cameras-baratas-fotografia-de-natureza_01-2-2
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_01-2-2
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_02
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_02
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_03
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_03
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_05
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_05
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_06
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_06
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_08
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_08
cameras-baratas-para-fotografar-natureza_11
cameras-baratas-para-fotografar-natureza_11
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_09
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_09
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_10
cameras-baratas-fotografia-de-natureza_10
  • Texto: Claudia Komesu e informações de Andrea Ferrari
  • Fotos: Claudia Komesu e Cristian Andrei. A maioria com a Olympus TG3 e a Panasonic TS2. Algumas com a Sony TF1 e a Canon S120.
  • Texto de divulgação escrito em fevereiro de 2017, com o objetivo de fazer mais pessoas se animarem a fotografar natureza.
  • Este post está publicado duas vezes porque tive um problema no WordPress, não estava aparecendo a imagem de destaque na hora de compartilhar no Facebook. Tive que montar outro post. Como o primeiro post já tinha sido compartilhado por algumas pessoas, mantenho esta versão para não quebrar o link.

Fotografia de natureza é para todos

Uma das características de que eu mais gosto na observação e fotografia de natureza é que qualquer um pode. Você não precisa ter equipamentos caros, não precisa ir pra Amazônia ou pra outros países. Com uma câmera simples, ou mesmo só com binóculo, no parque da sua cidade, ou num passeio em algum lugar próximo sempre tem diversão.

Há uma pequena curva de aprendizado, mas é fácil. O jeito mais rápido é sair com alguém que tenha experiência, ou esses passeios em grupo como o #VemPassarinhar do Instituto Butantan, em São Paulo. Acontece alguma coisa no nosso cérebro, e às vezes em duas saídas, ou em duas horas, de repente você está enxergando bichos onde antes só havia folhas. É como mudar de dimensão, expandir seu mundo.

Os passeios para observar e fotografar natureza são uma delícia. Se você se dispõem a passear, você muda de sintonia, as tensões e preocupações dão lugar a pensamentos sobre a beleza da natureza ou até mesmo nenhum pensamento, só a tranquilidade de observar a luz e as cores. Conheço birdwatchers que me contam que eram impacientes, inquietos. E como mudaram graças à contemplação da natureza.

Há pesquisas médicas que indicam que pacientes com acesso a áreas verdes com belos cenários se curam mais rápido do que os que ficam confinados em quartos.

Observar e fotografar natureza é uma atividade que acalma, mas às vezes dá uns picos de adrenalina quando você consegue ver um bicho bem de perto, ou alguma espécie incomum ou que você queria muito ver. Tem que ser bem experiente pra não dar tremedeira conforme você vai se aproximando de um gavião, ou daquele passarinho raro, caminhando bem devagar e torcendo pro bicho não voar. Ou quando você vê cenas incomuns, como uma perseguição aérea, ou cenas muito fofas, como os bichos namorando, tomando banho, se alimentando.

Fotografar natureza é viciante, barato e faz você aproveitar mais suas viagens e passeios. Fotografar faz com que você olhe o mundo com mais atenção. Outra alegria: mais tempo no mato, menos tempo em shoppings, menos consumismo. As fotos bonitas também passam a fazer parte da sua história, elas enriquecem a lembrança daquele passeio ou viagem.

Quer experimentar?

 

Não comece com uma DSLR

Comece com uma câmera simples e barata. Se você gostar bastante, depois de uns meses você investe mais. Não recomendo a nenhum iniciante começar com uma DSLR porque elas são grandes, pesadas, mais caras do que a maioria das compactas, e podem ser desanimadoras. E pra fotografar aves então, exige uma tele ou lente com zoom, o que torna a câmera um trambolho de 2kg ou 3kg. Pra saber mais sobre câmeras pra fotografar aves: http://virtude-ag.com/livre-cameras/. Pra saber mais sobre o birdwatching: http://virtude-ag.com/birdwatching/.

 

Se você se interessou pelo fishwatching, veja estas opções pra fotografia submarina:

Procure as câmeras que dizem ser Waterproof. A Techtudo publicou este artigo: http://www.techtudo.com.br/listas/noticia/2016/02/melhores-cameras-digitais-prova-dagua-para-usar-na-praia-e-na-piscina.html, e posso falar da minha experiência.

