Por que vale a pena: o Estado de Roraima tem mais de 520 espécies de aves registradas no Wikiaves. Há parques e localidades com uma infraestrutura razoável, onde é possível ver e fotografar muitas espécies amazônicas.

Cabeça-de-ouro (Pipra erythrocephala) Golden-headed Manakin

 

Roraima – Explorando os limites da Amazônia Brasileira

Texto e fotos: Marcelo Camacho

  • Onde hospedar-se em Boa Vista (é a cidade onde moro, e o principal ponto de apoio para quem vem passarinhar em Roraima): Hotel Uiramutam: diárias em torno de R$ 90 e localização bem central. Possui internet e ar condicionado nos quartos. http://www.uiramutam.com.br
  • Empresas aéreas: TAM e GOL .
  • Melhor época: Do final de outubro até meados de março (a partir de meados de março até o final de setembro chove muito).
  • Quem contactar: Thiago Laranjeiras thiago.laranjeiras@icmbio.gov.br ou Marcelo Camacho wemailrr@hotmail.com

Roraima está localizada no extremo Norte do território brasileiro o que lhe confere características sui generis quanto ao clima, fauna e flora. Seu território está quase totalmente situado acima da linha do Equador ao norte dos limites do Estado do Amazonas. Recentemente o ponto situado mais ao Norte do Brasil foi revisto e os extremos latitudinais que antes eram considerados o Oiapoque e Chuí foram corrigidos passando a ser o Monte Caburaí e Chuí.

Essas características e outras como estar ao Norte do Rio Amazonas (importante divisor de espécies), a grande variedade de ecossistemas, o clima equatorial e a baixa densidade demográfica tornam esse Estado especialmente atrativo aos observadores de aves. Aqui os ‘pardais’ são os sabiás-da-praia (Mimus gilvus) já que são encontrados em abundância pelas cidades como ocorre nos Estados mais ao Sul com os pardais.

Em Boa Vista, que é a maior cidade do Estado, nos quintais, ruas e praças são comuns o joão-pinto-amarelo (Icterus nigrogularis), o garrincha-dos-lhanos (Campylorhynchus griséus), o sanhaçu-da-amazônia (Tangara episcopus), o periquito-de-bochecha-parda (Aratinga pertinax), o caraxué (Turdus nudigenis) entre tantas outras espécies que os observadores dos Estados mais povoados do país não estão acostumados a ver.

 

O que visitar?

Quem vem para Roraima para a prática do birdwatching logo percebe que esse é um destino para voltar várias vezes, porque há uma grande diversidade de aves, e a cada viagem o espetáculo é diferente. Recentemente eu e Thiago Laranjeiras (ornitólogo do ICMbio lotado no PARNA do Viruá que é conhecido pela variedade de sua avifauna) elegemos alguns pontos que consideramos obrigatórios pra quem vem fazer uma visita de 10 dias:

* Viruá: Parque Nacional com mais de 530 espécies de aves registradas possui o atual recorde brasileiro em número de espécies registradas em um único dia (225). Possui grande variedade de ecossistemas e muitas espécies com ‘endereço certo’ e conhecido pelo Thiago Laranjeiras.

* Município de Boa Vista: além de ser o principal ponto de apoio pra quem visita Roraima, possui vários locais com grande variedade de espécies típicas da região, inclusive endêmicas, e com acesso rápido e fácil.

* Vila do Tepequém no município do Amajari: Vila localizada numa região de montanhas com 1.100 metros de altitude. Criada em função do garimpo de diamantes (hoje praticado em pequena escala e de forma sustentável por grupos familiares). Recentemente Tepequém tem se especializado na recepção de turistas contando com guias locais, pousadas e pequenos restaurantes rústicos. Para quem curte cachoeiras, caminhadas, e se interessa pelo aspecto histórico do garimpo, esse é um destino imperdível. É o único local com registro fotográfico no wikiaves do galo-da-serra fora de Presidente Figueiredo (AM)

* Pacaraima: Município localizado na divisa com a Venezuela, a 212 km de Boa Vista, situado na serra de mesmo nome (Pacaraima). Possui áreas de campos e de florestas e, além das aves características das áreas mais altas e frias do Estado, apresenta algumas das aves típicas dos Tepuis.

* Santa Helena de Uairén (Venezuela): A partir de Pacaraima são algo em torno de 15 km até Santa Helena (primeira cidade da Venezuela entrando pelo Brasil). Dentro da Venezuela, ao longo da Rodovia que percorre a Gran Sabana (um dos maiores parque nacionais do mundo) é possível avistar muitas espécies (grande parte com registros esparsos pelo Norte Brasil) com raros registros fotográficos publicados nos sites. Lá podem ser encontradas muitas das espécies dos Tepuis.