Por que vale a pena: cenários amplos, encontro com manadas de elefantes ou de búfalos, rinocerontes, grupo de leões, leopardos solitários, família de guepardos, aves exóticas como o Ground hornbill ou lindas como o African Paradise Flycatcher, as grandes águias. Para quem gosta de fotografia e da liberdade de fazer seu próprio roteiro os passeios nos parques da África do Sul são imbatíveis. Combinam oportunidades fotográficas, segurança, infraestrutura, preço e autonomia. Em um esquema simples em que você faz sua comida e lava sua louça, tem seu próprio carro, 12 dias para um casal custam uns US$ 6 mil com tudo incluso.

Texto: Claudia Komesu. Fotos: Claudia Komesu, Cristian Andrei e Daniel Andrei.

Claudia Komesu e Cristian Andrei já foram cinco vezes para a África do Sul, totalizando quase 3 meses dentro dos parques. Fora a primeira viagem em 2006, quando conheceram um pouco da Cidade do Cabo, as outras viagens são totalmente dedicadas a observar e fotografar fauna. Daniel Andrei (8 anos) é filho de Cristian Andrei, e participou da viagem de 2011.

Informações enviadas em fevereiro de 2012.

Resumo do destino favorito: África do Sul – Kruger e Kgalagadi

As informações desta página foram escritas por Claudia Komesu com base em cinco viagens entre 2005 e 2011. Viagens feitas com Cristian Andrei. Em 2011 participaram também os pais do Cris e o filhinho do Cris, o Daniel Andrei.

  • Destaques: diversidade de passarinhos e outras aves, excelentes avistamentos de aves de rapina. Além dos leões, leopardos, guepardos, elefantes, girafas, búfalo etc.
  • Nível de dificuldade: fácil. Há voos diretos para Johannesburgo. Rodamos em nosso próprio carro em estradas boas. Podemos voltar para o chalé quando quisermos, ou descansar nas áreas de piquenique.
  • Infraestrutura: boa. Há vários tipos de acomodações. As do parque são simples mas bem aceitáveis. Dentro do parque há concessões para lodges particulares. Estradas boas, tudo sinalizado, segurança, tranquilidade, organização.
  • Oportunidades fotográficas: excelentes. Em alguns casos você se sente em um documentário da National Geographic. Luz, muitos bichos próximos, acostumados com os carros. No norte do Kruger e no Kgalagadi cenários amplos e abertos, cenas que você vê na televisão. São nossos férias favoritas.
  • Onde fotografamos: na primeira viagem fomos para o Kgalagadi, Cidade do Cabo, Etosha (na Namíbia) e o Kruger. Gostamos de tudo, mas como o Kruger tem diversidade e é o mais fácil de chegar, voltamos só para ele nos três anos seguintes. Em 2011 voltamos para o Kgalagadi, onde os arredores de Twee Rivieren estão cheios de guepardos e águias. Urikaruus é nosso campo favorito. No Kruger, gostamos do norte do parque: Punda Maria e Shingwedzi.
  • Guia ornitológico: nunca tivemos. Apesar de não ter playback, e não poder descer do carro, na viagem de 2010 em que focamos mais em aves vimos 120 espécies.
  • Como ir: não usamos agência (ver mais informações abaixo). A South African tem voos diretos para Johannesburgo. São 8h de viagem. Chegando lá, o mais fácil é pegar um voo doméstico para Nelspruit, Hoedspruit ou Phalaborwa, dependendo de onde você vai ficar no Kruger. Para o Kgalagadi você vai primeiro para Johannesburgo e pega um voo para Upington.
  • Quando ir: sempre fomos em setembro ou outubro. São os meses mais fáceis para ver os animais, porque é o auge da seca e há poucos insetos. Novembro ou dezembro são ótimos para as aves, mas chove, há insetos (li em algum lugar sobre a quantidade aumentar mil vezes), e faz bastante calor.
  • Custos: a partir de uns US$ 6 mil para um casal, 11 noites, tudo incluso.

A África do Sul tem uma lista de 840 espécies de aves. O Kruger é o maior e mais famoso parque do país, com 400km de extensão. O norte do parque, na região de Punda Maria, é um dos melhores lugares para ver aves, pois é uma região de transição de zona climática e rota de migrantes. As estradas são bem mais vazias do que no sul do parque.

