Mesmo imersa em um mar de canaviais, a cidade ainda apresenta uma rica avifauna. Para aqueles que apreciam as aves florestais, nos fragmentos de mata do bairro Mata Negra ainda é possível observar aves como o garrinchão-de-barriga-vermelha (Cantorchilus leucotis), o fura-barreira (Hylocryptus rectirostris) e o caracoleiro (Chondrohierax uncinatus).

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  • Texto: Carlos Gussoni. Carlos é ornitólogo e já passarinhou em várias regiões do Brasil. Mora em Rio Claro e guia na região. Contato: cogussoni@gmail.com. A lista completa das aves encontradas no município está disponível em: http://www.taxeus.com.br/lista.jsf?c=891.
  • Fotos: Carlos Gussoni e Rogério Machado

Nos fragmentos de mata, são muito comuns as arirambas-de-cauda-ruiva (Galbula ruficauda), os arredios-do-rio (Cranioleuca vulpina), os choró-bois (Taraba major), os coró-corós (Mesembrinibis cayennensis)… E em quase todas as matas do município, é muito difícil uma excursão na qual não sejam encontrados canários-do-mato (Basileuterus flaveolus), soldadinhos (Antilophia galeata), teque-teques (Todirostrum poliocephalum) e os tico-ticos-de-bico-amarelo (Arremon flavirostris). Nas matas mais distantes, quase na divisa com Araras, há trechos onde ainda ocorrem os trovoadas (Drymophila ferruginea), as choquinhas-de-dorso-vermelho (Drymophila ochropyga) e as marianinhas-amarelas (Capsiempis flaveola), espécies que estão se tornando cada vez mais raras no município. Um fragmento de mata que merece destaque é o Sítio Farol, na divisa com o município de Ipeúna, onde podem ser observados o miudinho (Myiornis auricularis) e o barbudo-rajado (Malacoptila striata), sendo este último, no município, encontrado apenas neste local.

Mas não são só os fragmentos de matas nativas que proporcionam boas oportunidades para a observação de aves. Na Floresta Estadual Edmundo Navarro de Andrade, mesmo em meio aos inúmeros talhões de eucaliptos, ainda são encontradas quase 300 espécies de aves, incluindo o sanhaçu-de-fogo (Piranga flava), a juruva (Baryphthengus ruficapillus), o pica-pau-rei (Campephilus robustus) e a borralhara (Mackenziaena severa). Nessa Unidade de Conservação há um grande lago, onde podem ser vistas inúmeras espécies de garças, saracuras, mergulhões e, com alguma sorte, espécies como a marreca-de-bico-roxo (Nomonyx dominica) e o gavião-belo (Busarellus nigricollis).

Para aqueles que se interessam pelas aves aquáticas, vale a pena conferir também o ninhal no Parque Municipal do Lago Azul, onde nidificam garças-vaqueiras (Bubulcus ibis), savacus (Nycticorax nycticorax), garças-brancas-grandes (Ardea alba), garças-brancas-pequenas (Egretta thula) e garças-mouras (Ardea cocoi). Nos arredores do ninhal é possível observar com facilidade grandes bandos de irerês (Dendrocygna viduata) e marrecas-caboclas (Dendrocygna autumnalis). Uma área alagada menos conhecida, mas com um grande potencial para observação de aves é o Antigo Sítio Pascon, onde ainda são encontradas extensas áreas de brejo com diversas espécies de saracuras e o raro (no município) beija-flor-de-bico-curvo (Polytmus guainumbi).

Pela sua localização geográfica, Rio Claro é ponto de parada para diversas aves pantaneiras, sendo frequentes nos alagados os cabeças-secas (Mycteria americana) e, eventualmente, também podem ser observados colhereiros (Platalea ajaja) e tuiuiús (Jabiru mycteria), este último registrado pela primeira vez em março de 2012. Esses visitantes podem ser observados, por exemplo, nas áreas alagadas do Pesqueiro do Mauricião e no bairro Mata Negra.

Para aqueles que não desejam sair da zona urbana, vale a pena dar uma volta pelo campus da UNESP, onde já foram registradas mais de 190 espécies de aves. No campus da Universidade merecem destaque as inúmeras espécies de beija-flores que se concentram, nos meses de junho a agosto, em um bosque de suinãs localizado próximo à portaria principal, incluindo os bicos-retos-de-banda-branca (Heliomaster squamosus) e os estrelinhas-ametista (Calliphlox amethystina). Ainda na zona urbana da cidade, próximo à rodoviária, há pontos onde são facilmente observados o corucão (Chordeiles nacunda) e o falcão-peregrino (Falco peregrinus), sendo este último observado mais facilmente entre novembro e fevereiro.