• Na Tanzânia – Parque Nacional do Serengeti, janeiro de 2013
  • Câmera: Nikon 1 V2 com lente 30-110mm. Fotos sem crop, todas a menos de 80mm

MM_Tanzania-elefante_Elsie_Rotenberg_03

 

  • Texto e fotos: Elsie Rotenberg

Nosso penúltimo dia de jornada pela Tanzânia se iniciava. Passava um pouco das seis da manhã, eu já saía da barraca — estávamos hospedados no Kati Kati Tented Camp, no Parque Nacional do Serengeti — para tomar café da manhã e seguir viagem rumo a Arusha. Luz baixa, pois o dia mal amanhecia, e eu ainda um tanto sonada. A noite anterior, como costuma ser quando se pernoita em barracas, foi repleta de efeitos sonoros: leões ao longe, hienas, elefantes muito próximos, gnus, corujas, e assim vai; o sono é errático. Peguei a pequena trilha para chegar à barraca de refeições, atenta para não meter o pé na lama (havia chovido muito no dia anterior), quando levantei a cabeça e vi Fabio Olmos, zoólogo, amigo e um dos cúmplices nesta viagem, gesticulando para mim feito um demente. Ele e sua companheira, a bióloga Rita Souza, estavam parados ali no meio, olhando fixamente para alguma coisa. Não entendi nada, mas eventualmente a ficha caiu e segui o dedo do Fabio com os olhos.

Ele me disse depois, “Deveria ter fotografado a sua cara. Foi impagável!” O que vi foi uma daquelas coisas que ficam marcadas para todo o sempre: um monumental elefante macho, placidamente pondo abaixo uma árvore no acampamento, nem 20 metros da barraca para onde me dirigia. Posso facilmente imaginar que meu queixo foi parar no joelho — minha expressão deve ter sido ótima mesmo! Dei ré rapidinho, peguei uma câmera na minha barraca e fui me juntar aos dois. O elefante continuava no mesmo lugar, retalhando a árvore para chegar às tenras folhas da copa. Não era uma árvore grande, mas ainda assim deu para ter uma ideia da força bruta desse magnífico animal. Galhos no chão, despedaçados, e ele feliz da vida comendo as folhinhas. Não se incomodou nem um pouco com a nossa presença.

Nessas horas, acontece uma de duas coisas: ou as pessoas ficam estáticas, em silêncio reverente (ou sussurrando), absorvendo a cena ao máximo; ou tratam o bicho como se ele fosse algum animal amestrado posto lá especialmente para divertir os humanos. Tal experiência, lamentavelmente, já tínhamos vivenciado no início da viagem, quando um pequeno grupo de elefantes se aproximou da entrada do Parque Nacional de Tarangire, onde é permitido deixar o veículo e caminhar. Fomos os primeiros a vê-los, nos aproximamos cuidadosamente e ficamos ali parados, admirando-os respeitosamente. Mas pouco depois outros turistas apareceram, e aí foi um tal de tirar foto (com flash!) com os bichos ao fundo, gritar, rir, amassar saquinho de batata frita… Ficamos tão perturbados — sem contar que as pessoas pareciam não entender que os elefantes poderiam se irritar e atacar, ou seja, o comportamento era uma ameaça à sua própria segurança — que fomos embora.

Mas neste dia foi bem diferente. Os outros hóspedes ainda não haviam levantado e o pessoal do acampamento sabia como se comportar. Ficamos os três parados ali, observando e fotografando, estupefatos e felizes, enquanto o dia amanhecia. Pouco depois, nosso guia apareceu e se juntou a nós, igualmente extasiado. O elefante terminou sua obra, abanou as orelhas, olhou para nós ponderadamente e lentamente se afastou. Que jeito de começar o dia!

 

Mais uma proposta do Lado B: compartilhe momentos mágicos

Todo mundo que passarinha tem momentos mágicos. A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.

O Momento Mágico não é uma foto espetacular: é um momento espetacular que você viveu, tenha conseguido foto boa ou não, talvez estivesse até sem câmera.

Basta escrever um texto e, se tiver uma foto, seja do momento ou de algo que represente seus sentimentos, envie junto para claudia.komesu@gmail.com. Fotos em 960×640 pixels, pelo menos uma na horizontal para ser capa do post. O texto não precisa ser muito longo, mas tente expressar o que você sentiu e pensou, afinal, o objetivo desta seção é valorizar o que vivemos, compartilhar e reviver alegrias.

Além do texto, diga data e local do momento mágico.

O Momento Mágico é uma seção permanente do Lado B. Você pode participar mesmo que seja seu primeiro post para a Virtude-AG. O material não precisa ser inédito nem exclusivo.