O Tanquã é um bairro que fica às margens do Rio Piracicaba e pode também ser acessado via terrestre, através da estrada que liga a cidade a Anhembi. Seus moradores vivem principalmente da pesca, e lá se estabeleceram e formaram suas simples moradias à beira do rio. A sua paisagem lembra muito o Pantanal mato-grossense, tendo inclusive vegetação e fauna características dessa região do Mato Grosso.

Vista do Tanquã – diversidade de aves

 

Tuiuiú (Jabiru mycteria)

Além de aves típicas do Pantanal, o Tanquã, ele recebe visitas de outras regiões, incluindo o Sul.

As aves que vivem no Tanquã formam uma beleza singular, com uma diversidade incrível, e quando visitamos essa região de forma sistemática nos surpreendemos com a presença de aves raras ou de difícil localização em nossa região.

Há aves diversas em todas as épocas do ano, mas para ver o espetáculo das aquáticas, os melhores meses são setembro e outubro.

Pato-de-crista (Sarkidiornis sylvicola)

Colhereiro (Platalea ajaja)

Gavião-do-banhado (Circus buffoni)


Para a observação dessas aves temos melhor resultado quando saímos de barco, pois na época de baixa do rio formam-se lagos onde o alimento farto atrai bandos de diferentes espécies.

Das aves que pude avistar no Tanquã posso destacar: o tuiuiú, colhereiro, cabeça-seca, marrecas como a asa-branca, marreca-cri-cri, marreca-caneleira, marreca-de-bico-roxo, o mergulhão-caçador, o pato-de-crista e aves de rapina, como o gavião-do-banhado, gavião caboclo, gavião-caramujeiro, águia-pescadora, sem contar com várias espécies de maçaricos e de garças residentes neste precioso local, além de lindas aves como o frango-d’agua-azul.

Gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis)


Ao todo são mais de 150 espécies identificadas.

Esse cenário coloca o Tanquã como um dos principais locais do país para a observação de aves, com um potencial turístico fantástico para essa atividade, se apresentando como um verdadeiro paraíso das aves.

Mas o que mais me chamou a atenção foi a inesperada presença do marrecão (Netta peposaca), espécie que tem sua ocorrência concentrada no sul do país, tendo seu registro recente, além do Rio Grande do Sul, apenas em Curitiba-PR, Garuva-SC e no Tanquã, conforme informações coletadas no site Wikiaves (www.wikiaves.com.br).

FIGURA 1 – Mapa de Ocorrência do Marrecão – Fonte: Wikiaves

Sua presença em distintas épocas do ano nos faz levantar a possibilidade desta espécie ter fixado residência no Tanquã.

Chegamos a avistar uma família do marrecão com nove indivíduos.

Marrecão (Netta peposaca) – macho adulto

O marrecão é uma ave anseriforme da família Anatidae. É uma espécie muito visada por caçadores. Mede 55 centímetros. O macho tem bico vermelho, intumescido na base, e a fêmea tem o bico preto e os arredores dos olhos brancos. Ambos os sexos exibem brancos em suas asas em vôo.

Bando de marrecões – 6 machos e 1 fêmea

Vive em lagos e lagoas interioranas de águas abertas, mas com a vegetação aquática flutuante próxima às margens. É comum em banhados e arrozais. Ocorre principalmente no Rio Grande do Sul. É ave parcialmente migratória quando está fora do período reprodutivo, visitando os Estados de São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Estamos fazendo alguns trabalhos com o objetivo de ajudar a preservação deste local:

  • Levantamento periódico da avifauna presente na região através da organização de expedições regulares com o CEO – Centro de Estudos Ornitológicos (www.ceo.org.br), que também incluiu o Tanquã no Censo Neotropical de Aves Aquáticas, com a contagem dos indivíduos de cada espécie presente, realizado em duas datas diferentes do ano.
  • Outro grupo que contribui com este levantamento é o GRIFOO – Grupo de Interessados em Fotografia e Observações Ornitológicas.

 

Fontes de pesquisa

  • Ornitologia Brasileira – Helmut Sick. Ed. Nova Fronteira
  • Site www.wikiaves.com.br
  • Observações pessoais no local desde 2010.