Por que vale a pena: a Lagoa do Peixe ainda é uma área relativamente intacta, e que recebe todos os anos grandes bandos de aves migratórias, tanto do hemisfério norte (Canadá), como do sul (Patagônia e Terra do Fogo). A característica de campo aberto, com vegetação rasteira, favorece a observação e condições para fotografia, dada a alta intensidade de luz existente. A administração do Parque é do Ibama, mas não existem controles de entrada ou saída.

 

  • Texto e fotos: Gilberto Sander Müller
  • Câmera: Canon SX30
  • Observador de aves gaúcho, morador de Porto Alegre, RS, participo do COA – Porto Alegre.
  • Minha formação é na área de engenharia, e a fotografia e observação de aves é um passatempo. No RS temos diversos parques de preservação, com biomas e ecossistemas diferenciados entre si. A minha preferência é pelo Parque Nacional da Lagoa do Peixe, pois por ser em área aberta, só com vegetação rasteira, permite melhor visualização das aves. Quero ajudar a divulgar e incentivar a observação de aves, dentro da educação ambiental de nossos cidadãos.

Destaques: as aves limícolas e migratórias, que passam por aqui em sua jornada incansável, se alimentam nas margens dos rios e do Oceano Atlântico, são os atores preferenciais neste bioma. Jaçanãs, narcejas, pernilongos, maçaricos, trinta-réis, piru-pirus, gaivotas, cisnes, flamingos, caminheiros e tantos outros. Algumas famílias de aves, como a Sternidae dos trinta-réis, tem diversas espécies, que à primeira vista confundem os observadores, pois as diferenças entre elas são bastante sutis. Também os maçaricos, que nesta região possuem diversos representantes sempre presentes, com diferentes espécies bastante semelhantes.

Nível de dificuldade : FÁCIL. Os bandos de aves migratórias, que se deslocam principalmente pela beira-mar, são de fácil e gratificante observação, pois suas revoadas, com os mais diversos matizes, trazem um espetáculo de rara beleza. O litoral do Rio Grande do Sul, com poucas interrupções na costa à beira mar, permite ao observador viajar por centenas de quilômetros na areia, sem interrupções. A cada trecho percorrido, mudam os protagonistas do cenário, trazendo novas imagens. A interação dentro dos bandos de aves mistas, é muito interessante, pois as mais diversas espécies se posicionam de uma forma organizada, cada espécie em um lugar definido. Não tem como não ver as avess, eles se expõe durante todo o ano, variando sempre as espécies mais abundantes, em função da sazonalidade das migrações.

É um local de fácil obtenção de resultados, até pela farta iluminação.

Infraestrutura do local: RAZOÁVEL. A infraestrutura é razoável, as estradas dependem do tempo e da época do ano. As opções de restaurantes são poucas, e sem muita criatividade. A hotelaria tem alguns estabelecimentos razoáveis, em Tavares e também em Mostardas.

Saindo de Porto Alegre, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe inicia em Mostardas, onde fica o escritório do Ibama. Seguindo em frente, a principal área do parque fica no município de Tavares.

O acesso se faz pela estrada RSC-101 (antiga estrada do inferno), que como o próprio apelido já diz, é uma estrada de condições nem sempre adequadas. Como foi construída em cima de áreas alagadas e de areia, sua resistência ao tráfego de caminhões com as safras da área é testada e destruída, ano após ano. São realizados remendos na estrada, mas sempre tem grandes buracos e por vezes, trechos inteiros sem asfalto.

Eu prefiro seguir até o início do município de Mostardas pela RSC-101, e dali seguir pelo litoral, onde já podem ser observados os mais diversos tipos de aves e outros animais.

Entre a RSC-101 e o litoral, existem algumas passagens, no balneário de São Simão, no Farol da Solidão, no Balneário Mostardense, e na trilha do Talhamar. Todas elas são de passagem preferencialmente por veículos 4×4. Algumas não permitem a passagem durante certas épocas do ano como o Talhamar no inverno.

Do município de Mostardas, se chega no mar através do acesso ao Balneário Mostardense, normalmente com muita areia e alagados. Neste trecho se passa ao lado de um banhado de palha, com suas aves características.

A barra da lagoa do peixe é móvel, e fecha naturalmente no fim do verão ( fevereiro ou março). Fica fechada (sem ligação com o mar) até o mês de agosto ou setembro, quando é aberta por máquinas. Do final do verão, até a sua nova abertura, o nível da lagoa vai subindo, alagando uma maior área e inclusive a trilha do Talhamar.

Segurança: o principal risco é de atolamento de veículos, e para enfrentá-los é bom andar em comboio, ou com material próprio para desatolamento. Os moradores são muito solícitos, e pedindo auxílio, sempre se consegue ajuda. O risco de violência urbana é inexistente.

