Uma pequena cidade com paisagens abertas, tranquilidade, e onde é possível ver aves como o estalador, o fura-barreira, arredio-do-rio, o bico-reto-de-banda-branca, o vite-vite-de-olho-cinza e a coruja-orelhuda. Jacutinga tem mais de 310 espécies de aves registradas na cidade, e 370 se contarmos as imediações em um raio de 50km. Há várias opções de hospedagem e restaurantes. A cidade tem o privilégio de ter um guia ornitológico residente, que conhece tudo da região.

Todas as fotos desta página e dos álbuns abaixo foram feitas em Jacutinga ou arredores

Pôr do sol em Jacutinga

Pôr do sol em Jacutinga

 

Falar de Jacutinga, pequena cidade de 23.000 habitantes onde nasci, cresci e de onde não pretendo sair é uma tarefa fácil para quem ama este local e especialmente suas riquezas naturais. Jacutinga é uma cidade acolhedora do extremo sul de Minas Gerais, distante da capital Mineira, quase 500 km de Belo Horizonte, mas bem localizada na divisa com o estado de São Paulo: está a apenas 100 km de Campinas e 200 km de São Paulo, capital. As cidades mineiras com maior destaque nas proximidades são Pouso Alegre e Poços de Caldas, ambas a menos de 100 km.

A economia da cidade gira em torno principalmente da produção de malhas, sendo uma das maiores produtoras deste setor no país. Jacutinga recebe o título merecido de “Capital Nacional das Malhas e Tricôs”. Centenas de lojas podem ser vistas por toda a cidade, onde os fabricantes vendem suas produções a preços tão baixos que somente um produtor local poderia oferecer. Além das malhas, a agricultura (café, cana-de-açucar) e pecuária de corte e leiteira também fazem parte da economia local.

A cidade conta com uma boa rede hoteleira, com pelo menos três ou quatro hotéis de porte e outras pousadas mais simples, mas todos com preços convidativos que variam de R$ 40 à R$ 100 pelas diárias com café da manhã (consulte valor para feriados prolongados e férias escolares). Restaurantes e pizzarias poderão lhe servir, com destaque para a comida mineira servida no fogão de lenha no sistema self service à vontade. Que tal um tutu de feijão, torresminho, frango com polenta e leitão a pururuca no almoço de domingo? Você não deverá gastar mais que R$ 20 por pessoa para experimentar essas delicias mineiras. Sem falar nos famosos doce de leite e pão de queijo da cidade. O queijo minas (fresco) também é produzido e colocado a venda no comércio local.

Do ponto de vista geográfico, o município é grande, tem uma área de cerca de 350 km². São três os distritos que pertencem a Jacutinga localizados dentro de seu território:

– Sapucaí, localizado próximo à divisa com Itapira SP e a 15 km do centro.

– São Luís, localizado próximo à divisa com Espirito Santo do Pinhal SP e a cerca de 7 km do centro.

– São Sebastião dos Robertos, próximo à divisa com Ouro Fino MG e a cerca de 25 km do centro.

Esses três vilarejos são excelentes áreas para observação de aves. Para se ter uma idéia da dimensão do município é possível fazer um roteiro saindo de Jacutinga sempre pelas estradas rurais de terra, passando por esses três distritos e voltando para Jacutinga e isso daria aproximadamente 80 km sem voltar pelos mesmos caminhos e, ainda assim, não teríamos passado por muitas estradas. O Pico da Forquilha por exemplo é acessado por duas vias diferentes e sem ligações uma com a outra: uma leva para a parte baixa da montanha e a outra leva para a parte alta até um ponto onde se tem que deixar o carro e continuar a pé para chegar à base da montanha e depois pegar a trilha pela mata que leva a seu cume. Outra estrada leva o turista até a parte alta da Serra do Alto Alegre. Essa serra sim, pode ser acessada totalmente de carro passando por locais a mais de 1.300 m de altitude e de onde se tem uma vista de tirar o fôlego. A grande maioria das matas do município podem se chegar bem perto com o carro e algumas oferecem a própria estrada que as cortam como locais de observação de aves. Em outros trechos deixamos o carro na sua borda e fazemos pequenas trilhas no seu interior. A maior trilha para observação de aves do município fica nas margens do Rio Mogi Guaçu e são na verdade trilhas de pescadores que as utilizam por toda extensão do município onde quer que o rio passe. Com isso é possível fazer quilômetros de trilha nas margens desse rio, quase sempre dentro da mata ciliar.