O Kgalagadi é um enorme parque árido, com 38 mil km2, apenas um pequeno pedaço fica na África do Sul. Não há uma grande diversidade de espécies, mas a paisagem árida permite avistamentos ótimos de águias, falcões e mesmo corujas em plena luz do dia (além de leões, guepardos, gatos do mato e até leopardos).

A África têm vários tipos de acomodação, principalmente as luxuosas, com diárias de mil dólares por dia por pessoa, motorista, guia, alta gastronomia. Não é esse nosso estilo de viagem. Fazemos o passeio voltado para a classe média da África do Sul: alugamos nosso carro, ficamos nas acomodações dos parques nacionais – chalés com banheiro, cozinha, churrasqueira. Os campos grandes têm restaurantes, mas infelizmente no geral eles não são bons.

Você não pode descer do carro, a não ser em áreas restritas: alguns campos de piquenique e dentro dos campos. Pode parecer estranho, mas é essencial para sua segurança (nem tanto pelos leões, mais por cobras, escorpiões, aranhas). É essencial também para a interação com os animais: muitos bichos não se importam com os carros, mas se assustam com as pessoas (ou poderiam se interessar pelas pessoas). É importante que os animais dos parques não aprendam que carros e humanos são a mesma coisa. E há horários para circular fora dos campos. Você pode sair quando o dia amanhece (às 6h em setembro, às 4h30 em novembro), mas tem que voltar antes de escurecer, ou pague uma multa grande e até corra o risco de ser expulso do parque.

A viagem não exige esforço físico e a infraestrutura do local é boa. Há acomodações de vários preços. Teoricamente não há restrição de idade, vimos até famílias com bebês. A maioria dos campos tem adaptações para deficientes.

A língua oficial é o inglês, mas eles estão acostumados com turistas. Para ter uma ideia, eu leio bem inglês, mas falo como criança e tenho dificuldade em entender quando falam rápido ou dependendo do sotaque. E não tenho experiências em viagens internacionais porque é sempre o Cris que cuida de tudo, não sei nem usar um orelhão. Na viagem de 2006, quando ele teve que voltar mais cedo por causa de uma reunião eu tinha pensando em passar três dias em um hotel em Johanesburgo, esperando o dia do meu voo. Mas achei o país tão tranqüilo e bem sinalizado, com pessoas simpáticas e compreensivas, que mudei de ideia e passei três dias sozinha no parque e não tive nenhuma dificuldade em fazer o check in nos campos, depois dirigir do parque para a cidade a 70km onde eu devia devolver o carro e pegar o voo para Johanesburgo – São Paulo.

Os principais campos têm piscinas. Alguns têm até cinemas ao ar livre. Vemos muitas pessoas com família que aproveitam as piscinas, principalmente nos horários mais quentes do dia. Mas a gente só colocou os pés numa área de piscina uma vez que um African Paradise Flycatcher pousou por lá… Nossa rotina é acordar umas 5h e pouco, tomar café, sair às 6h (quando os portões abrem), andar a 30km/h pelas estradas a procura dos bichos (todas as vezes em que vimos leopardos foi bem cedo. Guepardos e leões podem ser vistos em outros horários), voltar para o chalé por volta das 10h30. Após esse horário há menos bichos, e em geral está tão quente que o ar distorce as fotos. Descansamos, preparamos um almoço, dormimos, voltamos a sair depois das 15h30, voltamos às 19h.

São nossas férias favoritas, mas você precisa ter em mente que é cansativo. O calor, passar várias horas no carro, alguns trechos com trepidações, limitações do cardápio, tudo isso vai acabando com você aos poucos. A adrenalina te acorda: quando você vê algo emocionante, todo o cansaço vai embora. Mas há muitos momentos sem nada interessante acontecendo.

Nós nos divertimos mais do que a média porque gostamos das aves e de buscar fotos boas de qualquer coisa. Paramos para qualquer passarinho avistado, ficamos mais de meia hora observando a águia a espera de um vôo ou pelo menos de uma espreguiçada, ficamos um bom tempo observando um lark com filhote ou lagartos em pedras. O Kruger oferece mais oportunidades de avistamentos, principalmente os vistosos como elefantes, rinocerontes, girafas, zebras, búfalos e leões. O Kgalagadi não tem uma grande diversidade, mas as paisagens são amplas, há menos bichos, mas é mais fácil de vê-los. Em 2006 passamos mais de meia hora com filhotes de leão brincando ao lado do carro, e agora em 2011 além dos passarinhos, rapinantes, lagartos, tivemos avistamentos emocionantes de famílias de guepardos.