Oportunidades fotográficas: MUITO BOAS. Considero a Lagoa do Peixe como um paraíso para o registro fotográfico, porque tem excelente iluminação, as aves na sua maioria são grandes, não muito ariscas e como a geografia é plana, há boa visibilidade. Diferentemente de uma observação na mata, onde a luz muitas vezes é precária, as aves são pequenas, e os galhos e folhas atrapalham a visão do pássaro, na Lagoa do Peixe as condições são muito mais favoráveis.

Onde fotografar

  • Beira mar: Todo o litoral paralelo à Lagoa do Peixe é favorável para observação de aves. É uma área quase desabitada, onde existem uns poucos pescadores eremitas, que sobrevivem da pesca artesanal. Os cômoros de areia abrigam também diversas espécies menores. As áreas de banhados, que podem ser alcançadas em vários locais, também guardam outras espécies.
  • Trilhas : A trilha do Talhamar, permite atravessar diversos setores do parque, com vários bandos de aves dispersas. Também pode ser usado uma pequena embarcação, para atingir locais mais inacessíveis na lagoa.
  • Interna: Mais para o Oeste, a poucos quilômetros de distância, passa a Lagoa dos Patos, que vai desembocar em Rio Grande, no sul do estado. Na sua costa, também poderão ser observados algumas espécies de pássaros.

Como chegar: saindo de Porto Alegre de carro, são aproximadamento 230km de distância, em estrada asfaltada, na região da lagoa de qualidade frequentemente duvidosa. É preciso no entanto, entrar em trilhas de areia, para chegar aos melhores locais de observação. Existe linha de ônibus saindo de Porto Alegre até Mostardas ou Tavares também, mas na Lagoa terá que ser contratado um serviço de transporte local. Um veículo 4×4 é o ideal para locomoção nos pontos da lagoa.

Guia: o melhor guia na região é o João Batista, do Hotel Parque da Lagoa, em Tavares, que tem uma Land Rover, e conhece todos os locais de observação da Lagoa do Peixe até o Taim, no extremo sul do Brasil. O Hotel é pequeno, e por vezes, fica lotado, então é bom reservar com alguma antecedência.

Quando ir: Março-abril. Todas as épocas do ano têm suas características e diversidade próprias. Em abril e maio, os migrantes do Norte estão voltando para se reproduzir. Em seguida, passam os que fogem do frio no Sul. Em outubro os migrantes do Norte já estão voltando. No inverno faz bastante frio e chove bastante. Normalmente, nos últimos meses do ano o vento costuma ser bem forte. O período de março e abril tem pouco vento, e clima ainda razoável, talvez sejam os meses mais interessantes para uma primeira visita. A Lagoa está ainda bem baixa, o que favorece a concentração dos bandos.

 

 

Lista de aves da região em setembro de 2012, link para as páginas da espécie no Wikiaves

