Moda e natureza brasileira

  • Texto e ilustrações: Claudia Komesu
  • Você pode usar as imagens para uso pessoal, mas por favor, não faça uso comercial. Se as informações deste post forem úteis pra você, faça uma doação para alguma organização que trabalha pela preservação da natureza.
  • Talvez você reconheça a ilustração do mocho-dos-banhados como a mesma das camisetas do Gustavo Pinto. Eu dei a ilustração pra ele. Se você tem um animal icônico da sua região e gostaria de ter uma ilustração desse tipo para fazer material de divulgação, entre em contato comigo. http://virtude-ag.com/sua-chance-de-contribuir-para-sobrevivencia-mocho-dos-banhados-abr17/
  • Obs: essas camisetas na galeria, fora talvez o moletom do gavião-pega-macaco, não foram pensadas pra passarinhadas. É a vontade de usar roupas urbanas com estampas de bichos.

Todo birdwatcher sabe como é difícil encontrar roupas legais com estampas da natureza. No caso das aves, sempre vemos ilustrações genéricas de pombas, andorinhas, flamingos. Na única vez que vi uma marca grande lançar uma camiseta com estampas de aves brasileiras, espécies que realmente existem, essa marca fez a pataquada de colocar os nomes científicos todos errados, como se fossem apenas algo pra enfeitar o desenho. Enviei mensagem pra Hering e tive a decepção de ver uma empresa que fala tanto sobre o orgulho de ser brasileira me responder por meio de uma assessoria de imprensa terceirizada “obrigada, vamos prestar mais atenção nos detalhes”. Fiquei pensando quem são as pessoas pra quem nome científico é detalhe…

Eu Divulgo: camiseta da Hering com nomes errados. E sem crédito do nome do ilustrador. Mar/13.

Ainda não existem roupas legais pra birdwatchers como existem pra ciclistas, alpinistas, corredores. Há milhões de birdwatchers no mundo, mas é como se as grandes marcas de roupas só pensassem na parcela de pessoas de mais de 70 anos e conservadores.

Apenas Blogando: desafios de identidade, estilo e conforto para birdwatchers, mar/13. Por Claudia Komesu.

Enquanto não surge o santo que vai lançar roupas capazes de expressar esse nosso amor pelas aves e outros bichos, queria compartilhar alguns estudos e experiências. Passei um tempo tentando criar estampas de tecido com aves, mas depois desanimei com o preço da impressão customizada (é algo como uns R$ 80 por metro. Ou seja, pra fazer uma camiseta você gastaria R$ 160 só com tecido).

Testei e gostei bastante dos resultados da estamparia caseira que você pode fazer usando uma dessas impressoras que cortam papel, mais transfer papel e freezer paper. Claro que você pode fazer qualquer desenho e mandar para uma estamparia de silk screen, mas há o custo de cada tela, que só vale a pena se você vai usá-la várias vezes. Como eu pretendo fazer testes com vários desenhos essa técnica caseira com a impressora é ótima.

Não vou explicar com detalhes como fazer porque já há vários vídeos no youtube, digite “silhouette cameo silk screen”. Em resumo: você coloca o freezer paper nessa impressora que corta papel, tira os pedaços onde quer que a tinta apareça, como se fosse um stencil, transfere esse papel para o tecido onde quer estampar, depois passará o ferro por cima desse papel para ele grudar no tecido. Então basta passar a tinta sobre o papel. Quando a tinta secar, você tira o papel.

Minha impressora é uma Silhouette Cameo 2. Há modelos mais novos, que cortam materiais mais grossos. A Cricut é a concorrente, dizem que também é muito boa.

Uso freezer paper da Reynolds plastic coated e transfer paper da Angel Crafts (estão linkados pra Amazon.com). Comprei nos Estados Unidos e infelizmente não achei fácil no Brasil, nem no Mercado Livre. O transfer paper cheguei a ver no Mercado Livre um produto que diziam servir para estamparia, escrevi para o anunciante explicando meu uso, ele falou que servia mas não deu certo, ele não aguentou o calor do ferro.

Tenho feito os desenhos usando o Sketchbook (um software gratuito com muitos recursos) e uma mesa digitalizadora da Wacom, uma Intuos Pro. Quando há texto uso o CorelDraw. Depois do desenho ficar pronto, você tem que abrir no software da Silhoutte e rastrear os locais onde a lâmina vai cortar.

