(…) Comecei combatendo os pontos de erosão e impedindo o acesso do gado no interior do fragmento florestal existente. Ao mesmo tempo, comecei o plantio de árvores nativas nas áreas de preservação permanente. Separei um pequeno trecho, fora da APP, para formação de um pomar. Plantei cítricos, bananeiras, mamoeiros e várias outras espécies. Recuperei o lago existente (…)

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  • Texto e fotos: Antonio Vilela
  • Câmeras: Canon 7D com lente 100-400, e Nikon Coolpix P510

Sou Antonio Vilela (http://www.wikiaves.com.br/perfil_antoniovilela), de Tietê – SP, e há bastante tempo penso em mandar um e-mail para participar do Virtude. Ocorre que meu “DESTINO FAVORITO” não é nenhum HOT-POINT e nem mesmo um lugar medianamente especial. É um pequeno sítio de 11 hectares, em Tietê SP, que adquiri há dois anos com o objetivo de reflorestá-lo integralmente. A área conta com algumas nascentes e um lago, cujas matas ciliares estavam bastante empobrecidas pelo acesso de gado. O restante da área era, e em boa parte ainda é, ocupada por pastagens. Para piorar, havia vários pontos com problemas sérios de erosão.

Comecei combatendo os pontos de erosão e impedindo o acesso do gado no interior do fragmento florestal existente. Ao mesmo tempo, comecei o plantio de árvores nativas nas áreas de preservação permanente. Separei um pequeno trecho, fora da APP, para formação de um pomar. Plantei cítricos, bananeiras, mamoeiros e várias outras espécies. Recuperei o lago existente, que estava bem degradado, e construí um tanque fora da APP para “criação” de lambaris. Em seguida, comecei a reflorestar a área remanescente, fora da APP.  Já plantei, até o momento, mais de dez mil mudas de árvores nativas e mais de seiscentas frutíferas não-nativas. Além disso, formei alguns “jardins” com espécies de flores que costumam atrair beija-flores, borboletas, etc. Em que pese tudo isso, com as ações até agora empreendidas, só consegui alcançar quatro hectares dos onze disponíveis. É tudo muito caro e eu tenho que ir de acordo com as minhas posses.

Mas, apesar de tudo, as ações realizadas já começaram a dar resultados. O tanque e o lago começaram a atrair biguás, savacus, garças brancas, mouras, irerês, martins e outros aquáticos. O pomar e as frutíferas nativas, de seu lado, a atrair as saíras, sanhaçus e outros papa-frutas. Os jardins, a atrair os beija-flores. Alguns “capões” de painço, que também semeei, a atrair os papa-capins.  Desnecessário dizer que a freqüência de gaviões e falcões também aumentou.

Paralelamente, comecei a fotografar os animais silvestres, especialmente aves, existentes na área e criei um álbum no FLICKR para reunir os registros realizados e dispor de uma ferramenta que me ajudasse a aferir a almejada melhora na quantidade e diversidade de vida selvagem no local (http://www.flickr.com/photos/antoniovilela/sets/72157629761756858/). Até o momento foi constatada a presença de 136 espécies de aves no local, 133 delas com registro fotográfico. Para organizar essas informações, inclusive no tocante a sazonalidade,  criei uma lista no TÁXEUS e a estou atualizando pouco a pouco (http://www.taxeus.com.br/lista/1519).

Surpreendentemente, bem antes do que eu poderia imaginar, também mamíferos passaram a se fazer presentes na área.  Pegadas de pacas e de gato do mato passaram a ser encontradas com freqüência. Sonhei em encontrar esses bichinhos “distraídos” para poder fotografá-los, mas, para minha surpresa, foi um outro completamente inesperado que surgiu na minha frente, na borda da mata,  e fez pose  para fotografia: um Aracambé, o furão brasileiro, cujo nome científico é Galictis cuja, do qual consegui três fotos. A primeira da sequência pode ser acessada a partir do seguinte link http://www.flickr.com/photos/antoniovilela/8365339012/in/set-72157629149054636.

Continuo a “passarinhar” em outros locais na deliciosa busca de “mais um lifer” e/ou daquela foto-show com que todos sonhamos.  Em agosto próximo, por exemplo, pretendo passar uma semana no Pantanal-norte “correndo atrás de passarinho”. Mas, em que pese isso, meu “DESTINO FAVORITO” continuará sendo esse  pequeno pedaço de terra que algum dia, se Deus quiser, já não será tão degradado.