• Texto: Miguel Magro, com ajuda da Silvia Linhares, a quem Miguel agrade pela revisão
  • Câmera: Canon Rebel T2i, lente Canon 55-250
  • E-mail: Miguelitus34@gmail.com
  • Perfil Facebook: Miguel Malta Magro

Existe um vilarejo no Estado de São Paulo que mais parece um cenário cinematográfico. Seu nome é Taquarussu. É uma vila pertencente ao distrito de Quatinga, município de Mogi das Cruzes – SP, localizado próximo à divisa com Santo André (distrito de Paranapiacaba). No caso do vizinho distrito de Paranapiacaba, todo mundo conhece, pois é muito procurado por trilheiros, mochileiros, motociclistas e “bikeiros” e por muitos turistas querendo conhecer a velha estação ferroviária, a vila inglesa e o museu do trem,

O vilarejo de Taquarussu é cheio de encantos, mas não existem muitas informações turísticas disponíveis a seu respeito. Pouco explorado, inclusive pelos birdwatchers, o lugar oferece rica fauna e flora para os apreciadores da natureza.

Para chegar à Vila é preciso pegar a Estrada de Paranapiacaba. Ao longo do caminho, que é todo coberto pela Mata Atlântica, é possível ver espécies de aves e bichos bem característicos desse tipo de vegetação, além de diversas nascentes e pequenas cachoeiras.

Como chegar

A principal forma de acesso para se chegar em Paranapiacaba é seguindo pela Rodovia Anchieta, depois Rodovia Índio Tibiriçá ou, ainda, sair de Santo André e passando por Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra até chegar à estrada que dá acesso à Paranapiacaba. No centro de cada uma dessas cidades haverá placas indicando a direção. Também é possível ir de ônibus ou trem. Veja a seguir:

De carro: Siga pela rodovia Anchieta até passar sobre a represa Billings. Na altura do Riacho Grande – KM 29, entre à direita na direção de Ribeirão Pires, passando sob a via Anchieta – esta é a Estrada Velha de Santos ou Caminho do Mar – SP 148.

Siga até o KM 33, e entre à esquerda na Rodovia Índio Tibiriçá (SP 31), Na rodovia, na altura do km 44 + 200 m, entre à direita (veja as placas Av. Francisco Tometich e Jardim Valentina). Ao final da Av. Francisco Tometich, à esquerda há um posto de gasolina (Shell) e uma rodovia à frente: é a SP 122, Ribeirão Pires – Paranapiacaba. Entre à direita, na direção de Rio Grande da Serra. Siga até a Estação de Trem de Campo Grande e entre à esquerda, atravessando uma série de trilhos de trem. Ao atravessar os trilhos você pegará a estrada de Paranapiacaba, e pronto. Seguindo em frente por essa estrada de terra (6.5 km mais ou menos), passando por 3 pontes irá até a Vila de Paranapiacaba onde a estrada muda de nome para Estrada do Taquarussu. Você tem 8 pontos de observação, conforme instruções no próximo tópico.

De ônibus: No Terminal de Ônibus Urbano e Rodoviário Prefeito Saladino (Santo André) ou ao lado do Shopping ABC Plaza, próximo a Estação de Trem de Santo André, pegue o ônibus com destino à Paranapiacaba. *

De trem: Para quem sai de São Paulo, vá de metrô até a Estação da Luz. Na Luz embarque na linha Turquesa (trem) em direção à estação Rio Grande da Serra. Chegando lá, uma linha de ônibus (Viação Ribeirão Pires) faz a ligação entre o município e a Vila de Paranapiacaba. *

* Se você escolher como transporte o ônibus ou o trem, a ida para Taquarussu deve ser feita a pé, pela Estrada de Paranapiacaba. É bem puxado.

 

Passarinhando na Estrada de Paranapiacaba / Taquarussu

Na Estrada de Paranapiacaba / Taquarussu existe uma grande área coberta por Mata Atlântica primária e secundária. O local é aberto para visitação, porém para pegar as trilhas adjacentes mais longas dentro do Parque Estadual da Serra do Mar é necessário o acompanhamento de algum monitor credenciado e autorizado. Para passarinhar nos lugares que cito, não é necessário guia, mas não recomendo ir sozinho, o bom é sempre andar em grupo e sempre atento.

O local é ótimo para quem gosta das espécies de aves da Mata Atlântica serrana. A estrada para chegar lá é tranqüila, porém para percorrer a estrada do Taquarussu, é recomendável um carro bem resistente, pois a estrada é muito esburacada.

Mas melhor mesmo é deixar o carro na vila de Paranapiacaba e subir a Estrada do Taquarussu a pé, para facilitar a localização das espécies.

O melhor horário para passarinhar é antes do meio-dia, pois além das aves gostarem da parte da manhã, depois desse horário desce uma forte neblina, dificultando os registros fotográficos.

