• Em Iberá – Argentina, novembro de 2012, com o Cristian Andrei. Guiados pelo Alejandro Olmos
  • Câmera: Canon 7D e lente Canon 100-400

 

Tesoura-do-campo (Alectrurus risora) Strange-tailed Tyrant

  • Texto e fotos: Claudia Komesu

Sou passarinheira há muitos anos. Tempo suficiente para já ter passado da fase dos “só os coloridos, por favor”, “quanto mais melhor”, “preciso dessa espécie”, e agora estou aqui, admirando sanhaçus no quintal, muitas vezes só olhando sem fotografar, e me aventurando na fotografia macro.

Por isso não sei explicar o que vi em Iberá, na Argentina. Estávamos muito alegres, na expectativa de ver o bichinho. De repente olhei pra trás e vi a silhueta, parecida com esta imagem, mas com o rabo para baixo, não ao vento. Veja bem, é uma silhueta difícil de confundir com outra coisa. Avisei o Alejandro, desviei os olhos um segundo para checar a regulagem da câmera e abaixar o vidro (muita poeira, quando passavam carros no sentido contrário a gente tinha que fechar), e quando olhei de novo não estava mais lá. Olhamos bastante ao redor, mas nada.

MM_tesoura-do-campo_Claudia_Komesu_02

Alguns quilômetros para frente topamos com as tesouras-do-campo, de verdade, e descobri duas coisas:

  1. é raro elas sumirem. Quando o carro chega perto, a maioria se afasta, mas pousa em algum galho não muito longe. Geralmente ficava ruim para foto, mas ainda dava para ver.
  2. a tesoura-do-campo é muito menor do que a silhueta que eu tinha visto, tenho certeza.

Foi uma alucinação visual, ou algo do tipo. Se eu estivesse totalmente fissurada para ver a ave (como estava em dezembro de 2008, quando fui pra REGUA atrás do tangará-rajado) a alucinação ainda faria mais sentido. Eu estava muito contente com a perspectiva de vê-la, mas não achei que estava tão louca.

Não tem problema, porque tenho mais medo do monótono do que o caótico… ter uma alucinação visual só valorizou o encontro com esse bicho espetacular.

Ela não é só bonita, ela é de uma beleza que causa comoção e estranhamento. Num dos momentos voou bem alto no céu, bem alto, não tenho foto desse momento porque só fiquei embasbacada olhando, era um formato ininteligível, pluma negra flutuando. E saber que é de um bicho lindo assim, delicado, e ameaçado de extinção… a gente se sente muito introspectivo.

Iberá é um dos melhores lugares para ver a tesoura-do-campo, o cardeal-amarelo e muitos, mas muitos caboclinhos. Ainda não era o pico da migração, mas havia centenas, fotografei umas 5 espécies. A melhor época é o verão. Aproveite para conhecer a região antes que o progresso cause o estrago de sempre: estavam abrindo muitas estradas. Relato dessa viagem: http://virtude-ag.com/vg-uruguai-e-argentina-16-21nov2012-por-claudia-komesu/

 

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Mais uma proposta do Lado B: compartilhe momentos mágicos

Todo mundo que passarinha tem momentos mágicos. A aparição de uma ave rara, alguns segundos ou minutos podendo observar bem de perto alguma ave ou outro animal, uma luz muito especial, o olhar do bicho, e mesmo fotos ruins, mas que o autor sabe do valor.

O Momento Mágico não é uma foto espetacular: é um momento espetacular que você viveu, tenha conseguido foto boa ou não, talvez estivesse até sem câmera.

Basta escrever um texto e, se tiver uma foto, seja do momento ou de algo que represente seus sentimentos, envie junto para claudia.komesu@gmail.com. Fotos em 960×640 pixels, pelo menos uma na horizontal para ser capa do post. O texto não precisa ser muito longo, mas tente expressar o que você sentiu e pensou, afinal, o objetivo desta seção é valorizar o que vivemos, compartilhar e reviver alegrias.

Além do texto, diga data e local do momento mágico.

O Momento Mágico é uma seção permanente do Lado B. Você pode participar mesmo que seja seu primeiro post para a Virtude-AG. O material não precisa ser inédito nem exclusivo.