Marambaia
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  • Fotos: Claudia Komesu com Nikon D800, Nikkor 300 f4 VR e tele 1.7, e Olympus TG3
  • Texto: Claudia Komesu e trechos de Martha Argel

O que é a Marambaia?

“A região da Marambaia, situada na divisa dos municípios de Jaú, Itapuí e Bariri (SP), é uma grande área úmida que abrange a foz do rio Jaú no rio Tietê, na altura do remanso da Usina Hidrelétrica de Bariri. Além da beleza cênica, a área apresenta uma avifauna riquíssima, que inclui aves características do Pantanal, como o tuiuiú, o cabeça-seca, a água-pescadora, o colhereiro e a anhuma. Observadores de aves da região já registraram no local 185 espécies. Há o potencial de que seja um ponto importante de parada de aves migratórias.” Martha Argel

 

O que é a Expedição Marambaia?

A I Expedição Marambaia aconteceu entre os dias 10 a 12 de fevereiro de 2017. Foi uma iniciativa da Martha Argel, que conheceu o local por acaso em setembro de 2016. A região já era frequentada pelos birdwatchers e fotógrafos da região, e com o apoio dessas pessoas foi possível reunir representantes da prefeitura de Jau,da imprensa local, e da RPPN Amadeu Botelho.

A Expedição tinha o objetivo de passarinhar, produzir imagens e textos de divulgação e iniciar um diálogo com o poder público da região. Temos esperança de que essas expedições contribuirão para divulgar a Marambaia, incentivar o turismo sustentável e quem sabe até mesmo projetos de leis para impedir que a Marambaia seja destruída por atividades poluentes e extrativistas.

 

Como foi a Expedição?

Foi um fim de semana delicioso. Todas as pessoas do grupo eram tranquilas, bem humoradas e estavam na mesma sintonia: curtir a natureza e ajudar a Marambaia. A maioria das pessoas com quem conversei também tem algum projeto, ou planos para um projeto que ajuda a natureza de alguma forma. Perguntei pra Martha como ela tinha conseguido reunir um grupo tão afinado, ela falou que acha que tem a ver com a divulgação, que não foi focada em lista de espécies ou raridades. Havia um tom de aventura, exploração, e imaginamos que por isso não atraiu interesse de quem é focado apenas em lifers.

Os passeios acontecem principalmente na estrada de terra que corre ao lado da Marambaia. É uma estrada boa, com pouco movimento e vários lugares para encostar o carro. Saindo da Fazenda, são uns 20 minutos até chegar na ponte que marca o fim da principal área para passarinhar. Dá para passarinhar dentro da Fazenda e no caminho.

As aves que eu vi são as comuns desse tipo de ambiente: canário-da-terra-verdadeiro, tipio, andorinha-serradora, andorinha-pequena-doméstica, suiriri, bigodinho, rolinha-roxa, pomba-de-bando, pombão, bem-te-vi, tesourinha, chopim-do-brejo, tico-tico, pardal, coleirinho, coruja-buraqueira, noivinha, freirinha, lavadeira-mascarada, choró-boi,garrinchão-de-barriga-vermelha, martim-pescador-verde, beija-flor-tesoura, beija-flor-de-peito-azul, arredio-do-rio, seriema, marreca-cabocla, talha-mar, jaçanã, pernilongo, frango-d´água-comum.

Destaques para os pica-paus: foi fácil ver pica-pau-de-banda-branca, pica-pau-branco, picapauzinho-verde-carijó, pica-pau-verde-barrado, pica-pau-do-campo. Na mata da RPPN Amadeu Botelho, apareceu o pica-pau-anão-escamado. Outros destaques: uma águia-pescadora, localizada pelo André Mendes, deu um show, voando em círculos sobre nós durante alguns minutos. O André também conseguiu ver e fotografar um papa-lagarta-acanaledado. Na área da ponte cantou a saracura-carijó e a sanã-parda, mas não apareceram. De rapinantes também havia vários gaviões-caramujeiros, caracará, gavião-caboclo, carrapateiro, gavião-carijó.

Outro show foi a corujada: quatro urutaus, um bacurau e a vocalização do joão-corta-pau, que ainda não estava na lista da região. (Eu não participei da corujada porque não presto à noite, preciso dormir cedo ou não consigo aproveitar o passeio no dia seguinte).