Uma atitude importante é a paciência. Não somos do tipo que fica esperando em frente ao buraco d´água, mas se encontramos um animal, gostamos de ficar observando-o durante um tempo. É comum acontecer algo interessante para foto.

No Kgalagadi e no norte do Kruger as paisagens são amplas e muito bonitas. Você anda quilômetros e quilômetros e não vê nenhuma interferência humana fora a estrada, às vezes alguma placa, e de vez em quando os outros carros. Silêncio ou o barulho do vento, cores que parecem de outro mundo, tranqüilidade, e volta e meia os animais, com oportunidades incríveis para fotos.

Nos parques não têm internet, só nos maiores pega celular. São lugares que permitem uma grande imersão na natureza, dá pra se sentir um naturalista mimado com muitas mordomias e facilidades.

Um cenário típico do Kgalagadi, arredores de Nossob.

No Kruger em 2011: Daniel (quase 8 anos), o filhinho do Cris, fotografando do jeito certo. Víamos muita gente que fotografava com o carro ligado e pelo vidro do carro! Depois a foto não fica boa e a pessoa diz que a câmera não presta. O Daniel está com a D200 na alça da D300 e a Nikon 300 f4 com tele. O saco de canjica é a versão simples dos bean-bags americanos, são um apoio portátil para trazer estabilidade para a câmera. O Cris tem um pro, mas é pesado demais pra gente, precisa de quase 5kg de grão.

Para as pessoas normais em dois ou três dias geralmente se vê muita coisa no Kruger. No sul do parque, dificilmente você sai sem ter visto elefante, rinoceronte, zebra, girafa, impala, kudu, leões, búfalo, fish eagle. No quarto dia as pessoas começam a cansar, com a sensação de que já viram o que tinha para ver.

Fanáticos como nós ficam facilmente 10 dias. Gostamos de ficar mais, e ficamos (agora em 2011 ficamos 15 noites em parques). Mas os últimos dias foram cansativos: era nossa quinta ida aos parques, não temos mais a adrenalina da novidade, o calor e as restrições alimentares castigam um tanto. Cansaço acumulado, quase fizemos um dia livre (quando você decide não acordar cedo e cumprir um roteiro).

Ou seja, pra quem adora observação e fotografia de natureza é bem fácil ficar 10 dias seguidos. Depois começa a ficar mais difícil, parece que até os avistamentos rendem menos. Mas se tivéssemos programado uma viagem mais curta, não teríamos imagens como estas:

No estilo de passeio que nós fazemos não usamos guia. Com certeza nos passeios especializados, em que você vai para regiões privadas com um guia ornitológico você vê muito mais aves. Mas mesmo de dentro do carro, sem guia, é possível ver várias espécies, e você tem a vantagem da privacidade.

Em nossa viagem de 2010 para o Kruger, em que estávamos mais interessados em aves, pudemos ver 120 espécies. Na primeira viagem, em 2006, quando ainda não éramos passarinheiros, vimos 33, em 2007 vimos 55, em 2008 vimos 70. Na nossa primeira passagem pelo Kgalagadi, em 2006, vimos 24 espécies; em 2011 vimos 61.

Saímos cedo e rodamos de carro devagar pelas estradas. No Kruger procuramos beiras de rio, no Kgalagadi há rapinantes e corujas nas beiras de estrada, e também passarinhos delicados.

Os meses de setembro e outubro são o ápice da seca no Kruger. O mato está mais baixo, é mais fácil ver os animais. O clima ainda é agradável. A partir de novembro, principalmente na região norte, começa a ficar muito quente e há dias com chuvas, até tempestades. De forma geral a temperatura não é pior do que um verão em São Paulo, e antes das chuvas não há insetos, você passa os dias de shorts e camiseta.

Ainda vamos tomar coragem em pegar um mês de novembro ou dezembro na região norte, é uma época muito boa para aves, mas calor, chuva e insetos nos desencorajaram até hoje. Sempre fomos em setembro, ou no máximo no final de outubro.

Dizem que abril-maio é bem bonito na região sul do parque. Em julho no Kgalagadi faz muito frio. Mesmo em setembro, por ser uma região árida, nos passeios noturnos há cobertores nos jeeps porque a temperatura cai bastante.