Espécie Nome Comum
Phoenicopterus chilensis flamingo-chileno
Coscoroba coscoroba capororoca
Anthus correndera caminheiro-de-espora
Chroicocephalus maculipennis gaivota-maria-velha
Calidris fuscicollis maçarico-de-sobre-branco
Hymenops perspicillatus viuvinha-de-óculos
Haematopus palliatus piru-piru
Rynchops niger talha-mar
Calidris alba maçarico-branco
Larus dominicanus gaivotão
Ciconia maguari maguari
Calidris canutus maçarico-de-papo-vermelho
Charadrius collaris batuíra-de-coleira
Sterna trudeaui trinta-réis-de-coroa-branca
Xolmis irupero noivinha
Pluvialis dominica batuiruçu
Plegadis chihi caraúna-de-cara-branca
Tryngites subruficollis maçarico-acanelado
Geositta cunicularia curriqueiro
Anumbius annumbi cochicho
Thalasseus acuflavidus trinta-réis-de-bando
Milvago chimango chimango
Rhea americana ema
Tringa flavipes maçarico-de-perna-amarela
Paroaria coronata cardeal
Limosa haemastica maçarico-de-bico-virado
Sterna hirundo trinta-réis-boreal
Ardea cocoi garça-moura
Arenaria interpres vira-pedras
Cygnus melancoryphus cisne-de-pescoço-preto
Chauna torquata tachã
Rostrhamus sociabilis gavião-caramujeiro
Pseudoleistes virescens dragão
Sturnella superciliaris polícia-inglesa-do-sul
Sternula superciliaris trinta-réis-anão
Anas georgica marreca-parda
Himantopus melanurus pernilongo-de-costas-brancas
Gallinago paraguaiae narceja
Mycteria americana cabeça-seca
Tachuris rubrigastra papa-piri
Tringa melanoleuca maçarico-grande-de-perna-amarela
Nothura maculosa codorna-amarela
Fulica armillata carqueja-de-bico-manchado
Calidris melanotos maçarico-de-colete
Sterna hirundinacea trinta-réis-de-bico-vermelho
Circus buffoni gavião-do-banhado
Heterospizias meridionalis gavião-caboclo
Platalea ajaja colhereiro
Thalasseus maximus trinta-réis-real
Phleocryptes melanops bate-bico
Gallinula melanops frango-d’água-carijó
Podicephorus major mergulhão-grande
Chrysomus ruficapillus garibaldi
Phaetusa simplex trinta-réis-grande
Anas versicolor marreca-cricri
Pardirallus sanguinolentus saracura-do-banhado
Charadrius falklandicus batuíra-de-coleira-dupla
Charadrius modestus batuíra-de-peito-tijolo
Serpophaga nigricans joão-pobre
Progne tapera andorinha-do-campo
Colaptes campestris pica-pau-do-campo
Falco sparverius quiriquiri
Tachycineta leucorrhoa andorinha-de-sobre-branco
Chroicocephalus cirrocephalus gaivota-de-cabeça-cinza
Aramides ypecaha saracuruçu
Athene cunicularia coruja-buraqueira
Phimosus infuscatus tapicuru-de-cara-pelada
Lessonia rufa colegial
Dendrocygna viduata irerê
Mimus saturninus sabiá-do-campo
Sicalis flaveola canário-da-terra-verdadeiro
Agelasticus thilius sargento
Amazonetta brasiliensis pé-vermelho
Anas flavirostris marreca-pardinha
Anas platalea marreca-colhereira
Caracara plancus caracará
Sporagra magellanica pintassilgo
Callonetta leucophrys marreca-de-coleira
Charadrius semipalmatus batuíra-de-bando
Columbina picui rolinha-picui
Arundinicola leucocephala freirinha
Bubo virginianus jacurutu
Hylocharis chrysura beija-flor-dourado
Aramus guarauna carão
Sicalis luteola tipio
Asthenes hudsoni joão-platino
Anthus lutescens caminheiro-zumbidor
Syrigma sibilatrix maria-faceira
Phalacrocorax brasilianus biguá
Pipraeidea bonariensis sanhaçu-papa-laranja
Chloroceryle amazona martim-pescador-verde
Ardea alba garça-branca-grande
Furnarius rufus joão-de-barro
Limnornis curvirostris joão-da-palha
Colaptes melanochloros pica-pau-verde-barrado
Satrapa icterophrys suiriri-pequeno
Hirundo rustica andorinha-de-bando
Agelaioides badius asa-de-telha
Fulica leucoptera carqueja-de-bico-amarelo
Pluvialis squatarola batuiruçu-de-axila-preta
Poospiza nigrorufa quem-te-vestiu
Spartonoica maluroides boininha
Botaurus pinnatus socó-boi-baio
Jacana jacana jaçanã
Polioptila dumicola balança-rabo-de-máscara
Rupornis magnirostris gavião-carijó
Rollandia rolland mergulhão-de-orelha-branca
Myiopsitta monachus caturrita
Phalaropus tricolor pisa-n’água
Tyrannus savana tesourinha
Chloroceryle americana martim-pescador-pequeno
Vanellus chilensis quero-quero
Amblyramphus holosericeus cardeal-do-banhado
Anthus furcatus caminheiro-de-unha-curta
Pyrocephalus rubinus príncipe
Cranioleuca obsoleta arredio-oliváceo
Phoenicoparrus andinus flamingo-grande-dos-andes
Machetornis rixosa suiriri-cavaleiro
Urubitinga urubitinga gavião-preto
Butorides striata socozinho
