Ao ser convidada pela Claudia Komesu para compartilhar um momento mágico no Virtude-AG, como por exemplo: “A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.”, pensei cá com meus botões: – eu não tenho nenhum momento prá lá de especial e nem vou conseguir falar de um momento único, pois pra mim, todo encontro com aves é único e mágico. Além disso, eu me emociono muito fácil (sou daquelas que chora até em inauguração de supermercado rs rs rs rs rs).

Gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) - Harris's Hawk

Gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) – Harris’s Hawk

 

  • Texto e fotos: Silvia Linhares
  • Câmeras: Canon 7D com lentes 70-200 e 70-300, e Canon XSi com lente 17-50
  • Vários locais e datas

A vida para mim já é uma magia e ter sobrevivido a um AVCi na flor da idade já é mais do que mágico, é milagroso. A inclusão das aves no meu mundo foi algo pra lá de espetacular, foi um divisor de águas, pois encontrei tanto sentido nisso que nem tenho palavras que consigam traduzir esses sentimentos.

Resumindo: o fato de eu ter me apaixonado pelas aves é o momento mais mágico de todos.

Simplesmente fiquei enfeitiçada. Esse feitiço começou a se apoderar de mim quando visitei uma ilha com milhares de pinguins na Patagônia em março de 2010… acho que no intervalo de uma hora e pouco (tempo que ficamos em terra na Ilha Magdalena) eu fiz mais de mil fotos desses minúsculos sujeitinhos. Eu tinha vontade de pegá-los no colo, igual bicho de pelúcia e trazer para minha casa. Nessa época eu nem era ornitófila, e minha estada na Patagônia foi simplesmente para fazer fotos turísticas para uma revista (pasme) de automobilismo chamada Cavallino.

Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) - Magellanic Penguin Isla Magdalena - Patagonia Chilena

Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)
– Magellanic Penguin
Isla Magdalena – Patagonia Chilena

Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) - Magellanic Penguin Isla Magdalena - Patagonia Chilena

Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)
– Magellanic Penguin
Isla Magdalena – Patagonia Chilena

Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) - Magellanic Penguin Isla Magdalena - Patagonia Chilena

Pingüim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus)
– Magellanic Penguin
Isla Magdalena – Patagonia Chilena

Eu, babando - by Camila Maluf

Eu, babando – by Camila Maluf

Já praticamente sem chances de me liberar desse encanto, veio o primeiro contato com o mundo dos passarinheiros. Em setembro de 2010, a convite do meu amigo biólogo e fotógrafo Carlos Godoy, junto com minha amiga Carmen Bays e mais duas moças, participei do Festival de Observação de Aves de Ubatuba com o Carlos Rizzo. O momento da “injeção letal” aconteceu no café da manhã, com aquele mundaréu de passarinhos multicoloridos (que hoje eu identifico como sanhaçus, saíras, tiês, etc). Eu fiquei enlouquecida.

Saí-azul (Dacnis cayana) - Blue Dacnis

Saí-azul (Dacnis cayana) – Blue Dacnis

Saíra-militar (Tangara cyanocephala) Red-necked Tanager

Saíra-militar (Tangara cyanocephala) Red-necked Tanager

Saíra-sete-cores (Tangara seledon) Green-headed Tanager

Saíra-sete-cores (Tangara seledon) Green-headed Tanager

Tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) Brazilian Tanager

Tiê-sangue (Ramphocelus bresilius) Brazilian Tanager

Desse Festival nasceu meu primeiro fotolivro sobre aves, cujo exemplar eu corri mostrar pro meu colega de trabalho, o biólogo e passarinheiro André Ricardo de Souza. Então ele me fez um convite para participar do CEO – Centro de Estudos Ornitológicos.

Em janeiro de 2011 eu, finalmente, me inscrevi no CEO e participei da minha primeira atividade com o grupo um mês depois. Foi no Hospital das Forças Armadas, aqui em São Paulo mesmo, no Campo de Marte. E para minha sorte um gavião-asa-de-telha fez pose para minhas lentes. Nossa! O dedo indicador fremia o obturador feito um alucinado. Imponente, no alto de um galho, o bicho observava tudo ao seu redor. Aí que vi que não tinha mais volta.

Gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) - Harris's Hawk

Gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus) – Harris’s Hawk

E o que dizer de acompanhar o nascimento e crescimento de uma família de bem-te-vis na janela do meu apartamento, todos os dias, isso morando numa das regiões que mais tem prédios altos em São Paulo.

Família Bem-te-vi da Minha Janela

Família Bem-te-vi da Minha Janela

Filhote sendo alimentado

Filhote sendo alimentado

Filhote da Família Bem-te-vi da Minha Janela

Filhote da Família Bem-te-vi da Minha Janela

Não dá para descrever o que sinto quando as lágrimas dominam meus olhos ao fotografar alguma coisa linda na natureza, sejam filhotinhos de quero-quero, coruja-buraqueira, ou uma ave mais rara e especial como o sabiá-pimenta. Tudo é contabilizado com alegria. Qualquer momento que deixe o meu coração acelerado de felicidade é digno de ser considerado mágico.

Filhotes de coruja-buraqueira (Athene cunicularia) - Burrowing Owl Tremembé/SP

Filhotes de coruja-buraqueira (Athene cunicularia) – Burrowing Owl
Tremembé/SP

Filhote de quero-quero (Vanellus chilensis) - Southern Lapwing Tremembé/SP

Filhote de quero-quero (Vanellus chilensis) – Southern Lapwing
Tremembé/SP

Sabiá-pimenta (Carpornis melanocephala) Black-headed Berryeater Jurupará - Ibiúna

Sabiá-pimenta (Carpornis melanocephala) Black-headed Berryeater
Jurupará – Ibiúna

Imagine eu frente a um passarinho, plagiando Roberto Carlos, “Emoções”, cantaria assim para ele…

“Quando eu estou aqui,

Eu vivo esse momento lindo,

Olhando pra você,

E as mesmas emoções,

Sentindo…

São tantas já vividas,

São momentos, que eu não me esqueci,

Detalhes de uma vida

Histórias que eu contei aqui…

Mas eu estou aqui,

Vivendo esse momento lindo,

De frente pra você,

E as emoções se repetindo

Em paz com a vida,

E o que ela me traz,

Na fé que me faz,

Otimista demais

Se chorei ou se sorri,

O importante, é que emoções eu vivi…”

Mais uma proposta do Lado B: compartilhe momentos mágicos

Todo mundo que passarinha tem momentos mágicos. A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.

O Momento Mágico não é uma foto espetacular: é um momento espetacular que você viveu, tenha conseguido foto boa ou não, talvez estivesse até sem câmera.

Basta escrever um texto e, se tiver uma foto, seja do momento ou de algo que represente seus sentimentos, envie junto para claudia.komesu@gmail.com. Fotos em 960×640 pixels, pelo menos uma na horizontal para ser capa do post. O texto não precisa ser muito longo, mas tente expressar o que você sentiu e pensou, afinal, o objetivo desta seção é valorizar o que vivemos, compartilhar e reviver alegrias.

Além do texto, diga data e local do momento mágico.

O Momento Mágico é uma seção permanente do Lado B. Você pode participar mesmo que seja seu primeiro post para a Virtude-AG. O material não precisa ser inédito nem exclusivo.