Os campos mais populares lotam com meses de antecedência. Para a viagem de 2011 fizemos nossas reservas seis meses antes, e já não havia chalés com cozinha e banheiro em campos como Lower Sabie ou Satara, e Urikaruus só tinha duas noites livres. Se você pretende ir, planeje bem antes. Vale a pena também para a compra das passagens aéreas e reserva dos carros.

As reservas para os alojamentos dentro dos parques nacionais são centralizadas pelo www.sanparks.org, o site oficial dos parques da África do Sul. Tem muitas informações, vale a pena passar um tempo navegando. As reservas podem ser feitas online ou por telefone. Por telefone tem vantagens para remarcar ou cancelar. Online você não tem direito a cancelamentos, mas não passa pela chateação de entender inglês com sotaque alemão.

Já alugamos carros com a Hertz, a Europ Car, a Budget, principalmente usando esses sites que são uma central de várias agências, e que fazem overbook dos carros. Há um pequeno risco de você chegar lá e não ser exatamente o carro que você queria, mas a diária é bem menor do que nos sites da própria Hertz, Europ Car. Em 2011 alugamos dois Sportages (um pra gente, um pros pais do Cris), mas quando chegou o dia eles só tinham um, disseram que um outro cliente havia extendido um dia a estada com o carro. Eles nos entregaram um Corolla para aquele dia e no dia seguinte foram levar o Sportage no campo em que estávamos dentro do Kruger.

Compramos as passagens aéreas direto com a South African, pelo site deles, e em 2011 pelo Submarino Viagens, estava mais barato do que no próprio site da South African.

Não precisa de visto, mas é obrigatório ter o comprovante internacional da vacina de febre amarela, com data pelo menos 10 dias anterior à viagem.

No Kruger a maioria das lojinhas aceita cartão de crédito, mas combustível precisa ser pago em dinheiro (rands). No Kgalagadi só Twee Rivieren tem cartão e um ATM.

Os campos sem cerca como Urikaruus são espetaculares, mas não têm energia elétrica. Há geladeira e fogão a gás, água quente, mas para carregar seu equipamento é preciso comprar algo que se não me engano se chama inverter, para carregar pelo acendedor de cigarro do carro.

Nos parques Africanos ficamos em chalés simples com banheiro privativo, uma pequena cozinha, ar-condicionado, a maioria tem uma varanda. Fazemos nossa própria comida, lavamos louça. Roupa de cama, banho e limpeza do chalé são por conta do parque. Esses chalés custam US$ 90 / dia. Há acomodações mais simples, com banheiro e cozinha coletivos, tendas, ou mesmo camping, por preços menores. E há as guest houses, casas com dois quartos, dois banheiros, sala, cozinha, acomodam 4 ou 5 pessoas, por uns US$ 150 / dia.

Um típico chalé por dentro (em Olifants – Kruger). Simples, honesto, e uma delícia após um dia cansativo.

Visão do deck do restaurante de Olifants (Kruger), talvez o campo mais cênico do parque.

O Kgalagadi tem um cenário incrível, mas no geral chalés piores do que no Kruger. Mais antigos, mais simples, e com essas inexplicáveis cortinas e colchas vermelhas. Apesar de feios, têm pé direito bem alto e ar-condicionado. Vista interna do nosso chalé com nossas bagunças e o guepardo de pelúcia que compramos na lojinha de Twee Rivieren.

Vista externa dos chalés em Twee Rivieren. Repare que todos os chalés têm estrutura para churrasco, mania nacional.

Nossa varanda em Urikaruus (Kgalagadi), um campo sem cercas, nosso campo favorito. Da varanda e das escadas do nosso chalé vimos gnus, hienas, Cape Fox. E no livro de registro do chalé, soubemos que algumas semanas antes um grupo de leões passou algumas noites em volta do buraco d´água do campo. Na viagem de 2011 vimos uma família de guepardos na estrada, próxima ao campo.

Safari tent em Punda Maria. Mais estiloso e arrumadinho do que os chalés do campo (os chalés são alguns dos mais antigos do parque). Infelizmente os safari tents não têm ar-condicionado, só ventilador de teto, e em 2010 uma das noites do início de novembro fez muito calor, de ser difícil dormir.

Cozinha do safari tent.

A pior parte da viagem é a ausência de bons restaurantes nos campos. Gostamos de cozinhar, e gostamos de comida boa, então fazemos compras antes de entrar no parque, e cozinhamos a maioria das noites. Quando estamos mais cansados até vamos ao restaurante do campo, mas geralmente o jantar faz parte da diversão: escurece, fazemos nossa fogueira, assamos milho doce ou batatas, colocamos costeletas de carneiro, steaks, ou porquinhos, bebemos cerveja enquanto preparamos a comida e descarregamos as fotos e depois abrimos um vinho. Paris e Nova York são incríveis, mas esses dias nos parques africanos marcam demais.

