tovacuçu_Valdir-Hobus

 

  • Texto e foto: Valdir Hobus

Fotografia de aves é sem dúvida uma das atividades mais prazerosas das quais já participei. Repleta de momentos emocionantes e inesquecíveis. Todos os fotógrafos de aves tem uma lista das espécies mais desejadas. Para alguns, uma espécie rara, para outros, alguma de grande beleza é o que ocupa os pensamentos e se torna até mesmo uma obsessão.

Movidos pelo desejo de encontrar e fotografar tais aves, muitos empreendem verdadeiras expedições. São horas e mais horas de planejamentos, estudos, viagens para realizar o desejo.

Minha lista dos mais procurados não é diferente. Contudo, de alguma forma, uma espécie tem despertado meu interesse desde o início da minha caminhada. Não é das mais raras, nem tem cores exuberantes. Mas suas relativa dificuldade de ser vista e fotografada certamente tem sido fator determinante para sua entrada na lista.

Sempre olhava os guias de aves e ficava particularmente interessado na família Grallariidae, especialmente no tovacuçu (Grallaria varia). Quando algum colega fotografava a espécie, ficava admirado e ainda mais animado em conseguir o mesmo feito.

Há aproximadamente um ano fiz meu primeiro contato com o tão sonhado tovacuçu. Visitando meus pais em Santa Catarina, aproveitei o tempo para passarinhar numa pequena mata preservada na proximidade da casa deles. Foi quase indo embora que ouvi pela primeira vez o seu canto na mata. Imediatamente gravei e reproduzi. Ele, porém, vocalizava à distância sem deixar-se ver.

Meus dias de férias estavam no fim e, sem tempo de continuar a busca, voltei para casa sem a sonhada foto. Isso aumentou ainda mais a vontade de fotografá-lo.

Fui então visitar um grande amigo, Sergio Gregório, em Curitiba. Ele estava tendo sucesso com a espécie, realizando excelentes imagens da mesma. Agora sim, minha hora estava chegando.

Fomos para o ponto específico da mata, armamos um esconderijo, no qual passamos 2 horas ou mais à espera do tovacuçu. Ele vocalizou por perto, até que, finalmente, pousou a uma distância razoável para ser fotografado. Porém, metade do corpo atrás de um tronco. Tentei uma foto para registro, mas ele voou antes de eu ter tempo de clicar.

Alegria e frustração ao mesmo tempo: finalmente havia visto o tovacuçu, mas não consegui a tão sonhada foto.

Um ano se passou, e voltei para a casa dos meus pais, para uma visita rápida, agora no final de agosto. Dessa vez já havia estudado os hábitos da espécie, já falara com outros fotógrafos que tinham feito fotos dele. Tudo planejado nos mínimos detalhes.

Não via a hora de ir pro mato pra encontrar o tão sonhado tovacuçu. No primeiro dia, fui até a mata para um reconhecimento do local. E logo de chegada fui saudado com o canto dele!

No dia seguinte preparei tudo: procurei minhocas, coloquei uma roupa camuflada, máquina pronta… fui pro mato. Escolhi um tronco caído no qual coloquei uma bandeja com minhocas. Espetei uma minhoca em um pequeno graveto e coloquei no chão. Afastei-me um pouco e toquei o playback. Logo ele respondeu. Vocalizou atrás de mim. Quando me virei, consegui ver ele de relance correndo por baixo das folhas de caeté. Ele fez uma grande volta, e foi direto na direção do tronco. Não pude acreditar no que eu estava vendo. Parou na frente do tronco, comeu a minhoca do graveto, e foi embora.

E a foto? Eu não fiz. Esperei que ele ficasse numa posição melhor. Mas ele não ficou. Porém, quando menos espero, ele volta e sobe no troco caído, olha pra mim, e espera o tempo suficiente para conseguir dois cliques. Pronto! Numa fração de segundo, um sonho de anos se tornou realidade.

A adrenalina escorria pelo rosto em forma de suor. Lagrimas se formaram. Um grito de alegria foi ouvido naquela mata quase silenciosa. Finalmente eu tinha feito a foto do tovacuçu.

Dois dias depois voltei ao local, para tentar mais uma foto. Ele continuava tranquilamente por lá. No ultimo dia, levei minha mãe para ver a ave misteriosa e ele, com muita simpatia, apareceu e deixou fotografar-se mais uma vez.

Assim, voltei para casa com um sonho realizado. Agradeço a todos os amigos que me ajudaram dando dicas e passando seus conhecimentos dos hábitos dessa espécie. Agradeço especialmente a meus pais (Werner e Rainildes), que me acompanharam nessa busca, e que estão entrando no mundo da fotografia de aves também.

Espero que este breve relato sirva de estímulo para todos que amam a fotografia de aves.

Valdir Hobus

 

Momentos Mágicos

 

 

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Todo mundo que passarinha tem momentos mágicos. A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.

O Momento Mágico não é uma foto espetacular: é um momento espetacular que você viveu, tenha conseguido foto boa ou não, talvez estivesse até sem câmera.

Basta escrever um texto e, se tiver uma foto, seja do momento ou de algo que represente seus sentimentos, envie junto para claudia.komesu@gmail.com. Fotos em 960×640 pixels, pelo menos uma na horizontal para ser capa do post. O texto não precisa ser muito longo, mas tente expressar o que você sentiu e pensou, afinal, o objetivo desta seção é valorizar o que vivemos, compartilhar e reviver alegrias.

Além do texto, diga data e local do momento mágico.