 

Aprendizados sobre o silk com a Silhouette

– Tecidos sintéticos não servem pra essa técnica porque não aguentam o calor do ferro, necessário para grudar o freezer paper no tecido.

– Eu deveria comprar uma sapata ou folha de teflon, porque é fácil estragar os tecidos. O moletom cinza por exemplo parece ser algodão, mas tem algo sintético, só descobri depois que queimei o bolso.

– Tecidos mais encorpados ficam melhores do que os mais finos.

– Você precisa passar bem o ferro sobre o freezer paper, para que cada pedacinho do papel grude no tecido. O truque é fazer isso sem queimar o tecido. Imagino que a folha de teflon ajuda bastante.

– A tinta precisa estar numa consistência firme, sob o risco de vazar pra debaixo do freezer paper. No meu caso estou usando a Speedball, do jeito que sai do pote, sem misturar com nada.

– Gostei da tinta preta, mas a branca não ficou boa sobre tecido escuro. Preciso ir pro centro de São Paulo, onde há várias lojinhas que fazem silk, e pedir indicação sobre uma tinta com cobertura melhor ou descobrir o que estou fazendo de errado.

– Depois de tirar o papel você precisa passar o ferro sobre a pintura seca e pronta, para fixar a tinta no tecido. Mais um momento com risco de queimar tecido…

– As fotos deste post mostram que primeiro eu tiro os pedaços que devem ser tirados (onde vai entrar a tinta), e então uso o transfer paper (porque via assim nos vídeos). Recentemente decidi que se o desenho tem detalhes pequenos e delicados, é mais fácil primeiro colar o transfer paper, tirar o desenho quase inteiro da base, e então pinçar os pedaços que devem ser tirados.

– Compare o moletom verde com o Spizaetus tyrannus (gavião-pega-macaco) com o desenho e o tranfer paper com o molde. Os detalhes estranhos do desenho foram a forma que encontrei para conseguir destacar o que precisa ser destacado sem tirar pedaços muito pequenos e delicados. Bolinhas pequenas ou linhas finas são quase impossíveis de ficarem por si só, sem estarem conectadas com pedaços maiores. Alterei o desenho pra criar essas áreas e depois que tirei o papel retoquei o desenho com um pincel delicado.

– Vi posts que davam outras orientações, mas pra mim a regulagem que melhor funcionou da Silhouette é lâmina no 2, velocidade 1 e força 3.

 

Alternativas de estampa artesanal: carimbos

Você pode pesquisar no Google e no Pinterest. A ideia é esculpir imagens simples em linóleo ou borracha, que depois podem ser usadas como carimbo. Pesquise lino printing. Comecei a fazer alguns testes pensando em tecidos estampados (não apenas estampa numa camiseta), mas meu conjunto de goivas da Tombo não tem uma lâmina boa pra detalhes pequenos. Comprei este conjunto: https://www.armazemdagravura.com.br/goivas-tombo-6-pecas. Depois tentei comprar este: https://www.grafittiartes.com.br/cabopararefildeformaolinoleoc-5formoesref-4131speedball/ porque os posts mostravam várias pessoas usando esses da Speedball para detalhes pequenos. Mas o conjunto que comprei veio com as lâminas enferrujadas, devolvi e ainda não comprei outro. Não gostei do linóleo da Grafitti. Gostei do linóleo do Armazém da Gravura https://www.armazemdagravura.com.br/linoleo, mais maleável. Ainda não experimentei o linóleo da marca Speedball, ele é bem mais caro.

Nas peças que esculpi ainda não consegui bons resultados na estampa. Não sei se é problema do linóleo, da tinta, do jeito como espalho a tinta sobre o linóleo, mas a cobertura não fica bonita como nos posts da internet. Daqui a um tempo talvez faça um post.

 

O Virtude convida os autores de produtos relacionados a aves a se apresentarem. Podem ser produtos comerciais, só precisam ser bonitos, relacionados com a natureza, de preferência brasileira.

A descrição do produto é responsabilidade do produtor, mas se a descrição for diferente do que você adquiriu, envie um e-mail para claudia.komesu@gmail.com.

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