Por que vale a pena: é costumeiro os observadores procurarem sempre os locais mais preservados para se encontrar aves belas ou ainda não observadas por eles. No entanto, o arrozal pode proporcionar ótimos e fáceis avistamentos de espécies que em outros ambientes seriam de extrema dificuldade. São locais de boa luminosidade, o que facilita a vida do fotógrafo, e em determinadas épocas a abundância de espécies aquáticas compõem um cenário realmente pantaneiro.

Uma cena típica do arrozal em janeiro

 

 

  • Texto: Marco Crozariol
  • Fotos: Marco Crozariol e Claudia Komesu
  • Informações enviadas em março de 2012

Marco é nascido e criado em meio aos arrozais de Tremembé, sendo seu pai rizicultor desde criança quando o mesmo ajudava o pai nas várzeas do Vale. É biólogo pela Universidade de Taubaté (Unitau), mestre em Ecologia de Ecótonos pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) e doutorando no Museu Nacional do RJ. Trabalhou com “Avifauna associada às fases do ciclo do arroz irrigado em Tremembé, Vale do Paraíba, SP” durante a graduação; com “Territorialidade e reprodução do chororó-do-Araguaia, Cercomacra ferdinandi Snethlage, 1928 (Passeriformes: Thamnophilidae) em uma área ecotonal no Estado de Tocantins” durante o mestrado e; atualmente no doutorado, pesquisa com “Analise filogenética da família Tyrannidae (Aves: Passeriformes) com base na arquitetura e composição dos ninhos”.

Quadro resumo: Os arrozais de Tremembé

Destaques: pato-de-crista, socó-boi-baio, colhereiro, cabeça-seca, gavião-do-banhado, saracura-carijó, frango-d’água-azul, pernilongo-de-costas-brancas, maçarico-grande-de-perna-amarela, polícia-inglesa-do-sul, caminheiro-zumbidor e, com muita sorte, o pinto-d’água-carijó.

Nível de dificuldade: fácil. As estradas estão na maior parte do ano são boas e o percurso pode sempre ser feito de carro, o que facilita muito a aproximação de algumas espécie mais ariscas.

Infraestrutura do local: média. A cidade consta com apenas poucos locais de repouso.

Oportunidades fotográficas: muito boas. A ótima luminosidade local e o ambiente aberto facilita a captura de imagens.

Onde fotografar: na Fazenda Nabor (antiga Faz. Kanegae), que foi carinhosamente apelidada de “Arrozal do Marcão”. Todas as espécies podem ser observadas aí, lembrando que a melhor época é no final e início do ano, entre os meses de novembro e março. O “Arrozal do Marcão” está a cerca de 5km do centro da cidade, podendo o observador ir até lá para lanchar e então retornar para o local com grande facilidade.

Guia ornitológico: Rafael Fortes, um dos melhores guias do Brasil. Mora na cidade ao lado, Taubaté, e conhece muito bem o “Arrozal do Marcão”, bem como a melhor época e os melhores pontos de observação. Recomendo!

Quando ir: durante todo o ano é possível a observação, sendo porém o período de inverno, quando os arrozais estão seco, o menos recomendado. Entre os meses de novembro e março é sem duvida a melhor época. Pode-se então observar as mais variadas aves distribuídas nos diferentes tipos de ambientes criados conforme a idade do arroz. Além de poder desfrutar da colheita do arroz e as centenas de aves aquáticas que acompanham as colheitadeiras. Esse também é o período de passagem de algumas espécies migratórias, como o falcão-peregrino e várias espécies de maçaricos.

Por ser um ambiente aberto e as aves estarem ali o dia todo, recomenda-se a utilização de protetor solar.