O clima é o tropical de altitude com temperaturas agradáveis durante a maior parte do ano. As estações chuvosas e secas são bem marcadas, sendo o período de novembro a abril o mais chuvoso e de maio a outubro o mais seco. Jacutinga está localizada nos contrafortes de uma das ramificações da Serra da Mantiqueira, a cidade fica a 840 metros acima do nível do mar, encravada em um vale nas proximidades do rio Mogi Guaçu, e cercada de montanhas. Percorrendo as áreas rurais do município é possível atingir altitudes de 1.200 a 1.300 metros quando se está no Pico da Forquilha ou na Serra do Alto Alegre respectivamente.

Em relação às aves, depois de vários e vários anos observando e fotografando-as por aqui, atualmente a lista de registros confirmadas dentro dos limites do município está com 310 espécies. Se somarmos as aves observadas nos municípios vizinhos esse número sobe para 370!

Jacutinga fica em uma região pródiga em nascentes. Há cachoeiras, bons fragmentos de Mata Atlântica preservada, além de toda a mata ciliar do Rio Mogi Guaçu.

A Cachoeira da Saudade, por exemplo, fica a apenas 12 km do centro da cidade, próxima à divisa com o município de Albertina MG. É nesse ponto onde vários fragmentos de Mata Atlântica ou que margeiam o Ribeirão de São Paulo (afluente do Rio Mogi Guaçu) ou que sobem as encostas íngremes da Serra do Alto Alegre se tornam excelentes pontos de observação das aves. Ali nas matas mais próximas ao rio podemos encontrar: pica-pau-rei (Campephilus robustus), tico-tico-do-mato (Arremon semitorquatus), pi-puí (Synallaxis cinerascens), juruva-verde (Baryphtengus ruficapillus), tiê-do-mato-grosso (Habia rubica), chocão-carijó (Hypoedaleus guttatus), tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), falcão-relógio (Micrastur semitorquatus), pavó (Pyroderus scutatus), tangará (Chiroxiphia caudata), limpa-folha-de-testa-baia (Philydor rufum), trepador-quiete (Syndactyla rufosuperciliata), guaracava-cinzenta (Myiopagis caniceps), patinho (Platyrinchus mystaceus), gaturamo-bandeira (Chlorophonia cyanea). Já nas partes mais altas da Serra em que a altitude chega aos 1.300 m, inclusive com a presença de araucárias (Araucaria angustifólia) já registrei a borboletinha-do-mato (Phylloscartes ventralis), o canário-rasteiro (Sicalis citrina), o gavião-de-rabo-branco (Geranoaetus albicaudatus), murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana), coruja-listrada (Strix hylophila), sanhaçu-de-fogo (Piranga flava). O pintassilgo (Sporagra magelanica) não é raro onde se tem a presença de pinheiros nativos ou exóticos, especialmente no alto das serras.

Outro ponto turístico é o Pico da Forquilha, com seus 1.280 m. Distante 7 km da cidade, esta montanha que tem um formato triangular se avistado de uma de suas faces, chega a lembrar um vulcão extinto. Existe uma trilha que corta a densa mata e que leva o turista a seu cume e de onde se tem uma vista espetacular de toda região, sendo possível avistar várias cidades de Minas e de São Paulo. Alguns aventureiros arriscam montar suas barracas e passar a noite neste ponto. É lá que surgem as maiores chances de observação do urubu-rei (Sarcoramphus papa), bacurau-da-telha (Hidropsalis longirostris), canário-do-mato (Basileuterus flaveolus), inhambú-chintã (Crypturellus tataupa), pula-pula-de-barriga-branca (Basileuterus hypoleucus) e inhambú-guaçu (Crypturellus obsoletus).

