Ver mamíferos na natureza não é uma tarefa fácil, e os nossos felinos são o sonho de qualquer amante da natureza e fotografo, sejam os grandes ou os pequenos.

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  • Encontros com onças-pardas e onças-pintadas na Amazônia, diversas datas

Apesar de hoje em dia serem muito comuns (e quase acessíveis para todos, financeiramente falando) o jaguar-watching tem ganhado espaço entre os fotógrafos, em especial no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde as onças pintadas tem perdido o medo das pessoas, e ficam se exibindo nas margens dos rios.

Mas, nada mais gratificante do que encontrar esses grandes predadores na natureza, por puro acaso!

Infelizmente, nenhum dos meus encontros próximos rendeu uma foto, e o encontro distante, rendeu uma bem ruinzinha, mas a emoção de ver “o bicho” de “perto” é indescritível.

A primeira vez foi uma onça-parda (sussuarana, puma, ou Felis concolor, como os cientistas chamam). No final de 2011, estava ajudando os amigos Gabriel Leite e Marcelo Barreiros num levantamento de aves na Represa de Balbina, em Presidente Figueiredo, Amazonas. Saíamos de barco todas as madrugadinhas, ainda muito escuro, passando pelo lago e passando medo a cada batida do barco nas árvores mortas no meio do lago. Esse período de navegação noturna sempre dava medo, mas quando o sol ia aparecendo, e nos aproximávamos das margens do lago, a esperança de ver algum bicho aumentava. Num dos dias, estávamos quase chegando no ponto de amostragem, já era dia, e eu já estava atento, procurando alguma coisa. Na margem vi, deitava e tomando sol, uma sussuarana, linda, enorme e tranquila. Quando nos viu, levantou e ficou nos olhando, esperando o que ia acontecer… comecei a chamar o pessoal que ainda estava meio dormindo para ver o bicho,e pedi para o barqueiro desligar o motor, mas ele não ouviu, e batemos em outra árvore morta… acabou a festa, e a onça em um pulo, sumiu mato a dentro!!!

A minha primeira vez com uma onça-pintada (Panthera onca) foi muito melhor. Em minhas idas a campo, na Reserva Cuieiras, Amazonas, numa pequena curva do caminho, existe um buraco que sempre me chamou a atenção, e sempre pensei: “um dia vai sair um bicho daqui e vou levar um susto”.

Poucos metros antes desse buraco, encontrei um veado se alimentando ou dormindo, por três vezes, em semanas consecutivas, e sempre me assustei quando ele se apavorava comigo e saía correndo pelo mato. Na quarta semana, não o vi, e lógico que já pensei na onça…

Cerca de um mês depois que o veado sumiu, por volta de março de 2012, eu estava voltando do estudo no campo, depois de ter tomado uma super chuva, de cabeça baixa, cabelo solto e andando rápido e SOZINHO, percebi alguma coisa se movendo do meu lado, pensei que era só o cabelo balançando, quando dei uma paradinha e olhei para o lado, a menos de cinco metros de mim estava uma onça-pintada saindo do meio do caminho e se embrenhando no mato… Foi um misto tão confuso de excitação, medo, surpresa, vontade de tirar uma foto, de ver melhor, e me aproximar, que ainda dei uns três passos atrás do bicho, mas logo em seguida a consciência voltou e percebi que estava sozinho. Parei, pensei, e voltei calmamente para a trilha, olhando, sem dar as costas para a onça-pintada, até me distanciar bem e, voltei a andar rápido, olhando para frente, de volta ao acampamento! O momento foi mais do que mágico, e iniciei uma série de avistamentos da forma mais excitante possível!

A segunda vez, em junho de 2012, outra vez voltando do campo, ao longe, no meio da estrada, mas dessa vez dentro de um carro, vi o bichão no meio da estrada. Infelizmente estava a uns 500 metros de distância, mas como estava num retão, ainda consegui um registrinho fotográfico.

Na terceira vez, estava levando o amigo Zé Edu Camargo para a conhecida torre da ZF-2, em agosto de 2012 e, na volta, depois de uma rapidíssima passarinhada, também ao longe e de carro, tinha uma onça no canto da estrada. Dessa vez, ela estava meio escondida, também longe, mas era fim de tarde, e a onça estava meio esperta, e mal deu tempo de vê-la!

A última vez, essa a mais próxima, segura e infeliz de todas, foi mês passado (fevereiro de 2012). Fui visitar uma amiga aqui de Manaus que estava auxiliando o IBAMA, e sendo a cuidadora temporária de um filhote de onça-parda. Assim que soube da oncinha, fui na casa dela. Me “acabei” com a oncinha, com fotos, apertos e carinhos, mas é impossível não se chatear, a cada vez que lembro que a mamãe-onça-parda foi morta por caçadores, e o bebê encaminhado ao IBAMA.

Bom, espero que os encontros não tenham acabado, e que os próximos sejam brindados com fotografias que ilustrem as imagens que não saem das minhas memórias!!!

 

Mais uma proposta do Lado B: compartilhe momentos mágicos

Todo mundo que passarinha tem momentos mágicos. A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.

O Momento Mágico não é uma foto espetacular: é um momento espetacular que você viveu, tenha conseguido foto boa ou não, talvez estivesse até sem câmera.

Basta escrever um texto e, se tiver uma foto, seja do momento ou de algo que represente seus sentimentos, envie junto. Fotos em 960×640 pixels, pelo menos uma na horizontal para ser capa do post. O texto não precisa ser muito longo, mas tente expressar o que você sentiu e pensou, afinal, o objetivo desta seção é valorizar o que vivemos, compartilhar e reviver alegrias.

Além do texto, diga data e local do momento mágico.

O Momento Mágico é uma seção permanente do Lado B. Você pode participar mesmo que seja seu primeiro post para a Virtude-AG. O material não precisa ser inédito nem exclusivo.