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Quem são os mochos? Ondem vivem? Qual sua importância?

Os mochos-dos-banhados são corujas grandes (quase 40cm), que também podem ser vistas durante o dia. Lindas, tranquilas, cumprem um papel fundamental no equilíbrio ecológico: ajudam a controlar a população de roedores. Para ter uma ideia, quando estão criando filhotes, podemos ver uma coruja trazendo um ratinho para o ninho a cada 30-40 minutos durante a noite.

Os mochos estão no Livro Vermelho de animais ameaçados de extinção no Brasil. A ameaça, como para tantas outras espécies, é a perda de habitat.

O mochos precisam de pouco para sobreviver: o habitat dele é Cerrado e campos, locais que muita gente acha que é só um terreno sujo, sem nada de valor. Mas esse campo que parece não ter nada, cheio de braquiaras e capim, é o lar dos mochos. Lá eles vivem, caçam e criam seus filhotes. Os mochos conseguem sobreviver em uma área pequena.

 

Quem são esses mochos de Americana?

Há cerca de dois anos o colega observador de aves Gustavo Pinto descobriu que havia mochos em Americana. Passou a observá-los com frequência, e em 2014 descobriu que os mochos estavam procriando na cidade. Parece que não permanecem: apenas usam esses locais para procriação, e depois que os filhotes estão grandes, eles vão para outros lugares.

Agora em meados de 2014 Gustavo monitorava 3 ninhos.

 

Qual o perigo para a sobrevivência dos mochos?

Incêndios. No início de julho os pequenos terrenos em que os mochos viviam foram incendiados. O Gustavo mora perto da área dos mochos, foi alertado pelos moradores da região, e todas as vezes foi aos locais para ajudar a apagar o incêndio. Gustavo, seus filhos pequenos, moradores do bairro, colegas birdwatchers, todos foram lutar contra o fogo, e só pela ação deles as áreas não foram totalmente queimadas.

Os fragmentos não são suficientes para alimentar as famílias. Os filhotes estavam sofrendo de fome, e por isso Gustavo começou a trazer alimento suplementar: ratinhos criados especificamente para esse fim. Os ratos são criados, depois abatidos com um choque elétrico, congelados, e vendidos em lotes. Gustavo coloca os ratos em mourões, as corujas vão pegar.

 

Apedrejamento de corujas

A perda de habitat faz com que os mochos sejam obrigados a fazer ninhos em locais urbanizados. Os mochos de Americana vivem em terrenos baldios, ao lado de casas em construção. Soubemos de um caso de um mocho morto a pedradas, mas parece que foi apenas um caso isolado, um crime cometido por uma pessoa que não era do bairro. Os moradores desse bairro conhecem os mochos há anos e, com a ajuda do trabalho de educação ambiental que o Gustavo tem feito, os mochos se tornam cada vez mais conhecidos e populares, inclusive entre as crianças.

Matar corujas a pedradas ainda é um crime cometido em várias partes do Brasil. Infelizmente há quem acredite que elas trazem azar! Não sabem que elas são fundamentais para controle de pragas, e que são o símbolo da sabedoria. Palas Athena, a deusa grega da sabedoria e da justiça, é representada com uma coruja no ombro

“A coruja demonstra uma alerta constante, é símbolo da vigilância, está sempre apta para sobreviver na noite e sempre atenta aos perigos da escuridão। Nas moedas mais antigas da Grécia é muito comum encontrarmos a figura desse animal tão prudente, talvez mostrando com isso que a cultura grega antiga estava sempre vigilante e a frente dos outros povos। Em grego coruja é gláuks “brilhante, cintilante”। Um dos epítetos da deusa Athena é “a de olhos gláucos”, ou seja, a que enxerga além do que todos vêem.” http://inclinacoesfilosoficas.blogspot.com.br/2008/02/coruja-de-minerva.html

 

Prefeitura de Americana e Polícia Ambiental?

