É claro que o Andrew Zuckerman me apedrejaria se lesse isso, porque há um abismo de distância entra as fotos que fiz no Parque Villa-Lobos, testando o modo manual para deixar com fundo branco estourado, e as fotos que o fotógrafo profissional Andrew Zuckerman conseguiu em estúdio, de espécies maravilhosas, de cativeiro, em voo, acompanhadas de seus treinadores. Mas fazemos qualquer coisas por um título chamativo…

 

 

  • Texto e fotos: Claudia Komesu
  • Testes com regulagem da câmera. Parque Villa-Lobos, agosto de 2012.
  • Canon 7D com lente 100-400
  • Estava em f9 porque havia bastante luz, e queria pegar mais profundidade de campo. ISSO 320. Coloquei no manual, velocidade a 250. Nas fotos com céu azul, estava no manual a 320 ou 400 ou mais de velocidade, ou então no automático. Neste álbum mantive o exif e apaguei galhos.

Sobre o Zuckerman, vale muito a pena pelo menos olhar este link, que tem amostras das fotos. abduzeedo.com/astounding-images-bird-book. O livro é em tamanho grande, espetacular, se tiver oportunidade folheie, compre. Lançado em outubro de 2009, o livro Birds, do fotógrafo Andrew Zuckerman, traz imagens inacreditáveis. Imagine como você poderia ver as aves se elas fossem fotografadas em um fundo branco, sob uma luz perfeita de estúdio. (O Cicinnurus regius abaixo é uma foto, não é um desenho). 200 fotos de 75 espécies de várias regiões do mundo, incluindo Brasil, Austrália, África do Sul, Nova Guiné.

O site do fotógrafo http://www.andrewzuckerman.com/ traz um video bonito na abertura, apesar de demorar um pouco para carregar. Antes que alguém pergunte: segundo os autores do livro, nenhuma ave foi maltratada ou estressada. São aves de aviários e zoológicos, trazidas e acompanhadas pelas pessoas que cuidam delas nos zôos. O livro diz que se a ave começava a parecer cansada, irritada ou estressada, o treinador a levava embora. É claro que o próprio livro jamais divulgaria algo ruim sobre o processo do trabalho; ao mesmo tempo acredito nessa declaração porque nenhuma ave parece estressada (tenho o livro), e porque também acredito que os treinadores das aves não deixariam elas sofrerem qualquer mau trato.

Voltando ao mundo do Lado B, posso contar que não foi planejado. Eu já estava só o pó, do lado de fora do parque, tentando achar um táxi, quando ouvi a algazarra de psitacídeos. Olhei pra cima, festa nas paineiras, e pensei “f*. Vou voltar. Não se dá as costas a uma fruteira”, e entrei de novo no parque, me arrastei pelas escadarias e encontrei o bando. Contraluz, na borda da encosta, tomando o cuidado de fotografar apontando a câmera pra cima, sem o tripé, e sem escorregar na ladeira.

Quase 50 minutos de idas e vindas do bando. Os periquitos às vezes se assustavam com algo que nem sei o que era (difícil dizer que era eu, já que na maior parte do tempo pareciam me ignorar), e iam embora gritando, mas voltavam após alguns minutos. Rendeu dois dias de dores musculares, mas um grande orgulho pelos resultados e pelo prazer em observar o comportamento dos periquitos. Encantador o casal que dividia um fruto da paineira. Discussões em alguns momentos (afinal, era um casal), mas na maior parte do tempo comiam juntos, às vezes até um entregava comida para o outro, ou no mínimo não reclamava quando o outro pegava comida do bico.

Para ver fotos dos periquitos com céu azul, e outras imagens deste dia: http://virtude-ag.com/lado-b-reflexoes-cko/

Comecei a testar o manual estourando porque na contraluz, estava ficando escuro assim (imagem original, sem tratamento)