Fazemos compras num supermercado próximo ao parque, tipo Pick n’ Pay. Compramos steaks, T-bones, cordeiro, bisteca, frango, cogumelos frescos e desidratados, tomates frescos e também em lata, cebola, aspargos, brócolis, macarrão, azeite, sal, pimenta do reino, manteiga, pão massudo que dura vários dias, iogurte, maçã, mexerica, chocolate, biscoito Eet-sum-more, Nescafé, detergente, esponja, bucha de aço.

A maioria dos chalés com cozinhas têm os acessórios também, mas leve do Brasil uma boa faca.

Há restaurantes e mercadinhos na maioria dos campos, mas a diversidade é pequena e são mais caros. Supondo que você reservou chalés com cozinha (há chalés sem cozinha, só com frigobar), estime comida suficiente para jantar todas as noites, e ter lanches para o almoço e café-da-manhã.

Se você fica em um lodge não precisa de carro. Nesse estilo de viagem que fazemos alugamos carro para todos os dias. Pegamos o carro no aeroporto. Um Sportage sai por uns US$ 125 / dia. No Kruger você não precisa de 4×4, pode pegar um carro mais simples de uns US$ 80. No Kgalagadi o Sportage é o mínimo, e na verdade um pouco inadequado, o ideal seria um carro mais alto se você vai para a parte norte do parque, Nossob ou Mata Mata, porque lá as estradas são afundadas (de tanto trator para aplainar a terra), e num carro baixo você tem um campo de visão limitado.

Em 2010 quisemos experimentar uma noite de turistas ricos, os lodges privados. Uma noite para um casal nos campos do Kruger custa US$ 90 + sua alimentação + seu carro + gasolina, digamos uns R$ 270. Uma noite num dos campos privados mais baratos que vimos, o Pafuri Camp, custou US$ 730 com tudo, inclusive dois passeios. Passeamos em áreas de vegetação diferente, uma floresta de fever trees espetacular onde vimos até a rara African Crowned Eagle. Fizemos trilhas a pé, tivemos por-do-sol com brinde de bebidas alcoólicas no ponto em que a África do Sul faz fronteira com Moçambique e o Zimbabwe. Dividimos o jeep só com outro casal, birders também. Mas no dia seguinte, e olhando os resultados fotográficos, chegamos à conclusão de que nosso negócio é passearmos sozinhos, sem guia, sem restrições. Bem mais divertido e mais confortável.

Imagens da nossa estada no Pafuri Camp – reserva privada perto de Punda Maria

A qualquer momento, você pode topar com um avistamento, ou um carro parado, que geralmente indica um avistamento. Aproxime o carro devagar, estacione de forma a não bloquear a estrada ou a visão de quem já estava lá, e desligue o carro. Geralmente os animais não se incomodam com carros, mas costumam fugir das pessoas. Não se debruce pela janela ou pelo teto solar.

É melhor respeitar os limites de velocidade, porque os animais podem cruzar a pista de repente. Além disso, em algumas estradas havia radares.

  • Leões simplesmente ignoram a presença dos carros. Se estiverem deitados à beira da estrada, continuarão lá, impassíveis.
  • Girafas são tímidas e se afastam lentamente.
  • Elefantes são perigosos. Nunca chegue perto de um elefante, mesmo que ele pareça tranqüilo. Vimos um no meio da estrada, paramos a uns 40m e desligamos o carro, esperando ele sair. O carro atrás da gente decidiu tentar passar atrás do elefante, mas tomou um carreirão.
  • Águias no Kruger também não têm medo. Falcões no Kgalagadi são mais assustados.
  • Uma manada de búfalos no meio da estrada pode ser atravessada avançando o carro lentamente, caso os animais comecem a dar passagem. Se você avança o carro e eles não se movem, é melhor voltar ou esperar.
  • Guepardos: uma família de três tímidos, que se afastaram logo. Mas também um exibido, que não teve nenhum medo dos diversos carros em volta. Em 2011 no Kgalagadi, encontro com diversos (doze indivíduos, três famílias diferentes), pareciam bem acostumados com os carros.
  • Já tivemos a sorte de passar 1h com leopardo, em três ocasiões.
  • Dwarf mongooses são ariscos mas curiosos
  • Suricatas com filhotes são cuidadosas. Em 2011 vimos uma pequena família, querendo sair da toca, mas eles não sse moveram enquanto não saímos da linha reta em que estávamos. Assim que afastamos um pouco o carro, elas saíram.
  • Veadinhos com filhotes se afastam.
  • Os filhotes pequenos de veados, zebras, nyalas, vervet monkeys são assustadiços
  • Alguns rollers deixam chegar bem perto
  • Várias aves, especialmente os bee-eaters e os rollers, têm preferência pelo mesmo galho. Se ela foi embora, espere um pouco porque provavelmente voltará.