No local eu já registrei mais de 250 espécies dentre elas, as aves mais características como joão-botina-da-mata (Phacellodomus erythrophthalmus), papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera), pichororé (Synallaxis ruficapilla), as simpáticas tiribas-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis) e até aves mais difíceis de avistar como o limpa-folha-miúdo (Anabacerthia amaurotis), trepador-sobrancelha (Cichlocolaptes leucophrus) e o araçari-poca (Selenidera maculirostris).

 

Locais de Paranapiacaba e suas respectivas espécies

(Nesses locais sitados não precisa de autorização ou acompanhamento de guia local para acessar)

Ponto 1 – Travessia do trem: ao entrar na estrada de Paranapiacaba haverá uma placa indicando as direções para acessar a parte alta e a parte baixa da vila. É só seguir em direção à parte baixa, virando à esquerda, passa-se por uma linha de trem. Parece um local simples, mas é nesse local que fica a maria-preta-de-penacho (Knipolegus lophotes), a andorinha-de-sobre-branco (Tachycineta leucorrhoa) e é um ótimo local para melhorar a foto do pombão (Patagioenas picazuro), já que eles nos deixam chegar bem próximos.

Ponto 2 – Brejão: após passar a linha do trem, vire à esquerda, onde verá uma placa indicando um bar, a poucos metros, após percorrer esta estrada, você chegará em um grande brejo, onde poderá encontrar, pia-cobra (Geothlypis aequinoctialis), juriti-pupu (Leptotila verreauxi), maria-preta-de-penacho (Knipolegus lophotes) e até mesmo a choca-de-chapéu-vermelho (Thamnophilus ruficapillus) e o joão-botina-do-brejo (Phacellodomus ferrugineigula).

Ponto 3 – Trilha do laguinho: se continuar após o brejo haverá um bar e, continuando, tem uma segunda saída à esquerda onde nesta trilha tem um laguinho. Nesse local podemos encontrar o joão-teneném (Synallaxis spixi), pia-cobra (Geothlypis aequinoctialis), patinho (Platyrinchus mystaceus), choca-da-mata (Thamnophilus caerulescens), choquinha-lisa (Dysithamnus mentalis), Choquinha-de-garganta-pintada (Myrmotherula gularis), João-botina-da-mata (Phacellodomus erythrophthalmus) e até uru o (Odontophorus capueira) e o inhambu-guaçu (Crypturellus obsoletus).

Ponto 4 – Ponte do João-Porca: após cruzar a linha do trem, continue reto que chegará numa pontezinha de madeira, lá temos o joão-porca (Lochmias nematura), o tecelão (Cacicus chrysopterus), a choca-da-mata (Thamnophilus caerulescens), um casal de surucuás-variado (Trogon surrucura) cujo macho possui a barriga amarela, papa-taoca-do-sul (Pyriglena leucoptera) e até mesmo a choquinha-carijó (Drymophila malura) e a borralhara-assobiadora (Mackenziaena leachii).

Ponto 5 – Segunda saída para a linha férrea: após passar pela ponte do João-porca, andando em direção à Vila de Paranapiacaba, numa determinando ponto da estrada há um apiário do lado esquerdo e uma trilha do lado direito. Esta trilha sai na linha férrea e lá é possível encontrar tiê-sangue (Ramphocelus bresilius), saíra-lagarta (Tangara desmaresti) e um casal de joão-botina-da-mata (Phacellodomus erythrophthalmus).

Ponto 6 – Vila de Paranapiacaba: podemos encontrar várias espécies como o gibão-de-couro (Hirundinea ferruginea) as tiribas, no centro da vila podemos ver a maria-preta-de-garganta-vermelha (Knipolegus nigerrimus) e nas casas com comedouros podemos encontrar tiê-preto (Tachyphonus coronatus), tiê-galo (Lanio cristatus), sanhaçu-cinzento (Tangara sayaca), sanhaçu-de-encontro-amarelo (Tangara ornata), sanhaçu-de-encontro-azul (Tangara cyanoptera) , tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis) e periquito-rico (Brotogeris tirica).

Ponto 7 – Estrada do Taquarussú: em minha opinião, um dos melhores lugares para fotografar. A estrada tem pouco mais de 8 km, cercada por mata nativa, onde tem espécies desde as mais comuns da Mata Atlântica como o pichororé (Synallaxis ruficapilla), o bico-chato-de-orelha-preta (Tolmomyias sulphurescens), o pula-pula (Basileuterus culicivorus) e o tangará (Chiroxiphia caudata), até as espécies mais difíceis como o corocochó (Carpornis cucullata), o entufado (Merulaxis ater), o araçari-poca (Selenidera maculirostris) e o tangarazinho (Ilicura militaris).

Ponto 8 – Vila do Taquarussú: várias espécies podem ser encontradas na Vila, como o gibão-de-couro (Hirundinea ferruginea), que tem ninho na igrejinha, caneleiro (Pachyramphus castaneus), saíras, sanhaçus e outras aves que gostam de frutas e visitam as palmeiras que ornamentam o local. Também é possível observar saracuras, canários e outros passarinhos que ciscam no gramado a procura de sementes e insetos.

Dependendo do dia, eu posso conduzir vocês por lá. É só combinarmos.

 

Mata Atlântica (+)