Egretta thula garça-branca-pequena
Guira guira anu-branco
Certhiaxis cinnamomeus curutié
Progne chalybea andorinha-doméstica-grande
Tachycineta leucopyga andorinha-chilena
Geothlypis aequinoctialis pia-cobra
Calidris pusilla maçarico-rasteirinho
Numenius phaeopus maçarico-galego
Netta peposaca marrecão
Bubulcus ibis garça-vaqueira
Nycticorax nycticorax savacu
Anthus hellmayri caminheiro-de-barriga-acanelada
Theristicus caudatus curicaca
Parula pitiayumi mariquita
Gallinula galeata frango-d’água-comum
Pitangus sulphuratus bem-te-vi
Sporophila collaris coleiro-do-brejo
Cinclodes fuscus pedreiro-dos-andes
Podilymbus podiceps mergulhão-caçador
Spheniscus magellanicus pinguim-de-magalhães
Hydropsalis torquata bacurau-tesoura
Sporophila caerulescens coleirinho
Molothrus bonariensis vira-bosta
Laterallus melanophaius sanã-parda
Theristicus caerulescens maçarico-real
Serpophaga subcristata alegrinho
Megaceryle torquata martim-pescador-grande
Zenaida auriculata pomba-de-bando
Nycticryphes semicollaris narceja-de-bico-torto
Dendrocygna bicolor marreca-caneleira
Cyanoloxia brissonii azulão
Coereba flaveola cambacica
Milvago chimachima carrapateiro
Synallaxis spixi joão-teneném
Mimus triurus calhandra-de-três-rabos
Sternula antillarum trinta-réis-miúdo
Tyrannus melancholicus suiriri
Heteronetta atricapilla marreca-de-cabeça-preta
Sarkidiornis sylvicola pato-de-crista
Coragyps atratus urubu-de-cabeça-preta
Ammodramus humeralis tico-tico-do-campo
Fregata magnificens tesourão
Phacellodomus ferrugineigula joão-botina-do-brejo
Alopochelidon fucata andorinha-morena
Passer domesticus pardal
Laterallus leucopyrrhus sanã-vermelha
Stercorarius parasiticus mandrião-parasítico
Stercorarius pomarinus mandrião-pomarino
Chlidonias leucopterus trinta-réis-negro-de-asa-branca
Gelochelidon nilotica trinta-réis-de-bico-preto
Lanio cucullatus tico-tico-rei
Troglodytes musculus corruíra
Turdus amaurochalinus sabiá-poca
Camptostoma obsoletum risadinha
Cyclarhis gujanensis pitiguari
Geranoaetus albicaudatus gavião-de-rabo-branco
Chordeiles nacunda corucão
Oreopholus ruficollis batuíra-de-papo-ferrugíneo
Patagioenas picazuro pombão
Zonotrichia capensis tico-tico
Syndactyla rufosuperciliata trepador-quiete
Larus atlanticus gaivota-de-rabo-preto
Aramides cajanea saracura-três-potes
Tringa solitaria maçarico-solitário
Stercorarius maccormicki mandrião-do-sul
Stephanophorus diadematus sanhaçu-frade
Turdus albicollis sabiá-coleira
Elaenia mesoleuca tuque
Elaenia obscura tucão
Coccyzus melacoryphus papa-lagarta-acanelado
Embernagra platensis sabiá-do-banhado
Poospiza cabanisi tico-tico-da-taquara
Sporophila angolensis curió
Falco femoralis falcão-de-coleira
Euphonia chlorotica fim-fim
Pygochelidon cyanoleuca andorinha-pequena-de-casa
Riparia riparia andorinha-do-barranco
Icterus pyrrhopterus encontro
Basileuterus culicivorus pula-pula
Macronectes giganteus petrel-gigante
Procellaria aequinoctialis pardela-preta
Fulica rufifrons carqueja-de-escudo-vermelho
Pardirallus maculatus saracura-carijó
Porzana spiloptera sanã-cinza
Calidris himantopus maçarico-pernilongo
Thamnophilus ruficapillus choca-de-chapéu-vermelho
Pipraeidea melanonota saíra-viúva
Turdus rufiventris sabiá-laranjeira
Elaenia parvirostris guaracava-de-bico-curto
Knipolegus cyanirostris maria-preta-de-bico-azulado
Pseudocolopteryx flaviventris amarelinho-do-junco
Cairina moschata pato-do-mato
Oxyura vittata marreca-pé-na-bunda
Chionis albus pomba-antártica
Columbina talpacoti rolinha-roxa
Piaya cayana alma-de-gato
Tapera naevia saci
Thalassarche melanophris albatroz-de-sobrancelha
Donacospiza albifrons tico-tico-do-banhado
Cranioleuca sulphurifera arredio-de-papo-manchado
Stelgidopteryx ruficollis andorinha-serradora
Basileuterus leucoblepharus pula-pula-assobiador
Melanerpes candidus pica-pau-branco
Macronectes halli petrel-gigante-do-norte
Puffinus gravis bobo-grande-de-sobre-branco
Tangara preciosa saíra-preciosa
Tangara sayaca sanhaçu-cinzento
Empidonomus varius peitica
Lathrotriccus euleri enferrujado
Myiarchus swainsoni irré
Myiodynastes maculatus bem-te-vi-rajado
Xolmis dominicanus noivinha-de-rabo-preto
Vireo olivaceus juruviara
Leptotila verreauxi juriti-pupu

 

 

One Response to Destino Favorito: Parque Nacional da Lagoa do Peixe, set/12. Por Gilberto Sander Müller.