(..) Nosso desejo nunca será um tema estagnado. Mas depois de ver tantas aves, e de pensar nas aves por tanto tempo, de me sentir no caminho errado, depois de alguns meses consegui algo que espero nunca mais perder: o prazer em observar qualquer espécie de ave.

Beija-flor-tesoura (Eupetomena macroura) Swallow-tailed Hummingbird

 

ATENÇÃO: este é um post sobre o Laboratório do Lado B e reflexões sobre o que nos motiva a fotografar, não deve ser confundido com o concurso para ganhar o HD de 1tb. As fotos deste post não servem de exemplos do que é valorizado no concurso, para saber sobre os critério é importante ler o post do Cristian Andrei, o juri do concurso.

A Virtude foi lançada oficialmente em maio de 2012, mas desde janeiro eu construía estrutura e conteúdo. Em fevereiro fiz um post contando que estava desconfiada de eu caminhava pro lado errado do birdwatching. Moralmente errado (nos meus padrões do que é certo e errado). Vi que andava me divertindo menos com a fotografia de aves, dando peso demais para o quanto a espécie era comum ou incomum, se estava perto o suficiente, em condições de luz boas o suficiente, definições das penas, pose ornitológica, se estava no aberto o suficiente, se era uma foto boa para o Wikiaves.

Veja bem, falo só por mim. As fotos de padrão Wikiaves são maravilhosas, mas sou uma aposentada que pensa em aves o dia todo. Pra mim as aves nunca serão só uma questão de foto bonita. As aves fazem parte da minha estrutura, do jeito que organizei minha vida, então por que e como fotografar, o que te motiva a sair a campo, como você aproveita o passeio, tudo isso conta.

Já fotografei um casal de harpias interagindo na mata de Carajás, já registrei a garça-da-mata linda e maravilhosa no aberto e perto em Santa Maria das Barreiras, já vi os flamingos-chilenos na Patagônia, o gavião-pega-macaco e gavião-pato já pousaram na minha frente (não ao mesmo tempo), já registrei a dança nupcial do topetinho-verde e ganhei segundo lugar no Avistar como melhor registro, já registrei warblers no Central Park, a Martial Eagle bem de perto, e a Crowned Eagle bem de longe, na África do Sul. Tenho fotos de quase mil espécies de aves – umas 700 brasileiras, e 300 de outros países.

Nosso desejo nunca será um tema estagnado. Mas depois de ver tantas aves, e de pensar nas aves por tanto tempo, de me sentir no caminho errado, depois de alguns meses consegui algo que espero nunca mais perder: o prazer em observar qualquer espécie de ave.

Claro que não aconteceu de repente. Na viagem para a África em outubro do ano passado, o Cris perguntou qual era meu desejo, e eu disse que gostaria de observar comportamento dos animais. No parque aquático de Olímpia – SP, em julho do ano passado, fiquei vendo os pardais tomando banho nas poças de água e lamentei estar sem a câmera. O pensamento já se formava, mas após as reflexões do Lado B, vejo com clareza: gosto de observar o comportamento dos bichos, gosto de buscar fotos bonitas. Não preciso mais da raridade, proximidade, penas definidas. Meu mundo voltou a ser grande.

Compartilho neste álbum diversões no Parque Villa-Lobos, ontem, das 10h30 às 15h30. Esse passeio rendeu muito: mais tarde vou postar umas experiências do modo manual, de fotos com fundo branco, e vou desencantar o post sobre o ACDSee. Também rendeu braços brancos e vermelhos, o preço por esquecer o protetor solar, e várias dores musculares, por não ter levado o tripé, mas se encantar com 50 minutos de periquitos se alimentando nos frutos da paineira.

 

Registro da conversa no Facebook – compartilhei o link e rendeu boas conversas, achei que valia a pena incorporar ao post.

Claudia Covolan Oi Claudia Komesu, cada vez me identifico mais com seus posts sobre o lado B… caramba! Acho que 90% das minhas fotos são lado B, muito mais do que eu imaginava! E eu sou muito feliz por isso porque preciso de “pouco” para me realizar fotografando e observando as aves… que maravilha! Bjoss!

Dai Barros ‎Claudia Komesu me vi muito em suas palavras e até me emocionei, porque elas são a resposta para frequente pergunta que ouço repetidas vezes quando estou passarinhando com amigos. Quando vejo algumas especies nova faço umas ou duas fotos e paro só pra observar, eles me perguntam “Por que vc fica olhando ao invés de fotografar?. mais que pensar e observar aves a todo momento, eu assim como vc VIVO AVES……

Dai Barros como costumo dizer a todos , observar, fotografar aves é contagiante e viciante !!!!!!

