Tem muita gente boa que é contra a alimentação de aves, eu, sou um defensor ardoroso desse hábito ou mania. Entendo que os benefícios para as aves alimentadas são muito maiores que os custos. No entanto, sou contra os comedouros, e explico.

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Canários-da-terra-verdadeiros e coleirinhos no meu sítio em Manhumirim – MG. Com a comida espalhada no chão já cheguei a contar 219 canarinhos na foto. Contando os que estavam fora da foto, e nas roseiras e mangueira do quintal, devia haver mais de 300 por lá.

 

  • Texto e fotos: Daniel Esser

Comedouros, por mais bem construídos e mantidos sempre podem reter restos de comida que se entranham em frestas e na própria textura dos materiais de que são feitos, geralmente madeira, e esses restos fermentam, servem de substrato para fungos, e por aí vai. Quando chove, então, é um desastre. Este, no entanto, não é o principal motivo pelo qual desaprovo comedouros.

A concentração de comida em uma pequena área limita o acesso simultâneo das aves com duas consequências indesejáveis, uma do ponto de vista delas e outra do meu ponto de vista.

A primeira – como não podem todas chegar na comida ao mesmo tempo, dispendem muita energia brigando entre si e, em alguns casos, apenas os mais agressivos conseguem comer, é caso dos beija-flores com um só bebedouro, só o tesoura bebe.

A segunda – eu gosto de ver uma multidão de bichos juntos. As fotos que vou te mandar ilustram essa minha preferência.

No caso de grãos ou quirera ou canjiquinha, quando se tem uma área razoável para se espalhar a comida o melhor é jogá-la ao chão, bem espalhados. Todos podem se aproveitar e as brigas são reduzidas quase a zero. A casa de minha Mãe tem um piso cimentado áspero e jogamos canjiquinha de milho (fubá não dá certo, entranha-se no piso e também mofa), cuidando para não exagerar a dose diária, de modo que não haja sobras. De qualquer modo, todo dia o piso é varrido e limpo.

Frutas devem ser colocadas em vários locais, de preferência com as cascas. Os passarinhos sabem abri-las e, com menor área exposta elas duram mais. Bananas, que é a fruta que eu uso, coloco uma pequena penca, 3 a 5 frutas, penduradas em galhos. Os sanhaçus conseguem abri-las e o resto se aproveita.

Para os beija-flores, plantamos várias espécies que dão néctar e eles, embora em número muito menor, sempre comparecem.

É isso. Comedouros são bonitinhos, mas ordinários. Na minha “modesta” opinião.

Começamos há pouco tempo atrás a colocar uma vasilha com água, foi um sucesso. Comem, bebem e acabam tomando banho também, numa vasilhinha sem vergonha. Dá trabalho manter sempre limpa, mas vale a pena.

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Observação de Claudia Komesu, editora da Virtude-AG

Sou totalmente a favor de comedouros. Acho que eles são uma forma das pessoas terem contato com as aves e outros animais. Minha esperança é que, com o tempo, as pessoas que hoje têm aves em gaiolas troquem as gaiolas por comedouros ou passeios para ver aves.

Os comedouros não viciam as aves: quando acaba o alimento, elas procuram outro local. Nos Estados Unidos, onde 50 milhões de pessoas têm o hábito de manter comedouros ou sair para alimentar as aves, há vários estudos: o comedouro é só uma parcela da alimentação da ave, e pode ser especialmente útil para aves migratórias, enfraquecidas pela longa viagem, e que encontram um local para se reabastecer.

E pelo lado filosófico, para quem diz que comedouros são um desequilíbrio na natureza, minha opinião é que a destruição dos habitats causada pelo ser humano é o grande desequilíbrio na natureza. Que a gente possa compensar uma fração com comedouros, é o mínimo.

Os comedouros também têm uma importante função social: atraem a atenção das pessoas para as aves, e talvez para a importância da preservação da natureza.

Os comedouros também são locais excelentes para fazer fotos: se você preparar o ambiente – galhos, troncos, mesmo a banheira para as aves, vai conseguir ótimas fotos. Os comedouros na RPPN Guainumbi e no Parque do Zizo são troncos em que as frutas ficam em cavidades ou espetadas. Quando a ave se aproxima, ela geralmente pousa de galho em galho, para só depois chegar na fruta.

Uma das minhas fotos favoritas é um White-throated Sparrow tomando banho num pequeno brejinho no Central Park, na área chamada The Ramble, com um círculo de gotas em volta da ave enquanto ela se chacoalha. Se eu tivesse um quintal, prepararia um ambiente simulado como uma pedra com uma depressão, ou a banheira meio escondida, ou água corrente, para poder tentar mais fotos como esta. A dica é a água ser rasa. As aves pequenas não conseguem se banhar em locais profundos. Piscinas de areia também são usadas pelas aves.

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Abaixo, posts relacionados com comedouros.