Jacutinga tem o título de Estância Hidromineral e diversas dessas fontes são exploradas comercialmente no engarrafamento e venda de água-mineral. A fonte São Clemente, localizada próxima ao centro da cidade, ao lado do lago municipal, é uma área verde aberta ao público, que podem desfrutar não só da água que brota de sua fonte, mas também ter um contato mais próximo com a natureza do local. Nesse parque e outras praças bem arborizadas da cidade não é difícil observar pica-pau-anão-barrado (Picumnus cirratus), alegrinho (Serpophaga subcristata), ferreirinho-relógio (Todirostrum cinereum), bico-chato-de-orelha-preta (Tolmomyias sulphurescens), bentevizinho-de-penacho-vermelho (Myiozetetes similis), pomba-de-bando (Zenaida auriculata).

Além de Albertina, municípios que fazem divisa com Jacutinga são: Andradas, Ouro Fino e Monte Sião em MG, e Itapira e Espírito Santo do Pinhal do lado Paulista. Outras cidades que ficam bem próximas são Bueno Brandão, Santa Rita de Caldas, Inconfidentes e Borda da Mata em MG e Águas de Lindóia, Lindóia, Serra Negra, Mogi Mirim e Mogi Guaçu em SP. Nestas cidades próximas conheço várias áreas interessantes para observação e fotografia de aves, e já registrei algumas muito interessantes como: andorinha-de-bando (Hirundo rustica), cabecinha-castanha (Pyrrhocoma ruficeps), matracão (Batara cinerea), beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura), choca-do-planalto (Thamnophilus pelzelni), choquinha-carijó (Drymophila malura), pica-pau-dourado (Piculus aurulentus), piolhinho-verdoso (Phyllomyias virescens), sabiá-úna (Turdus flavipes), barbudinho (Phylloscartes eximius), surucuá-variado (Trogon surrucura), tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis), tapaculo-preto (Scytalopus speluncae), tesoura-cinzenta (Muscipipra vetula), sanhaçu-frade (Stephanophorus diadematus), saíra-douradinha (Tangara cyanoventris), quete (Poospiza lateralis).

A vegetação predominante na região era com certeza a Mata atlântica de planalto, mas hoje devido à ocupação e às atividades humanas, áreas antrópicas com pastagens e plantações predominam. Nessas áreas abertas entremeadas por árvores a avifauna é relacionada ao Cerrado, portanto é comum a gralha-do-campo (Cyanocorax cristatelus), o pica-pau-do-campo (Colaptes campestris), o cochicho (Anumbius anumbi), a codorna-amarela (Nothura maculosa),o tucanuçu (Ramphastos toco), a seriema (Cariama cristata),o falcão-de-coleira (Falco femoralis), o gavião-peneira (Elanus leucurus), a curicaca (Theristicus caudatus), a maria-faceira (Syrgma sibilatrix), o gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis), o quero-quero (Vanelus chilensis), a fogo-apagou (Columbina squamata), o periquito-rei (Aratinga aurea), o joão-bobo (Nystalus chacuru), o picapauzinho (Veliniornis passerinus), o pica-pau-branco (Melanerpes candidus), o arapaçu-do-cerrado (Lepdocolaptes angustirostris). Nas plantações onde predominam os cafezais e canaviais vivem ou se deslocam em seu interior o petrim (Synallaxis frontalis), o tico-tico-rei (Lanio cuculatus) e o inhambú-xororó (Crypturellus parvirostris). À noite, bichos como a coruja-orelhuda (Asio clamator), o mocho-diabo (Asio stygius), a suindara (Tito Alba), a mãe-da-lua (Nyctibius griséus) e o tuju (Lurocalis semitorquatus) já foram encontradas nos bairros da periferia da cidade.