Quando você vê vários carros parados na estrada, pode apostar que é um bando de leões sonolentos, ou até mesmo comendo. Passamos com o carro do lado deste, ele nem encolheu a pata.

Os animais podem cruzar a estrada a qualquer momento. Essa van está perto demais do elefante.

Pelo vidro de trás do carro, na hora em que ele decidiu cruzar a estrada.

A maioria dos campos ainda não tem internet. Quando têm funcionam de forma precária.

No caixa do Pick n’ Pay você pode pedir um cartão de World Call (tente pronunciar com um sotaque alemão, com consoantes duras). A moça lhe dará um papel com um código, é a forma mais barata de falar com o Brasil. Todos os campos têm orelhões.

Traga seu celular brasileiro habilitado. Algumas estradas dos parques são desertas, e é reconfortante pensar que se o carro quebrar você tem um celular.

Para embarcar para a África você precisa ter o comprovante internacional de vacina contra a febre amarela. A data da vacina precisa ser pelo menos 10 dias anterior à data da viagem.

Não existe vacina contra a malária. O Ambulatório do Viajante, no HC em São Paulo, distribui um remédio que pode ajudar a prevenir, mas a entrega é criteriosa porque o remédio aumenta a resistência do plasmódio que causa a doença.

O remédio também pode causar manchas na pele, nos dentes, e não é recomendado para quem tem gastrite (por isso eu não recebi). A médica do HC recomendou mosqueteiro para dormir, calça e camisas de manga longa e repelente o tempo todo.

O repelente recomendado é o Exposis, desenvolvido para o exército francês. Você encontra em algumas lojas de aventura e na Droga Raia.

O melhor é ir preparado, mas nas quatro vezes que fomos, entre setembro e outubro, quando ainda não haviam começado as chuvas, não pegamos quase nada de insetos, e passávamos o dia de shorts e camiseta, sem repelente. Mas num dos dias, quando o clima mudou e ficou mais úmido, apareceram muitas moscas que picavam a pele. Estávamos fotografando, e passar Off nos bancos e nos vidros do carro ajudou bastante a afugentá-las.

  • Uma viagem para o Kruger de uns 10 dias (12 dias, 10 noites) uns US$ 6 mil /casal.
  • Uma viagem para o Kruger de 15 dias (17 dias, 15 noites), uns US$ 7.200 /casal.
  • Para o Kruger e Kgalagadi, 15 dias (17 dias, 15 noites), uns US$ 8 mil / casal.
  • Vi que a CVC tem viagens para a África do Sul (11 dias 9 noites) 1 noite no Kruger, 3 na Cidade do Cabo a R$ 7.500 / pessoa.
Tabela de registro dos custos das nossas 5 viagens. Valores não atualizados pela inflação, são apenas os registros dos recibos e anotações da época

Noi-
tes

Trajeto Total US$ não atualizado Voo Hospe-
dagem
Carro Gasolina, alimentação, entrada, gorjetas Obs

2006

27

Kgalagadi, Etosha,Cape Town, Kruger

10.446

3.936

2.127

2.343

2.040 Valores de 2006.

2007

22

Kruger

7.116

2.316

1.510

1.940

1.350 ——

2008

11

Kruger

5.710

2.300

990

1.320

1.100 não anotados na época, valores estimados

2010

15

Kruger

7.851

2.468

2.102

1.875

1.406 Inclui uma diária um lodge privado a US$ 730. Diária do Kruger é entre US$ 90 – 100

2011

17

Kruger e Kgalagadi

8.400

2.780

1.840

2.250

1.530 5 noites no Kruger com família

Mapas do Kruger, do Kgalagadi e do Etosha. Os nomes dos lugares são muito bonitos.

 

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