As aves de rapina são ótimos exemplos de aves “troféu”, das mais procuradas pelos fotógrafos e observadores de aves, tanto pelo seu porte e imponência, assim como por sua raridade. Como são predadores de campo, são naturalmente encontrados em baixas densidades na natureza, e por algumas vezes atacarem animais domésticos, estão sempre na mira dos caçadores. Além disso, a necessidade de grandes áreas de caça faz com que sejam fortemente afetadas pela perda do habitat, e que seja difícil encontrá-las, já que voam por grandes distâncias.

MM_corujinha com lagarto zf2_Felipe_Bittioli

 

  • Encontros com aves de rapina em diversas datas, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica

Posso dizer que já passei por vários momentos mágicos com as aves de rapina, em especial com as mais procuradas e raras… mas por incrível que pareça, várias outras espécies ditas comuns ainda estão fugindo de mim… hehehe

A mais rara de todas as águias brasileiras é a que mais me deu bons momentos. Estudo o uiraçu-falso, Morphnus guianensis e, por monitorar os ninhos, já tive várias surpresas, ao longo dos anos de 2010 até hoje, no Amazonas e no Pará. Já vi machos trazendo alimentos para as fêmeas; já vi machos e fêmeas se comunicando enquanto ele se aproxima do ninho, trazendo as presas ou material de construção; Vi mães e filhotes em momentos de proteção, alimentação e “carinho”; filhotes saindo dos ovos, crescendo, treinando voos no ninho, e deixando os ninhos em seus primeiros voos de verdade… com essa espécie já observei e fui observado!

Com a Harpia harpyja, ou gavião-real , os momentos foram menos frequentes, mas também emocionantes. Encontrei um ninho, que hoje é monitorado pelo Programa de Conservação do Gavião-real, em Manaus; Vi o macho voando e o filhotão, depois de deixar o ninho a menos de dez metros; Observei outro ninho, próximo de Manaus, mas nesse só vi a fêmea se aproximando e trazendo alimento e o filhote no ninho, bem distante. E, por último, observei um macho adulto, pousado e fotografado, em Manacapuru, com os amigos Anselmo D’Affonseca e Eleonora Pinheiro.

Com o tão observado nestes últimos tempo, gavião-de-penacho, Spizaetus ornatus, meu primeiro encontro não foi tão especial, e o amigo Marcelo Barreiros que o diga, já que ele encontrou um gavião voando super alto, e depois de olhá-lo rapidamente pelo binóculo, troquei pela observação de girinos… hehehe. A outra vez foi muito especial, já que fiquei abaixo de um ninho, e a fêmea cantava sobre a gente, mas não permitiu fotos, isso próximo de Manaus. Depois, em Presidente Figueiredo, eu, Marcelo e Gabriel Leite encontramos outro ninho, e foi fantástico observar a ave, que sobre nós, também, nos observava! A última vez que o vi, em dezembro de 2011, auxiliando o amigo Edson Endrigo numa guiada pela Reserva Cuieirias, a famosa Torre da F-21, o gavião pousou pertíssimo, no limpo, mas mal colocou os pés no poleiro, e um casal de papagaios o espantou. E eu fiquei decepcionadíssimo porque a posição seria excelente, mas só consegui uma foto borrada e escura da ave voando, mas a emoção de ver uma ave tão bela de perto, mesmo que rapidamente, é incrível!!! Os amigos que estão visitando o ninho do PETAR que o digam… rs

Com o gavião-pega-macaco, Spizaetus tyrannus, as visualizações foram poucas, geralmente com a ave voando muito alto, mas cantando muito. Já os observei tanto aqui na região amazônica como na Mata Atlântica, mas a vez mais interessante de todas, ocorreu em 2008, em São Luiz do Paraitinga, no Parque Estadual da Serra do Mar, próximo ao Núcleo Santa Virgínia, com vários amigos, entre ele o Marcelo e Renata Barreiros, Marco Crozariol, Rafael Fortes, quando encontramos um trio, possivelmente um casal e um filhote, fazendo algumas manobras em voo, mas infelizmente sumiram rápido. Nesse dia vi pela primeira vez também o gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayannensis), mas que passou muito rapidamente.

O gavião-pato, Spizaetus melanoleucus, não facilitou minha observação e fotografia. Em dezembro de 2010 vi um adulto sobrevoando a Praia Guaecá, em São Sebastião, mas a vez mais interessante foi quando observei um subadulto sobrevoando a Torre da ZF-2, aqui próximo de Manaus, em fevereiro de 2011.

Corujas ainda são meio raras na minha lista de observações, mas a mais mágica de todas aconteceu ano passado (em novembro de 2011), quando estava fotografando na Torre da ZF-2, e vi um caburé-da-amazônia (Glaucidium hardyi) se aproximar da torre, e pousar numa arvore bem próxima. Ela estava muito concentrada e pude me aproximar muito da ave. Ela esta estática, e eu não conseguia entender o que estava acontecendo. De repente, a coruja “despencou” na plataforma da torre e começou a se debater. Fiquei preocupado, e pensei que poderia ser um filhote, que poderia estar machucada, o que eu faria com ela e como a levaria para um veterinário… Para minha surpresa, em poucos segundo, ela voltou para o mesmo galho, com muita facilidade!! Quando reparei no que estava acontecendo, a corujinha segurava nas garras um pequeno lagarto, que se debateu um pouco, e levou uma série de bicadas… A cena, por sorte, foi registrada com fotografias, mas a emoção do momento, nada é capaz de expressar!!!

 

Mais uma proposta do Lado B: compartilhe momentos mágicos

Todo mundo que passarinha tem momentos mágicos. A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.

O Momento Mágico não é uma foto espetacular: é um momento espetacular que você viveu, tenha conseguido foto boa ou não, talvez estivesse até sem câmera.

Basta escrever um texto e, se tiver uma foto, seja do momento ou de algo que represente seus sentimentos, envie junto. Fotos em 960×640 pixels, pelo menos uma na horizontal para ser capa do post. O texto não precisa ser muito longo, mas tente expressar o que você sentiu e pensou, afinal, o objetivo desta seção é valorizar o que vivemos, compartilhar e reviver alegrias.

Além do texto, diga data e local do momento mágico.

O Momento Mágico é uma seção permanente do Lado B. Você pode participar mesmo que seja seu primeiro post para a Virtude-AG. O material não precisa ser inédito nem exclusivo.