Snorkeling em Paraty

  • Texto e fotos: Claudia Komesu
  • Câmeras: subaquáticas, algumas de praia e macro com a Olympus TG3, paisagem e aves com uma Nikon D750 e lente Sigma 150-600

Um fim de semana com a família do Cris. O irmão e a cunhada do Cris têm um veleiro, acho que é a coisa que eles mais gostam de fazer. Nesse fim de semana deu certo de irmos.

De São Paulo a Paraty são umas 4h15 de estrada, mais tempo se você sai na hora do rush, como nós fizemos. A rota é por Cunha. Se você tem péssimas lembranças da estrada Cunha – Paraty, saiba que agora ela é asfaltada e bem razoável a maior parte do caminho. Nos quilômetros finais ela fica muito estreita, de um jeito que não passam dois carros e você tem que parar o carro e esperar o outro passar em alguns trechos, mas de qualquer forma vale a pena pela economia de tempo.

Talvez a primeira pergunta seja “Paraty é perigosa?”, afinal, o pior assalto a birdwatchers brasileiros que eu já ouvi falar foi em Paraty, levaram as câmeras e os binóculos das oito pessoas do grupo, temos as notícias de que algumas facções do Rio de Janeiro se mudaram pra Paraty, e nesta semana apareceu a notícia de um assalto com tiroteio a uma Casas Bahia.

Eu acho que Paraty é perigosa, e não sei se teria coragem de ir passarinhar por lá. Mas o irmão do Cris vai quase todo fim de semana, e disse que na marina e com os barcos nunca tiveram problemas. Durante o passeio vimos várias escunas lotadas de gente. Então a conclusão é de que provavelmente a água é considerada território seguro. Mas com essa notícia do assalto a Casas Bahia penso que o centro não é seguro, e as trilhas pra passarinhar também não. Os birdwatchers que foram assaltados estavam participando de um evento passarinheiro, depois do assalto pessoas da cidade falaram “mas o que vocês estavam fazendo por lá? É uma estrada visada, sempre tem assalto”. Uma grande falha da organização do evento que deixou eles irem pra lá sem avisar isso.

É uma pena muito grande, porque a região é maravilhosa. Você vê os morros, a mata, tem certeza de que há muitos bichos por lá. Mas eu não recomendaria. Pode ir se for pra aproveitar a água e outros lugares movimentados. Trilhas pra passarinhar sozinho ou com grupos pequenos parece perigoso.

A ilha da Cotia não fica longe do continente. Mas pelo o que li na internet, a Baía de Paraty também tem vários peixinhos. Também falam da Praia da Trindade, Praia da Lua e a Ilha Comprida, no Youtube tem alguns vídeos.

Na ilha da Cotia você desembarca de um lado, anda numa pequena trilha, e em 2 minutos está na prainha do outro lado. Chegamos perto do meio-dia, o pico da maré baixa seria 13h40. Só fiquei uma hora na água, as pessoas queriam voltar pro barco pra começar o churrasco (e na verdade, o irmão do Cris foi muito gentil e fez várias viagens de bote, primeiro levou os pais dele de volta pro veleiro, depois voltou, levou a esposa e a filhinha, eu e o Cris ficamos pra última turma, achei que era abuso pedir pra ficar mais tempo. Mas eu teria ficado).

A água era bem quente e um tanto turva perto da praia, e ficava mais fria e mais clara se afastando um pouco. O lugar bom pra snorkeling é o canto direito (estando de frente pro mar). Não vimos uma grande variedade de peixes, mas o cenário era bem bonito, com vários tipos de corais, algas de várias cores, e um dos trechos estava cheio de alevinos, centenas, talvez milhares. Confesso que não reconheci isso na hora. Minha máscara não está grande coisa, a visão não era clara (não era embaçamento, era… sei lá, não estava bom), e a luz estava terrível pra fotografar. Com o sol a pino em dia ensolarado a gente não conseguia enxergar a telinha da câmera, estávamos fotografando às cegas. A gente direcionava a câmera, apertava o botão e torcia pra ter focado e enquadrado. Vimos peixes-cofre, marias-da-toca, sargento, peixe-donzela, ermitões, ouriços, lindas estrelas-do-mar vermelhas e grandes, peixe-trombeta (mas não consegui fotografar), um que lembra tainha mas com rabo colorido, rosado, e uns dois de cores discretas, que não sei o nome.

O Cris estava testando a Sony RX 100 III com case. Eu testei no Guaraú e achei difícil. Até carreguei-a pra água, mas levei junto a velha e boa Olympust TG3, e acabei fotografando só com ela. Nessa situação de luz solar direta, fica pior ainda de enxergar, porque é o plástico do case em cima da tela da câmera. O Cris se deu mais mal ainda porque em algum momento apertou o botão de filmar, e não percebeu. Ou seja, ele ficou sem fotos, e com um longo filme todo tremido.

Mesmo com todas essas dificuldades, o fishwatching é sempre incrível. Por menos que tenha pra ver, se tiver alguma coisa pra procurar (se não está naquelas condições de água tão turva que parece algo sólido, ou com mar virado de um jeito que você fica com medo das ondas), se não for extremo assim acho que vale a pena.

Apesar de ser verão, a previsão era de água a 23 graus. Levamos nossos coletes de neoprene, é sempre um conforto a mais, pena que eles dificultam mergulhar pro fundo.

Não sei se você, como eu, tem receio de mergulhar com o snorkel. Até agora eu só fazia flutuação, ficava um tanto aflita com a ideia de prender a respiração, mergulhar, depois voltar pra superfície e ter água dentro do snorkel, ficava achando que eu ia engolir água. Mas dessa vez eu experimentei, e descobri que é muito fácil. Você prende a respiração, mergulha o quanto consegue, (não é fácil sem lastro, aquele cinturão com pedras), e quando volta pra superfície é bem fácil soprar a água pra fora do snorkel, não exige nenhum esforço, é instantâneo.

Uma recomendação: eu achei bem mais confortável estar com roupas de manga longa do que ter que me besuntar de protetor solar. E vou arrumar uma calça também. Em abril desse ano fiz um fishwatching em que cometi a idiotice de achar que o dia estava muito nublado, que só ia ficar um pouco, e fui pra água sem passar protetor solar. Estava de manga longa e shorts, e meia de neoprene. Agora tenho um bronzeado só na parte de trás das pernas, como se fosse um pedaço de meia 7/8, um fetiche esdrúxulo, se já não bastassem todas as marcas de picadas de pernilongo, micuins, cicatrizes nos joelhos das vezes que já caí de quatro, e pequenos cortes nas pedras por causa do fishwatching.

O fishwatching é maravilhoso, mesmo em lugares sem profusão da vida marinha. Embaixo d´água é outro mundo, e mesmo quando há poucos bichos, é um desafio animador mover-se devagar e tentar fotografar o que você conseguir focar, especialmente os bichos como caranguejos ou ermitões. Aproximar a câmera devagar, tentar não assustá-los, e buscar uma foto de perto. Recomendo muito.

As fotos subaquáticas deste post são só dessa 1h na ilha da Cotia. Aves e macro são da marina, e as de paisagem é a volta, o caminho da Ilha da Cotia para Paraty no dia seguinte, no fim da tarde. Um lugar realmente cênico, e vimos até alguns golfinhos.

Agradeço muito ao Dado e à Dani pelo ótimo fim de semana.

 

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