Eu facilito. Sou do tipo que facilita, e espero que isso não seja algo ofensivo a ponto de você não querer ter nenhuma ligação com a Virtude-AG. Cada um faz suas escolhas, e gostaria de explicar porque sou a favor de facilitar a circulação de imagens e informações sobre as aves brasileiras.

Talvez você não esteja a par, mas a verdade é que estamos perdendo feio onde mais importa: a preservação de habitat. Nos últimos meses têm sido debatidas e provavelmente serão aprovadas leis que perdoam o desmatamento e dizem que você não precisa mais replantar o que foi desmatado até 2008, nem cuidar com carinho das áreas nas beiras de rios ou das encostas de morros — no mesmo ano em que centenas de pessoas morreram em enchentes e deslizamentos. E querem tirar do Ibama e passar a órgãos estaduais o licenciamento ambiental de áreas onde vivem espécies ameaçadas. Provavelmente também será aprovada a lei em que o mangue deixa de ser área de proteção ambiental.  Na Mata Atlântica não há muito mais onde mexer, e da Caatinga não sobrou quase nada, mas o Cerrado, a Amazônia e o Pampa são áreas em que é possível ganhar muito dinheiro transformando mata e campo em pasto e soja.

Em novembro de 2011 a Avaaz entregou à presidente Dilma uma petição contra essas propostas. 1,5 milhão de assinaturas. É bastante para uma ação como essa. Para terem uma ideia, a mesma Avaaz em julho de 2009 conseguiu 34 mil assinaturas em uma ação a favor da proteção da Amazônia, e 2 milhões em julho de 2010 a favor da Ficha Limpa.

Esse 1,5 milhão de assinaturas é um ótimo número. Infelizmente não muda o fato de que provavelmente o novo Código Florestal será aprovado pela presidente Dilma. Um Código Florestal que foi escrito sem a participação de nenhum biólogo, aprovado às pressas, disfarçado sob a bandeira do pequeno agricultor.

Muita gente sabe que cuidar da natureza é fundamental. Infelizmente, muita gente, e muita gente em posição de poder coloca isso abaixo da lógica do lucro imediato. Em maio de 2011 os deputados aprovaram por 410 a 63 a lei que permite atividades agropecuárias nas APPs (áreas de preservação permanente) inclusive com desmatamentos futuros.

Estamos perdendo feio. É por causa desse cenário de surra que comecei a pensar em formas da ecologia ser algo mais relevante do que apenas mais uma das coisas erradas no mundo. Acho que vamos continuar apanhando assim, de 410 a 63 e até mais, mas talvez daqui a alguns anos as pessoas no poder pensem diferente, e talvez em menos tempo as ações coletivas, individuais e como consumidor possam fazer diferença.

Por sua graça e beleza, as aves têm o potencial para serem os embaixadores do meio ambiente, de tornar concreto para as pessoas porque é preciso cuidar da natureza. Por isso quero divulgar a observação de aves, facilitar a circulação de imagens e textos, incluindo textos e fotos para a imprensa sem cobrar dinheiro por isso.

Se você não é do meio, não deve saber, mas o que acabei de escrever é visto por alguns como uma atitude contrária à campanha liderada por fotógrafos profissionais de nunca “dar” uma foto.

Também sou a favor de não dar as coisas de graça, nem de cultivar uma mentalidade de que, só porque há milhões de lindas fotos feitas por amadores, os veículos de comunicação podem pegar qualquer uma como se fosse um grande banco de imagens free. Mas eu vou tentar trocar. Fotos bonitas e textos que podem ser interessantes ao seu leitor por espaço de divulgação para um assunto que estou tentando tornar relevante.

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As aves correm riscos sérios de permanência nesse mundo a médio e longo prazo. Eu facilito a circulação de imagens porque a meu ver a situação está ruim e piorando. Consigo ver um caminho a médio e longo prazo que envolve sensibilização pública, convidar as pessoas a conhecerem a fotografia de aves e se apaixonarem por elas.

Tem um site ou uma revista e quer divulgar as aves? Fale comigo: claudia.komesu@gmail.com