Claudia Komesu Sabe, Dai Barros, eu fotografo muito, que nem uma louca. Gosto de fotografia, de tentar conseguir fotos boas. Mas também gosto de olhar, e às vezes é tão bonito que eu fico pasmada, sem o que fazer. Uma vez estávamos numa torre de telefonia, veio o gavião-pega-macaco, passou a uns 20 metros. Nem tentei levantar a câmera, só fiquei besta olhando. O Marcelo Barreiros tem uma história muito boa, de quando ele viu o Hylopezus nattereri. O Josiel falando “vai, está no limpo, fotografa agora!”, e ele não conseguia, só ficava olhando e falando “mas que bicho bonito, não sabia que era tão bonito assim…”, e não fotografou. É bom ter momentos como esses, não? Poder só olhar e se maravilhar.

Claudia Komesu ‎Claudia, o Lado B tem muitos aspectos, o principal é querer olhar as aves de uma forma mais ampla. O concurso está puxando mais para o olhar fotográfico, mas como gosto pessoal, acho que o aspecto de que eu mais gosto do Lado B é essa história da gente ser capaz de sempre se encantar com todas as aves. De nunca falar “ah, é só um bem-te-vi”. Ontem no parque estava olhando um suiriri perto de uma florzinha dente-de-leão, pensando que estava bonito, ia fotografar mas antes de levantar a câmera ele deu a espreguiçada mais linda que eu já vi, de aparecer bem o vermelho da crista, eriçar as penas. E eu perdi, só peguei o final, tenho que ser mais rápida na próxima vez que pensar “está bonitinho”. É sempre bom poder conversar com vocês :o)

Claudia Covolan Comigo tbm acontece o mesmo, Claudia Komesue Dai Barros! É bom saber que não estou sozinha nessa e que tem muito maluco, como eu, nesse mundo!! rs… Muito bom mesmo!! Bjos!

Daniel Esser Bota mais um malluco aí.

Dai Barros é sim, mas sabe que depois que conheci umas figuras como a Claudia Komesu, e mais uma galera, me sinto até meio normal kkkkkkkkkkkkk

Jefferson Silva Oi Claudia Komesu, belo post.

Eu comecei fotografando tudo o que via pela frente. E continuei assim…rss
Busco a foto perfeita sim, pois adoro fotografia de aves.
Mas assim como você, continuo fotografando qualquer ave. Por exemplo, estou em busca da foto perfeita da buraqueira. Quer ave mais fácil de ver e fotografar do que a buraqueira? Ela sempre está no mesmo lugar, sempre está parada, e muitas vezes te deixa aproximar.

Nesse mês estou tentando uma foto de um sanhaçu-cinzento, outro “comum”, mas que acho lindo. Aliás, não sei qual eu não acho lindo!

Abs,
Jefferson

Silvia Linhares Faça minhas as palavras da Claudia Komesu e de todos os que aqui comentaram…Claudinha, você agora é uma verdadeira Bird watcher … no sentido mais puro da palavra ornitófilo: Indivíduo que se dedica, por prazer, à ornitologia. Então que venham muitas fotos do Lado B, aliás eu já dei uma pequena contribuição para o Virtude. Está saindo do forno um post do Pantanal Selvagem…em breve…

Claudia Komesu Meus amigos, muito obrigada pelo apoio. Como os outros, também me sinto assim: conversando, a gente descobre coisas em comum e se sente menos malucos por ficar admirando banho de pardal, não conseguir fotografar porque algo é bonito demais, ir atrás do sanhaçu-cinzento, da coruja-buraqueira. Eu sei como é, Jefferson Silva. Já tirei muitas fotos da buraqueira, mas só tem uma de que eu gosto de verdade. Silvia Linhares, andei por caminhos estranhos, mas agora me sinto birder de verdade :o). Essa conversa com vocês está me dando ideias, acho que vou montar uma seção para a gente explicitar mesmo esse lado de loucos por aves. Obrigada!!