Já usei a Panasonic Lumix TS2, a Sony DSC TF1 e a Olympus Tough TG3. Essas três câmeras já estão fora de linha, você só conseguiria comprar usadas, o que não recomendo. Minhas DSLRs e lentes das DSLRs costumo comprar usadas, mas não faria isso pra uma compacta que vai pra água. A Sony TF1 parece que foi descontinuada. A Lumix está no modelo TS6, mas tem variações de TS6Z, TS6A, não sei dizer a diferença. Abaixo há exemplos das fotos com essas três câmeras, e em várias fotos submarinas a Olympus apesar de ser mais nova não parece superior à Lumix ou à Sony. O que fez diferença é a luz e visibilidade da água. Mas se você for comprar agora, recomendo a Olympus TG4, já explico o motivo.

 

Olympus TG3:

 

Panasonic Lumix TS2

 

Sony DSC TF1

 

Basta pegar a maré baixa e você fotografa em lugares rasos, fácil assim:

Na Praia do Forte – BA, ainda sem as sapatilhas e endossando aquela lista de poses ridículas que os japoneses podem fazer pra fotografar. Mas tinha vários peixinhos coloridos, o Nordeste é um lugar espetacular pra mergulho.

Na Praia de Bora Bora, Litoral Norte de São Paulo. Esta foto não mostra, mas estou de nadadeiras (também chamadas de pé-de-pato, mas seu instrutor de mergulho proíbe de usar esse termo). As nadadeiras facilitam bastante se você vai nadar. Estou com a Olympus TG3, ela não precisa de case e tem sistema de fechamento duplo pras aberturas de cartão, bateria e conexão de cabos.

As câmeras da linha Lumix da Panasonic têm ótima reputação. Minha primeira compacta pra fauna foi uma Lumix FZ5, lente Leica, era ótima. A Panasonic Lumix TS6 com certeza é boa, mas está mais cara do que a Olympus TG4. O modelo TS6A está 100 dólares a mais, não consegui entender o motivo. Li bastante antes de comprar a Olympus TG3. No início de 2017 eu estava na Europa e considerei comprar uma compacta nova pra fotos macro, mas a melhor avaliada era a Olympus TG4 (US$ 379 nos EUA), cuja principal diferença é ter raw. Decidi não comprar, e esperar algo como o lançamento da TG5. Minha preferência agora é pela Olympus, mas se você gosta da Panasonic, a Lumix TS6 com certeza é uma boa opção.

Achei essas câmeras muito boas e fáceis de usar, mas tive alguns problemas: quando usei a Lumix TS2 e a Sony TF1 no Nordeste, em 2014, em alguns momentos a lente embaçava por dentro (porque a água estava mais fria do que a câmera), e eu tinha que esperar 15, 20 minutos pra lente desembaçar. Li que várias pessoas tinham esse problema e parece que não tem muito o que fazer.  A Olympus Tough TG é vendida como uma câmera pra aguentar muita coisa, tanto por ser à prova d´água, quanto variações de temperatura e até quedas. Eu adoro a minha, mas já tive dois momentos da câmera travar totalmente, e tive que tirar a bateria. Já andei com ela na chuva, já coloquei embaixo d´água, já andei com ela na neve com -14C, já fui pro mar a mais de 27C. Com esses desaforos, e por ser uma câmera barata, não acho o fim da picada quando ela trava. Considero-a uma das melhores relações custo benefício. Provavelmente alguma hora ela vai parar de funcionar, mas já faz tempo que considero pago o investimento. (Relato de passeio com fishwatching em São Sebastião 2017)

Numa rápida pesquisa, não encontrei sites brasileiros vendendo esses modelos, e poucas opções no Mercado Livre. O ideal é você ter um conhecido indo pros Estados Unidos que possa trazer a câmera pra você. Se não tiver, há muambeiros que trazem, em geral cobram uns 30% do valor como taxa. Procure entre seus parentes, colegas, alguém sempre conhece. Ou pergunte no fórum do Wikiaves.

 

A Lumix TS ou a Olympus TG também servem pra terra?

Servem sim. A Lumix eu não testei muito pra terra (e nem vou conseguir testar, perdi o carregador da bateria e preciso arrumar um novo). Mas a Olympus TG3 tem sido bem versátil. Carrego-a sempre nos passeios, me divirto muito com fotografia macro, e ela também tem servido para paisagens.

Tudo isso para fotos no computador, nunca testei impressão, mas não esperaria muita coisa. No mínimo não seria certo comparar com qualidade de DSLR. As duas também servem pra fotos urbanas da viagem.

Olympus TG3:

 

Panasonic Lumix TS2

 

A Canon S120

Outra compacta que usei por um tempo é a Canon S120, ela é muito bem avaliada, já li posts de profissionais dizendo que a usaram e conseguiram vender fotos feitas com ela. É uma câmera de US$ 420 agora. Ela tem qualidade superior à Olympus TG3. Atualmente tenho usado mais a Olympus por causa da macro e por ela ser à prova d´água. Nesses meses chuvosos é uma alegria não precisar ficar presa em casa: ponho a capa de chuva, pego a Olympus, se não estiver chovendo muito coloco uma capa de chuva na Nikon D800 e saio pra fotografar. Mas deveria carregar a Canon S120 sempre, porque ela é realmente bem superior para fotos de paisagem, empastela muito menos os cenários de mata.

