Poucas famílias de aves são mais incompreendidas do que Apodidae. São pequenas aves, na maioria das vezes escuras, meio andorinha meio morcego, sempre voando ou penduradas nas cachoeiras e cavernas, prestes a levarem um banho, e praticamente impossíveis de se identificar no campo: os andorinhões ou taperuçus.

Taperuçu-de-coleira-branca (Streptoprocne zonaris) White-collared Swift

 

  • Texto: Renata Biancalana
  • Fotos: Renata Biancalana (a maioria), e duas de Claudia Komesu

Essas aves não são tão coloridas, não estão a poucos metros das câmeras. Estudá-las é ainda mais difícil, pois pouco se sabe de sua biologia reprodutiva, de seus hábitos, por onde andam fora de seus ninhos, o que comem. Um exemplo é que somente após 165 anos soube-se para onde migram os Black Swifts (Cypseloides niger) dos Estados Unidos nos meses de inverno, o que só foi possível através de muita tecnologia e anos de estudo da espécie.

No Brasil, a família Apodidae possui 18 espécies registradas, distribuídas desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul. Muitas das cachoeiras das “andorinhas” espalhadas por ai na verdade são ocupadas por andorinhões, que constroem seus ninhos e ficam pendurados durante o dia. Com facilidade identificamos apenas algumas espécies quando estão paradas ou voando, como Cypseloides senex e Streptoprocne zonaris. Suas patas são adaptadas para que consigam ficar em posição vertical nos paredões rochosos, com garras curvadas e possuem asas longas, ideais para seus hábitos essencialmente aéreos.

Algumas cachoeiras espalhadas pelo Brasil em que se pode observar os andorinhões:

  • Cachoeira Casca d’Anta – Parque Nacional da Serra da Canastra – MG
  • Cânion das Andorinhas – Parque Nacional Serra da Capivara – PI
  • Cachoeira da Fumaça – Jalapão – TO
  • Cachoeira do Rio Preto– Parque Nacional Chapada dos Veadeiros – GO
  • Cataratas do Iguaçu – Parque Nacional do Iguaçu – PR

Na próxima visita a uma cachoeira dê uma olhada para o céu e descubra aves muito especiais.