhor do que os de Nova York. Mas se for comprar, compre em pedaços, não fatiado, mantém melhor a umidade.

Essa área de mirante tinha uma fogueira, com troncos como bancos. Aproveitamos o lugar pra sentar nos troncos e apreciar a vista.

Não fomos nós que fizemos a fogueira, ela já estava lá, só aproveitamos os troncos onde sentar

Enquanto comíamos nossos sanduíches, reparamos nas borboletas nas flores brancas. Passamos um tempo fotografando-as, até que surgiu um casal de outra espécie, com um colorido muito bonito. A torcida é a mesma que a gente faz para passarinhos “pousa-pousa-pousa”. Pousaram. Pra nossa sorte tinha algum cocozinho no chão, o tipo de coisa que sempre interessa pras borboletas, e elas passaram um bom tempo por lá, o Cris até arriscou se aproximar bastante delas.

Depois da sessão borboletas, continuamos seguindo pela estrada, chegamos no asfalto e fomos pra Itajubá, onde almoçamos no Restaurante Sem Nome, um bom buffet de comida mineira. O Waze dava dois caminhos pra voltar pra Campos: a primeira opção de 100km, quase 2h pela MG 295, mas é asfalto. A segunda opção são 60km pela BR 383, mas também 2h, porque é estrada de terra. Escolhemos ir pela terra para apreciar a paisagem. Passamos pela Represa São Bernardo. Cenário bonito, mas era triste olhar pra um morro recém-desmatado pela vinícola que fica ao lado da represa, aquele morro todo pelado, com quatro araucárias. Pra deixar claro: é uma área particular, e imagino que não tem nada de ilegal nisso. É só triste mesmo.

 

2 – No sábado saí sozinha em Campos. Estrada pro Pico do Imbiri e a região do Forest Hill. Esses são lugares que eu já vi pavó, juruva, falcão-caburé, tovaca. Mas dessa vez estava bem difícil. No dia anterior a gente já tinha achado a mata silenciosa, mas pensamos que podia ser pelo horário tardio. Mas no sábado, mesmo saindo cedo foi difícil fotografar aves. Até havia bandos mistos, mas eles só ficavam no alto das árvores. O melhor momento foi um encontro com uma família de jacuaçus. Eles são comuns em Campos, mas ainda não tinha visto uma família nessa estrada. Havia três adultos e um filhotão grande. O formato dos cracídeos me lembra muitas ilustrações modernas dos dinossauros, então poder encontrar um bandinho de manhã numa estrada de terra, sem ninguém em volta, traz um leve sabor de viagem no tempo :) Fiquei com eles até que um carro no sentido contrário os afugentou. Perto do fim do passeio, tive a emoção de achar que conseguiria uma foto boa do cabecinha-castanha macho, que estava no meio de um bando misto. Eu dei um passo pra ver um outro bicho, e quando olhei pra baixo vi ele saindo, aquele colorido inconfundível. Toquei o playback e um tempo depois ele voltou, mas não se mostrou, só ficou embrenhado nos bambus, uma pena.

Voltei pra casa lá pelas 11h. Os pais do Cris estavam pra chegar, íamos almoçar juntos. Não saí mais nesse dia.

 

3 – No domingo eu e o Cris seguimos a outra estrada lateral ao Horto, aquela que é caminho dos romeiros. É aquela estrada de terra à direita, uns metros antes da portaria do Horto, famosa porque no alto do morro é um dos pontos da Saudade (Tijuca atra).

O dia estava nublado e conforme subíamos a estrada ficava cada vez mais nublado, fechado e frio. No ano passado conseguimos boas fotos de paisagem pros lados da Fazenda Céu Estrelado (que infelizmente plantou pinheiros em toda a cerca, logo não será mais possível fotografar os cenários), mas dessa vez não tinha brumas, era tudo fechado, cinza. Seguimos um tempo na estrada, e depois voltamos e paramos naquele campo de altitude que tem as sempre-vivas, uma vegetação bem diferente. Passamos um tempo fotografando as plantas de lá, inclusive uma linda orquídea chuva-de-ouro.

A cidade estava bem lotada. Quando chegamos na quinta-feira no fim do dia, havia fila para entrar no estacionamento do Pão-de-Açúcar. No domingo na hora do almoço havia filas enormes de carros para sair da cidade, parecia ser aqueles dias em que você leva quase 1h só pra conseguir sair da cidade. Nós pudemos voltar na segunda de manhã e não pegamos nenhum trânsito.

Esse foi um feriado bem difícil/azarado para fotografar aves. Mas já faz uns anos que eu descobri que quando saio, meu principal objetivo é curtir a natureza. Gosto de olhar as coisas ao redor, reparar em flores e folhas, insetos, procurar aranhas minúsculas, frutos silvestres, tentar fazer fotos bonitas, buscar imagens que transmitam um pouco da diversidade e beleza do lugar. Isso sempre é possível e as aves mais comuns do local sempre estarão por lá. Quem não precisa de lifers ou de aves incomuns aproveita qualquer passeio :)

 

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