O pessoal que estava fazendo listas registrou mais de 100 espécies. A lista consolidada, feita pelo Paulo Guerra está com mais de 200 espécies: http://www.taxeus.com.br/lista/4898

A tal estrada de terra é larga e são ambientes abertos, ou seja, não há problemas para passarinhar em grupos grandes e muitos carros. Na prática as pessoas formam pequenos agrupamentos e cada grupinho, ou cada um, vai andando no seu ritmo. Quando o pessoal encontra algo mais incomum, avisam e quem quiser se aproxima.

As oportunidades fotográficas eram boas, mas não excelentes. Esses alagados que se formaram a partir das barragens, como a Marambaia, o Tanquã, depois de décadas acabam reunindo uma fauna que lembra o Pantanal, mas quem vai passear não deve imaginar que é a mesma facilidade e abundância do Pantanal. Em geral as aves ficam mais longe, as quantidades são menores. Não sei se seria possível ter barqueiros como há no Tanquã, mas se for, há potencial para descobrir muitas espécies incomuns.

No domingo de manhã passeamos na RPPN Amadeu Botelho, fica a 20 minutos da Fazenda. Pudemos ver que a mata é boa, com árvores grandes, altas. Mas estamos na pior época para passarinhar em Mata Atlântica mais fechada, e tivemos poucos avistamentos de aves. Destaque para os macacos-prego comendo milho que eles iam colher na plantação.

 

Estrutura, logística, segurança

Jaú fica a 3h30 de São Paulo. Via Bandeirantes e Washington Luiz, depois de Brotas.

Ficamos hospedados na Fazenda Salto São Pedro, um lugar muito confortável, com um casarão bem conservado. Piscina, cavalos, área de mata atrás da casa. Estávamos em mais de 20 pessoas. Uma cozinheira, a Lúcia, preparava as refeições.

A Fazenda fica perto da cidade, e a menos de 1km do distrito de Pouso Alegre de Baixo, que nos falaram reunir vários restaurantes, principalmente de comida caipira.

O preço do passeio foi bem barato: R$ 200 pra ficar hospedado de sexta a domingo, com direito a jantar na sexta, pensão completa no sábado e café da manhã no domingo. A Martha escolheu fazer uma primeira expedição com um preço baixo para atrair mais pessoas, mas imagino que as próximas terão um valor um pouco maior, no mínimo para cobrir as despesas da organização. Desta vez a Martha e o Humberto (marido da Martha) também pagaram, mas pra mim o certo seria eles não pagarem. A cunhada da Martha, a Carolina, cuidou das compras de comida, e espero que no próximo evento ela seja paga por esse trabalho.

Além da Fazenda Salto São Pedro, Jaú tem várias opções de hospedagem, muitas por menos de R$ 200 a diária. Indicações de onde ficar: Hotel Jardim Jaú, Galeria Hotel Jaú. Realce Hotel Jaú, Vip Hotel Jaú.

Se quiser um guia, recomendo o Gustavo Pinto: https://www.facebook.com/gustavo.pinto.79?fref=tshttp://www.wikiaves.com.br/perfil_pavo. Ele é de Americana e conhece muito bem a região. O Gustavo também guia no Tanquã (entre Piracicaba e Anhembi), outro lugar que vale a pena conhecer. http://virtude-ag.com/?s=fama-tanqua

A região parece segura e não tivemos notícias de assaltos ou regiões perigosas. Um dos colegas do passeio, o Junior, é de Bauru e falou que em Bauru há vários lugares que você não pode ir com a câmera, pois há risco de ser assaltado. Mas a Marambaia me pareceu tranquila.

 

Importância da Expedição para a divulgação e proteção da natureza

Comboio de carros e mais de trinta pessoas na estrada é o tipo de coisa que chama a atenção. Birdwatchers têm esse potencial de mostrar para a região que tal local é importante a ponto de dirigir horas para ir visitar aquele ponto. A movimentação das pessoas, e depois a divulgação das fotos produzidas podem fazer com que a população (e o poder público) olhem para aquele lugar com outros olhos.

O trabalho de birdwatchers como Paulo Guerra trouxe a articulação necessária com prefeitura e imprensa. Um dos vereadores pediu para o Paulo preparar fotos e vídeos para mostrar na câmara, e falou que é hora de pensar na parte legislativa (projeto de lei para proteger a região). Outra vereadora, Cléo Furquim, e a presidente do conselho de turismo, Luana Reis, acompanharam o evento na sexta à noite e no sábado passarinharam com a gente. As duas não estavam apenas trabalhando: elas realmente se apaixonaram pela atividade e começaram a falar de várias ideias para integrar birdwatching e turismo sustentável. Nossas fotos estão começando a ser publicadas nas redes sociais, e também aparecerão nas revistas e jornais locais.