Mas Jacutinga também tem áreas interessantes de natureza preservada. Diversos fragmentos de matas ainda resistem. Nas encostas das serras ainda predominam a Mata Atlântica com áreas úmidas, grotões que lembram a Serra do Mar em certos locais, inclusive com a presença da palmeira-jussara (Euterpes edulis) ou palmito, jequitibás e perobas em algumas destas matas. Nas partes mais baixas as matas secas de planalto perdem as folhas no outono/inverno e tornam a ficar verdes e exuberantes na primavera/verão. Exemplo maior deste tipo de mata mais seca em Jacutinga é a mata ciliar do Rio Mogi Guaçu que corta um grande trecho do município e ainda esta bem preservada, sendo possível ver quilômetros de mata contínua por onde quer que o rio passe. As aves dessa mata ciliar são fura-barreira (Hylocriptus rectirostris), arredio-do-rio (Cranioleuca vulpina), Pula-pula-assobiador (Basileuterus leucoblepharus), estalador (Corythopis delalandi), pato-do-mato (Cairina moschata), saci (Tapera naevia), coró-coró (Mesembrinibis cayenensis), biguatinga (Anhinga anhinga), saracura-três-potes (Aramides cajanea), ariramba-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda), barbudo-rajado (Malacoptila striata), mariquita (Parula pytiayumi), guaracava-de-crista-alaranjada (Myiopagis viridicata), saíra-ferrugem (Hemithraupis ruficapilla), barranqueiro-de-olho-branco (Automolus leucophthalmus). Quando a mata seca é secundária e está em processo de regeneração, com uma vegetação mais baixa, densa e tomada por cipós e espinhos formando uma espécie de capoeira, nela podemos encontrar vite-vite-de-olho-cinza (Hylophilus amaurocephalus), tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus), choca-barrada (Thamnophilus doliatus), chupa-dente (Conopophaga lineata), saí-canário (Thlypopsis sordida), pipira-vermelha (Ramphocelus carbo), trinca-ferro (Saltator similis).

Na parte mais baixa do município, nas matas da divisa com o estado de São Paulo nas proximidades do Rio das Pedras (outro afluente do Rio Mogi Guaçu) é o único local onde já encontrei o chorozinho-de-asa-vermelha (Herpsilochmus rufimarginatus). Temos três espécies que são intimamente ligadas à água: joão-pobre (Serpophaga nigricans), bentevizinho-do-brejo (Philohydor lictor) e joão-porca (Lochmias nematura), sempre sendo avistadas nas margens, nas pedras ou galhos que surgem nos rios e riachos e quase nunca se afastando deles. Outras preferem viver em locais onde temos bambuzinhos ou taquaras naturais dentro ou na borda de matas como são os casos do tororó (Poecilotriccus plumbeiceps), abre-asa-de-cabeça-cinza (Myionectes rufiventris), marianinha-amarela (Capsiempis flaveola), borralhara (Makenziaena severa), papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera), cigarrinha-do-coqueiro (Tiaris fuliginosus), miudinho (Myiornis auricularis), olho-falso (Hemitriccus diops).

Ainda é possível encontrar também áreas úmidas por aqui. Esses brejos ocorrem principalmente ao lado da calha do Rio Mogi Guaçu, nas áreas planas que chamamos de várzeas do Rio Mogi ao lado e logo após a mata ciliar. Espécies típicas destes brejos são socó-boi (Tigrisoma lineatum), sanã-parda (Laterallus melanophaius), narceja (Gallinago paraguaiae), garibaldi (Chrysomus ruficapillus), sanã-carijó (Porzana albicollis), caboclinho (Sporophila bouvreuil), chorão (Sporophila leucoptera), chopim-do-brejo (Pseudoleistes guirahuro), pia-cobra (Geothlypis aequinoctialis), bico-de-veludo (Schistochlamis ruficapillus), tesoura-do-brejo (Gubernetes yetapa), suiriri-pequeno (Satrapa icterophrys), freirinha (Arundinicola leucocephala), casaca-de-couro-da-lama (Furnarius figulus), japacanim (Donacobius atricapilla), joão-botina-do-brejo (Phacellodomus ferrugineigula) e sabiá-do-banhado (Embernagra platensis).