Reserva Guainumbi Muito bom o post, a mensagem. Esse é um dos motivos de ter me tornado mais um obsservador de aves do que um fotógrafo atualmente. A fotografia de aves é perigosa se começa a ser medida por lifers e popularidade. O prazer de ver um sabiá, um tico-tico, um pardal não pode morre, acabar, no momento que se tem um registro da espécie ou mesmo um fotão da espécie, isso é loucura. Já vi pessoas deixarem de ver um curió macho cantando, de pertinho, na reserva, porque ja “tinham” foto dele, isso tem que ser vigiado, senão o brinquedo vira uma pura bobagem, mais uma entre tantas por ai. Esse post me animou, vou tirar umas fotos em breve! abraços JM

Claudia Komesu Oi Marcelo!Reserva Guainumbi Opa, fotografe mais sim, fiquei super feliz em ler seu relato. Como conversávamos um tempo atrás, fotografar é um grande prazer, ver aves é um grande prazer, e se a gente não entrar pelo caminho errado, as duas coisas sempre poderão andar juntas. Um dos nossos problemas (pelo menos eu me sentia assim) para registrar as aves comuns é quando entramos na onda do que é uma foto boa para o Wiki. Mais um pardal ou tico-tico, por mais lindo que seja, parece até poluição no Wiki. Você sabe que o Wikiaves, como o Aves do Brasil, mudou minha vida, mas tem várias coisas da estrutura que, a meu ver, nos incentivam a ir por esse caminho perigoso do lifers e popularidade. Fotografe mais, qualquer ave, e compartilhe comigo na Virtude. Vai ter um espaço permanente pra quem é louco por aves e quer se desenvolver como fotógrafo. Me mostra as aves de Santa Bárbara d´Oeste. Um abração!

Claudia Covolan Sabe, Claudia Komesu e Marcelo Reserva Guainumbi, vocês falaram tudo, faço suas as minhas palavras tbm… eu sempre pensei dessa forma, até porque a grande maioria das minhas fotos são todas feitas aqui em SBO, é muito bom observar e fotografar em outros lugares, aves que ainda não conhecemos, claro, é natural a gente sentir esse desejo já que amamos tanto esses bichos, mas isso nunca foi uma necessidade pra mim, eu fico super feliz aqui no quintal de casa mesmo ou no parque dos Ipês… eles têm tanta beleza pra nos mostrar que a todo momento nos surpreendem, não é? Marcelo, vc falou do curió, acho que eu fiquei quase uma meia hora ouvindo ele cantar, só parei porque ele foi embora… foi um momento maravilhoso pra mim na Reserva, eu comentei até com os meus irmãos que lá era uma sinfonia de sabiás cantando para a majestade o curió! rsrs… demais! Agora, aqui, um canto que eu adoro é o da corruíra, que canto mais alegre, hein?? Adoro o fim-fim tbm, me lembra o papa-léguas “bi-bi” rsrsrs…. abraços a todos vocês!!!

Elisa Torricelli Você, amiga Claudia Komesu, está despertando algo que estava dormindo em minha maneira de fotografar. O post do Lado B está me fazendo ver coisas de maneira muito diferente, agradeço. Todas palavras aqui escritas pelos amigos, também são conscientizadoras. Abraços.

Claudia Komesu ‎Elisa Torricelli, comentários como o seu e dos demais amigos são uma grande dose de energia para continuar nessa exploração de fotos e passeios Lado B. Vocês estão me dando várias ideias, agradeço pela generosidade em trocarem essas reflexões comigo. Abração!

Silvia Linhares Gente, esse post da Claudia Komesu está rendendo uma discussão maravilhosa. Concordo com a Claudinha: “fotografar é um grande prazer, ver aves é um grande prazer, e se a gente não entrar pelo caminho errado, as duas coisas sempre poderão andar juntas.” Ontem expliquei ao nosso mentor no CEO que eu não tinha essa busca por um lifer para o Wiki, isso é bom e eu gosto, mas eu queria sempre buscar uma boa foto, fosse do bem-te-vi ou da Harpia…Eu sou uma fotógrafa e uma ornitófila. As duas coisas sempre vão andar juntas. Sinto orgulho quando faço uma boa foto, e se for de ave então, melhor ainda, né? Quanto à bela árvore da foto do Jefferson Silva, acho que nosso amigoCarlos Eduardo Godoy pode ajudar, ele sabe nome de tudo quanto é planta.

Jefferson Silva ‎Silvia Linhares, concordo com você. Não busco foto para o Wiki, mas pra mim. Quando eu fiz essa foto (http://multiply.com/mu/jeffersonsilva/image/25/photos/88/600×600/7/Milvus-aegyptius-Yellow-Billed-Kite-Kruger-Park-07-11-08-IMG-15410.jpg?et=HibwD8Ad1f1wzn8JV2JStw&nmid=137488579), a minha emoção/realização foi tamanhã, que busco sempre repetir isso. Claro que são raras as vezes que faço “A” foto, mas busco por ela sempre…