Canon S120:

 

E uma câmera compacta não aquática, que tenha zoom para fotografar aves?

Uma das compactas bem recomendada é a linha Canon SX30, SX40, SX50, SX60. Vários birdwatchers têm essa câmera como backup. Além de boa para aves, essa câmera tira ótimas fotos macro. Você pode ver exemplos das fotos macro no perfil de uma colega do Inaturalist: https://www.flickr.com/photos/treegrow/, as fotos dela são com a Canon SX40.

Há anúncios de usadas no Mercado Livre a partir de R$ 650, mas na média de R$ 900, R$ 1.100. O modelo mais atual, a SX60, você encontra pra vender em lojas no Brasil por uns R$ 2.300, no Mercado Livre a partir de R$ 2.000, o que não é tão caro, considerando que o preço dela nos EUA é US$ 479.

Pra fotografia de aves a Nikon P900, com aquele zoom absurdo, também é bem falada, mas não sei como ela é pra macro.

 

E com celular?

Também dá para fotografar insetos, flores, paisagem. Eu não vou ter exemplos porque com esse monte de câmeras que eu tenho, raramente tiro o celular pra fotografar, mas sei que é bem possível. Se você não quer gastar dinheiro com uma câmera agora, experimente usar um pouco o celular. Em geral consome bastante bateria, ande com aquelas baterias externas pra recarregar. Também dá pra fotografar no mar com o celular, mas você precisa ter certeza de que o case é confiável e não vai vazar. Achei esta matéria http://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/noticia/2015/08/5-dicas-para-voce-tirar-fotos-perfeitas-embaixo-dagua-e-nao-errar.html com algumas dicas.

 

Onde fotografar?

No mar, procure locais com rochas na maré baixa. Com certeza você verá vida marinha. Neste post tem indicações de lugares em São Paulo: http://virtude-ag.com/passeio-em-sao-sebastiao-sp-fotografia-de-aves-insetos-aranhas-flores-e-peixes-fev17-por-claudia-komesu-e-cristian-andrei/

Andrea Ferrari me forneceu estas dicas sobre onde ver fauna marinha em Ubatuba: “A Ilha das Couves é sensacional, fácil de chegar com barquinho simples, mas desta última vez que visitei (início de mar/17) percebi que está com super lotação, o que atrapalha um pouco. Parece que a prefeitura vai criar algumas regrinhas e limitar um pouco o número de visitantes por dia, espero que realmente aconteça, pelo bem da fauna. A praia da Fortaleza tem uma parte bem legal, no finalzinho dela, onde estão as pedras. A Domingas Dias também é boa, embora eu não vá faz um tempinho. O Lázaro eu não gosto, acho muito cheia. Praia do Cedro (cedrinho, perto do Tenório) também é bacana, além da praia do Lamberto.”

Em terra, se puder ir pra algum lugar com Mata Atlântica com certeza verá muitos insetos, aranhas, flores. E às vezes nem precisa sair da cidade. O inseto mais diferente que eu já vi foi no Instituto Butantan, na cidade de São Paulo. Estava fotografando umas aranhas comuns, que sempre vejo nos passeios, de repente olhei do lado e ele estava lá, enorme, uns 10cm de pura estranheza, é o primeiro da galeria abaixo. Qualquer parque que você vá, até mesmo quintal de casa, tem o que fotografar, principalmente no verão, época de maior atividade dos insetos.

Fora de São Paulo, um dos meus lugares favoritos pra ver insetos é na Trilha dos Tucanos, em Tapiraí, e em Campos do Jordão sempre vejo muitos, tanto nas trilhas quanto nos terrenos baldios perto de matas.

Olhe com atenção. É uma das diversões do passeio descobrir o quanto você pode descobrir de bichos camuflados ou bem pequenos.

 

Há riscos e perigos?