Dezembro a abril

O Rio Mogi Guaçu é responsável pelas inundações das áreas de baixada ao longo de suas margens, e dependendo da quantidade de chuvas, as cheias podem durar de dezembro a abril, e as águas ditam o ritmo deixando as várzeas inundadas por várias vezes durante esse período do ano. Mas essas cheias não costumam ser longas, elas vem e vão com certa facilidade e duram em média 10 a 15 dias, deixando várias lagoas formadas quando as chuvas diminuem e o rio baixa voltando a correr em sua calha natural. É nesse período de cheias que diversas aves aquáticas aparecem em Jacutinga, é possível ver bandos de cabeça-seca (Mycteria americana), irerês (Dendrocygna viduata), colhereiros (Platalea ajaja), garça-moura (Ardea cocoi), jacanãs (Jacana jaçana) e até tuiuiú (Jabiru mycteria) e gavião-do-banhado (Circus buffoni). Também é a época em que chegam a polícia-inglesa-do-sul (Pseudoleistes superciliares) e o curió (Sporophila angolensis) ainda pode ser ouvido quando frutifica o capim-navalha, seu principal alimento.

Abril a maio

No período de abril a maio é a vez de certas aves migratórias que estão fugindo do inverno rigoroso no sul do país passarem por Jacutinga, é a oportunidade de se ver o caboclinho-de-chapéu-cinzento (Sporophila cinnamomea) e uma espécie rara de patativa-de-bico-amarelo (Sporophila sp.) que esta sendo estudada por biólogos do Rio Grande do Sul onde ela se reproduz no verão e que pode se tornar em breve uma nova espécie para o Brasil.

Junho a agosto

Entre junho e agosto, aparecem a saíra-viúva (Pipraeidea melanonota), o príncipe (Pyrocephalus rubinus), o azulinho (Cyanoloxia glaucocaerulea) e o gaturamo-rei (Euphonia cyanocephala) fugindo do frio das altitudes mais elevadas ou de regiões frias mais ao sul.

Setembro

Com o início da primavera, a partir de setembro, e o início dos dias mais quentes, dezenas de espécies migratórias, principalmente as insetívoras chegam à região. Exemplos são: tesourinha (Tyranus savana), bem-te-vi-rajado (Myiodinastes maculatus), suiriri (Tyrannus melancholicus), peitica (Empidonomus varius), bem-te-vi-pirata (Legatus leucophaius), canário-tipio (Sicalis luteola), sovi (Ictinia plumbea), papa-lagarta-acanelado (Coccyzus melacoryphus), andorinhão-do-temporal (Chaetura meridionalis), guaracava-grande (Elaenia spectabilis), juruviara (Vireo olivaceus). O sabiá-ferreiro (Turdus subalaris) canta por muitos poucos dias nesta época e parece ser atraído pela frutificação das amoreiras.

Outubro

Em outubro é a vez do bacurau-chintã (Hydropsalis parvulus) e do urutau ou mãe-da-lua (Nyctibius griseus) cantarem todas as noites, principalmente nas de lua cheia. Também chega o beija-flor-de-veste-preta (Anthracothorax nigricollis). O saci (Tapera naevia) apesar de ser uma ave com hábitos diurnos é capaz de cantar sem interrupções noites inteiras nessa época do ano.