Ainda estamos no início desse trabalho mais articulado, mas vimos que há ótimas oportunidades para promover e proteger a natureza.

 

Conclusão

Todos conhecem a fama de Jaú como um centro de fabricação de calçados. Mas além disso, o pessoal disse que há bons produtores de cachaça, visitas em fazendas históricas e cada vez mais restaurantes bem avaliados. É o tipo de passeio que você pode levar a família e, se seu cônjuge e filhos não quiserem passarinhar, podem passear na cidade, fazer compras, visitar destilarias, ficar numa piscina.

Concordo com a análise da Martha Argel de que a Marambaia tem potencial para se tornar uma das melhores áreas para passarinhar no Estado de São Paulo. Não para quem busca apenas lifers, e sim para quem está interessado num passeio gostoso, barato, num local com boa infraestrutura e a certeza de diversão. As áreas alagadas garantem que você sempre terá bichos para fotografar. Na Mata Atlântica é possível passar horas sem ver nada, mas num alagado sempre há movimentação. Se além das aves você também gosta de insetos, flores, paisagem há mais temas ainda.

Recomendo bastante o passeio. Além do prazer de passarinhar, você estará ajudando a natureza. Centenas ou milhares de fotos compartilhadas, ainda mais num projeto estruturado como esse, são capazes de contribuir para a valorização e preservação de um local. Poste com a hashtag #ExpediçãoMarambaia.

Para ficar a par das novidades e próximas expedições, inscreva-se no grupo do Facebook Expedição Marambaia. https://www.facebook.com/groups/1142388632508853/?fref=ts

 

Texto de Martha Argel, publicado na descrição do grupo Expedição Marambaia:

“A região da Marambaia, situada na divisa dos municípios de Jaú, Itapuí e Bariri (SP), é uma grande área úmida que abrange a foz do rio Jaú no rio Tietê, na altura do remanso da Usina Hidrelétrica de Bariri. Além da beleza cênica, a área apresenta uma avifauna riquíssima, que inclui aves características do Pantanal, como o tuiuiú, o cabeça-seca, a água-pescadora, o colhereiro e a anhuma. Observadores de aves da região já registraram no local 208 espécies. (o texto original diz 185, mas no dia 14/02/17 Paulo Guerra publicou uma nova lista). Há o potencial de que seja um ponto importante de parada de aves migratórias.

A Expedição Marambaia, ocorrida de 10 a 12 de fevereiro de 2017, foi organizada para dar maior visibilidade a essa região, que até o momento não conta com nenhuma proteção legal. Além de tornar a Marambaia conhecida entre birders de outras regiões, a expedição aproximou birders, fotógrafos, sociedade civil e poder público de Jaú e região.

Os mais de trinta participantes representaram as cidades de Jaú, Bauru, São Paulo, Barra Bonita, Mineiros do Tietê, Americana, Bragança Paulista, Sorocaba e Mairinque. Tivemos ainda a adesão do entusiástico grupo dos Amigos da Fotografia, de Jaú, a cobertura da imprensa local, e até a menção da iniciativa na Câmara Municipal de Jaú.

A base da Expedição Marambaia foi a Fazenda Salto São Pedro [http://fazendasaltosaopedro.com.br/], uma fazenda histórica situada logo a montante da Marambaia. A fazenda conta com uma fauna de aves que garantiu a continuidade da passarinhada mesmo nas horas de lazer ao lado da piscina.

Além da área da Marambaia e da Fazenda Salto São Pedro, a expedição esteve na Reserva Particular do Patrimônio Natural Amadeu Botelho [http://www.rppnamadeubotelho.com.br/], unidade de conservação com 80 alqueires de mata, onde são desenvolvidas atividades de educação ambiental e que está aberta à atividade de observação de aves.

Como resultado imediato da Expedição Marambaia, o município de Jaú já está nos planos de visita de observadores de aves de outras regiões.
Além de contar com uma ótima infraestrutura de acesso, hospedagem e gastronomia, Jaú tem sua fauna de aves muito bem conhecida, graças à atividade de observadores locais como Paulo Guerra, João André Almeida Prado, Waldete Cestari e todo o pessoal dos Amigos da Fotografia.

Com isso, talvez não seja um exagero dizer que a Marambaia e Jaú já constituem um dos melhores destinos para a observação de aves no estado de São Paulo!

Mais informações sobre a Marambaia:

http://pauloedguerra.wixsite.com/marambaia/engajamento-nesta-causa

https://www.facebook.com/campanhamarambaia/?ref=ts&fref=ts

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2 Responses to I Expedição Marambaia, Jaú – SP, fev/17, por Claudia Komesu