• Em Bragança Paulista, janeiro de 2013.
  • Câmera: Nikon D90, lente Nikkor 80-400

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No sábado, dia 12/01/13, fui fazer uma visita aos amigos Cleuza e Vladimir, que moram nos entornos da Pousada Monte Leone e que gostam muito das aves e preservam a natureza em todos os aspectos. Ao anoitecer, quando voltava para a Pousada, ouvi o canto da mãe-da-lua, parei o carro, logo vi o vulto da ave voando de um lado para o outro da estrada, como já estava muito escuro e não havia levado a lanterna, fui embora, mas com aquela vontade de pegar a lanterna e voltar. Pois bem, não consegui companhia e desisti da ideia.

Encontrei o Dominguinhos, especial funcionário da Pousada e que me mostra muitas espécies de aves que frequentam o local. Já havia comentado com ele sobre a mãe-da-lua ou urutau, conforme é conhecida. Pedi a ele que quando fosse embora observasse o local para ver se via ou ouvia a espécie. E não é que na semana seguinte, quando cheguei na Pousada, ele já estava com o registro feito no celular. Não deu outra, o amigo me deu a localização e no dia seguinte, após o café da manhã, lá fui eu e lá estava ela no ninho, como mostra a foto.

MM_mae_lua_Elisa_Torricelli_01Para completar, o amigo Fernando Cipriani, ao ver e comentar a foto lá no Wiki Ave e já acostumado a fazer lindas fotos da mesma espécie, na Sonhos de Açúcar (sua chácara), me alertou que o filhote já está nascido e que se vê, nesta foto, na parte da frente da barriga (da mãe ou do pai, não sei) e logo depois dos dedos do pé e unhas, isto tudo é legal demais!
Essa ave noturna é enigmática e usa de uma camuflagem fora de série, muito inteligente. Se assemelha ao local, um tronco seco, como tenho visto. Tem alguns hábitos interessantes, não arreda pé do ninho por nada, fica imóvel, estática o dia todo, faça sol, chuva ou vento, até que o rebento nasça e complete algum tempo de vida. O alimento é trazido à noite, por um dos pais (pelo macho ou pela fêmea), não sei dizer.

 

Estou tão feliz por ter encontrado este ninho que vou relatar tudo o que li no Wikiaves, sobre o Nyctibius griseus, que é seu nome científico:

“A mãe-da-lua é um caprimulgiforme da família Nyctibiidae. Conhecido também como urutau, urutau-comum, Kúa-kúa e Uruvati (nomes indígenas – Mato Grosso). O nome urutau é tupi e significa ‘ave fantasma’.

Há uma crendice na Amazônia de que as penas da cauda do urutau protegeriam a castidade. Por isso, a mãe varre debaixo das redes das meninas com uma vassoura confeccionada com estas penas.

Conta uma famosa lenda boliviana, que na densa mata habitava a bela filha do cacique de certa tribo, enamorada por um jovem guerreiro da mesma tribo, a quem amava profundamente. Amava e era amada. Ao saber do romance, o pai da menina, enfurecido pelo ciúmes, usou suas artes mágicas e tomou a decisão de acabar com o namoro da maneira mais trágica: matar o pretendente. Ao sentir o desaparecimento de seu amado, a jovem índia entrou na selva para procurá-lo. Enorme foi sua surpresa ao perceber o terrível fato. Em estado de choque, voltou para casa e ameaçou contar tudo à comunidade. O velho pai, furioso, a transformou em uma ave noturna para que ninguém soubesse do acontecido. Porém, a voz da menina passou à ave. Por isso, durante as noites, ela sempre chora a morte de seu amado com um canto triste e melancólico.

No Peru, mais especificamente na amazônia peruana, o Nyctibius griseus é uma ave arraigada na mitologia dos povos indígenas , onde é conhecido como “Ayaymama”, pois seu canto também lembra uma criança exclamando “ai, ai, mama!”. A lenda peruana conta que um bebê foi abandonado por sua mãe na floresta para evitar que morresse por uma peste que já havia dizimado todo o povo. Ele então se transformou em uma ave, que todas as noites lamenta por sua mãe.”

Mais uma proposta do Lado B: compartilhe momentos mágicos

Todo mundo que passarinha tem momentos mágicos. A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.

O Momento Mágico não é uma foto espetacular: é um momento espetacular que você viveu, tenha conseguido foto boa ou não, talvez estivesse até sem câmera.

Basta escrever um texto e, se tiver uma foto, seja do momento ou de algo que represente seus sentimentos, envie junto para claudia.komesu@gmail.com. Fotos em 960×640 pixels, pelo menos uma na horizontal para ser capa do post. O texto não precisa ser muito longo, mas tente expressar o que você sentiu e pensou, afinal, o objetivo desta seção é valorizar o que vivemos, compartilhar e reviver alegrias.

Além do texto, diga data e local do momento mágico.

O Momento Mágico é uma seção permanente do Lado B. Você pode participar mesmo que seja seu primeiro post para a Virtude-AG. O material não precisa ser inédito nem exclusivo.