Novembro

Novembro marca a chegada dos bigodinhos (Sporophila lineola) que vão ficar por aqui até meados de abril. É nesse período entre outubro e novembro que Jacutinga recebe apenas por alguns breves dias a passagem de algumas espécies muito especiais de aves que são os caboclinhos. Eles migram do Norte, do cerrado do Brasil central e param por aqui por apenas uns 10 dias para se alimentarem das sementes de certos capins nativos das várzeas e logo partem em direção a região sul do Brasil, Uruguai, Argentina onde irão passar o verão e se reproduzirem. Nessa época é possível ver por aqui o caboclinho-de-barriga-vermelha (Sporophila hypoxantha) e o caboclinho-de-barriga-preta (Sporophila melanogaster).

Além das aves, a fauna é bem representada por uma série de mamíferos como macaco-prego, quati, mão-pelada ou guaxinim, irara, furão, veado-catingueiro, serelepe ou esquilo, gato-mourisco ou jaguarundi, tatupeba, tatu-galinha, ouriço, gambá-de-orelha-preta, gambá-de-orelha-branca, capivara, paca, catita ou quaiquica, cuíca-de-três-listras, cachorro-do-mato e algumas espécies ameçadas como o lobo-guará, a onça-parda, o gato-do-mato-pequeno, o macaco-sauá e o sagui-da-serra-escuro. Entre os répteis o lagarto-teiú é comum e com relação a serpentes a cascavel seria a mais abundante, apesar de serem raros os encontros com este animal durante o dia.

Em resumo, Jacutinga oferece uma série de atrações para o turista. Seja pelo simples fato de vir para cá em busca de suas malhas, seja para fugir da agitação dos grandes centros e poder caminhar tranqüilo por suas ruas sem a preocupação com a violência, seja para usufruir de suas águas minerais de diversas de suas fontes ou para se desfrutar da gastronomia mineira, ou ainda para se estar próximo da natureza, em caminhadas, trilhas para jipeiros, moutain-bike ou para observação de aves, mirantes e cachoeiras, tudo isso em uma região privilegiada pelo clima de montanha e bem localizada entre os principais grandes centros do Sudeste do país.

A maioria das pessoas costuma vir fazer o passeio com o próprio carro. Mas para quem preferir, é possível vir de ônibus, e fazer o passeio com o meu carro, um Monza. Vou buscá-lo na rodoviária. A viação que serve Jacutinga é o Expresso Gardênia. De São Paulo, saem ônibus pela manhã, no início e no fim da tarde, 3h de viagem De Campinas há ônibus com frequência.

De carro, São Paulo – Jacutinga são 2h30.

Campinas SP: 100 km

São Paulo SP: 200 km

Belo Horizonte MG: 475 km

Rio de Janeiro RJ: 467 km

Águas de Lindóia SP: 61 km (alternativa por terra em certo trecho 25 kms)

Serra Negra SP: 65 km

Campo Grande MS: 985 km

Aquidauana MS (Pantanal sul): 1.120 km

Cuiabá MT: 1485 km

Poconé MT (Pantanal norte): 1600 km

Brasília DF: 920 km

Ubatuba SP: 330km

São Luis do Paraitinga SP (Reserva Guainumbi): 310 km

Itatiaia RJ: 295 km

São Roque de Minas MG (Serra da Canastra): 435km

Monte Verde (distrito de Camanducaia MG): 185 km

 

Miniguia Jacutinga 150 aves

Informações sobre a cidade e suas aves fornecidas pelo fotógrafo e guia Geiser Trivelato.
www.geisertrivelato.webs.com  geiser.trivelato@gmail.com

Geiser nasceu e mora em Jacutinga, é fotógrafo profissional e guia ornitológico em diversos biomas, presta trabalhos para a revista e a equipe de televisão do Terra da Gente, foi ganhador do principal concurso de fotografia de aves brasileiras – o Avistar, e já teve foto publicada na National Geographic.

Lista das aves de Jacutinga em Excel, elaborada por Geiser Trivelato, e com sua opinião sobre a probabilidade de ver cada espécie: clique aqui.

 

Fotos feitas em Jacutinga. Guia: Geiser Trivelato.