Sim, como toda atividade. Como mencionei no outro post sobre fishwatching, no mar não vá pra lugares onde não dá pé a não ser que você seja muito experiente. Basta pegar a maré baixa e você poderá ver vida marinha em locais com 30cm, 1m de água. Também tente não tocar, pisar, encostar, tanto para preservar o local e os bichos, como por segurança. Há animais que podem ser venenosos, ou no mínimo causarem dor e irritação na pele. Será comum entrar água no snorkel, na máscara, engolir água. Tudo fica fácil de resolver se você está num lugar onde dá pé, mas se você não é experiente e está num lugar fundo pode se apavorar. No mar ou em rios também há o risco de ser pego por correntes. É fundamental não tentar nadar contra a corrente, porque isso vai te deixar extenuado. Não tente traçar o caminho mais curto. Nade na diagonal, não na perpendicular, em direção à terra, mesmo que você vá parar num ponto bem longe de onde estava. O importante é não se apavorar porque senão você corre o risco se se afogar.

Pra fotografia macro talvez eu não seja a melhor pessoa pra falar. Aproximo a câmera devagar de vespas, abelhas, aranhas e até agora nada me aconteceu, mas com certeza há riscos. A maioria dos animais tem medo de você e foge se você se aproxima demais (o ideal é conseguir fotografar e o bicho se manter impassível, sinal de que você não o perturbou demais a ponto dele ir embora). Mas talvez alguns ataquem. Sei que a aranha-marrom é uma das mais perigosas no Brasil, então se vejo alguma aranha marrom lisa, só fotografo de longe. Também tomo bastante cuidado onde coloco as mãos, onde piso. Nunca ponho as mãos em frestas, ou apoio as mãos em algum lugar sem olhar.

Você também não deve se embrenhar em lugares que não conhece, que pode se perder, ou não consegue ver onde está pisando. Você deve estar em dia com suas vacinas de tétano e febre-amarela. Sempre carregue água e algum alimento, uma fruta ou uma barrinha. Não esqueça de protetor solar, chapéu, repelente, sapato fechado. Com esse clima tropical parece chato, mas depois de um tempo você descobre que sair de calça comprida, manga comprida e chapéu é bem confortável, você caminha mais à vontade, menos preocupado com coisas que podem te arranhar, picar, queimar.

 

Como fotografar mais e melhor?

Foco, paciência e dedicação. Quanto mais você fotografa, mais você aprende. Quanto mais tempo você fica com o seu tema, melhores serão suas fotos, quanto mais você fuçar na sua câmera, mais vai aprender. Pra fotografias de aves e de insetos você tem que tirar muitas fotos. As de insetos é difícil focar no lugar certo, ainda mais quando são bichos bem pequenos, se movendo, com pouca luz, então você tira um monte e depois olha pra ver se alguma ficou boa. E nas aves, se ela vira um pouco a cabeça, é a diferença de uma foto expressiva, com brilho nos olhos, olhando pra câmera, abrindo as asas, cantando. Ou uma foto mais sem graça. Não há como prever os movimentos, você tira várias e às vezes dá sorte.

Preste atenção também em luz e no fundo. Quanto melhor a luz, melhor a foto, e se você conseguir um fundo mais bonito e homogêneo, suas fotos também ficarão melhores.

Por experiência própria, posso falar: você se diverte mais com a fotografia quando tem uma finalidade pras fotos. Se você só fotografa e deixa no computador não é tão empolgante quanto fazer algo com aquelas fotos. Esse algo vai depender da sua personalidade. Você pode montar álbuns, imprimir e mostrar pra família e amigos. Você pode alimentar um blog. Você pode contribuir pra ciência cidadã postando no Wikiaves.com.br, ou no Inaturalist.org, ou no Ebird.org. O Inaturalist e o Ebird estão conectados com o GBIF, um banco de dados mundial de biodiversidade, então quando você posta lá você está contribuindo pra informações globais. O Wikiaves é mais fácil de postar, mas não está conectado com GBIF, ele só gera dados nacionais.

Dentre os sites que citei, só o Inaturalist é pra natureza no geral, o Wikiaves e o Ebird são só pra aves. O Inaturalist é incrível, mas tem o problema da principal plataforma ser em inglês. Há uma plataforma em espanhol, mas não tem os mesmos dados da em inglês. Eles também têm falhas nos mapas do Brasil, e que não pretendem consertar logo. Quem sabe no futuro se houver mais brasileiros participando nosso status mude.

Suas fotos também podem contribuir pra algum projeto de divulgação e valorização de um local. Você pode procurar a imprensa regional, portais, jornais locais e ajudar a divulgar as belezas que existem na sua cidade. Você pode querer fazer cartazes de divulgação, palestras em escolas.

Há muita coisa pra se fazer, e quando você está agindo pelo bem do mundo, você sente um ânimo renovado. A natureza brasileira tem sofrido duros golpes, com o aumento do desmatamento e diminuição de investimentos em proteção e turismo sustentável. Devemos fazer o passível pra promover e valorizar a natureza, e circular fotos chamativas é uma das formas de atrair interesse.