A Polícia Ambiental e a Prefeitura de Americana foram avisadas. Gustavo conseguiu uma reunião com o Secretário do Meio Ambiente, sr. Odair Dias. Também estamos falando do caso no Facebook da Prefeitura. Ainda não foi tomada nenhuma medida, mas temos esperança que o sr. Odair ou algum outro representante reconheça a importância do mocho, não apenas pelo seu valor em si, mas também pela oportunidade de promover a imagem de Americana como uma cidade amiga da natureza.

 

Para não morrerem de fome

A necessidade imediata é alimentar os mochos. Os ratinhos têm um custo alto – R$ 4 por rato, pelo menos 10 ratos por dia. Há uma perspectiva de um custo de pelo menos mil reais pelos próximos dois meses. Depois disso, os filhotes crescem, e vão para outros locais. Os amigos birdwatchers estão tentando achar um fornecedor com valor melhor, e doações de ratos – alguns biólogos têm contatos, no sábado pudemos levar um lote de 30 ratinhos doados pelo Angelo Amo.

Quem quiser ajudar os mochos, faça uma doação. Todos podem ajudar. O Gustavo tem recebido doações desde R$ 10, até R$ 300. Não importa que você só possa doar um pouco: o importante é participar, saber que a doação de cada um faz diferença, mesmo que seja um valor pequeno.

Com esse dinheiro, o Gustavo pode comprar alimento para os mochos. Também está providenciando a confecção de abafadores, usados no combate aos incêndios.

Os dados do Gustavo são:

  • Gustavo Gomes Pinto
  • Bradesco
  • Ag 0215    Conta 0113827-8
  • CPF 252 806.738-03

Por favor, avise-o quando fizer o depósito

E-mail: pavopinto@hotmail.com.
Facebook: https://www.facebook.com/gustavo.pinto.79?ref=ts&fref=ts. Pra quem tem cadastro no Wikiaves: http://www.wikiaves.com.br/perfil_pavo

 

Planos para um futuro com mochos

Os mochos que o Gustavo monitora não moram nesse bairro urbanizado em Americana. Apareceram neste ano, e a expectativa é que saiam de lá assim que os filhotes estejam crescidos. Os locais dos ninhos são muito próximos de casa.

Para ajudar na sobrevivência dos mochos a longo prazo, precisamos de ações mais abrangentes, que possam ajudar vários mochos (e outros animais), e não apenas estas três famílias que tiveram a sorte de ter o Gustavo por perto.

– a Silvia Linhares criou um grupo no Facebook para conversarmos sobre ações para ajudar os mochos:
https://www.facebook.com/groups/mocho.dos.banhados.de.americana/ As discussões estão no começo, mas começam a surgir algumas ideias:

– é essencial ter o apoio e uma parceria com a Prefeitura. Não é fácil criar uma área nova de proteção, mas não parece impossível adaptar uma área em parques já existentes

– uma campanha também poderia ajudar a diminuir a incidência de incêndios, sempre prejudiciais

– campanhas e mesmo reuniões pontuais com determinados proprietários poderiam convencer essas pessoas da importância da preservação dos campos. Uma pequena área, cercada para impedir que bois e cavalos destruam a vegetação. Essas pequenas áreas, multiplicadas em dezenas ou até centenas de propriedades, poderia fazer a diferença na sobrevivência do mocho como espécie.

– não sei o que meus colegas birdwatchers pensam sobre isso, mas eu (Claudia Komesu, editora do Virtude), imagino que seria possível fazer algum tipo de parceria com esses proprietários: eles deixariam uma parte do terreno propícia para a sobrevivência do mocho e de outras espécies, convidariam birdwatchers para passarinhar na fazenda, e nós poderíamos entregar fotos que poderiam ser usadas na divulgação do local, ou mesmo apenas para uso pessoal, o prazer de ver sua propriedade retratada pelas lentes de pessoas que têm um bom equipamento e amam a natureza.