• Texto e fotos: Vanessa Tavares Kanaan, do Instituto Espaço Silvestre (na parte referente aos papagaios-de-peito-roxo). Informações gerais sobre animais reunidas por Claudia Komesu, editora do Virtude-AG.
  • Para saber mais sobre a ONG: http://www.espacosilvestre.org.br/
  • Para entregar um animal silvestre voluntariamente, ou denunciar uma pessoa que esteja de posse de um animal ilegal: você pode falar com a Linha Verde do Ibama 0800-618080 ou procurar a Polícia Ambiental de sua região.

Uma nova chance para um papagaio-de-peito-roxo engaiolado

Atenção amigos de Santa Catarina ou do Rio Grande do Sul: Você tem, ou conhece alguém que tenha, um papagaio-de-peito-roxo que queira entregar para o projeto de reintrodução da espécie no Parque Nacional das Araucárias? A entrega poderá ser feita voluntariamente e sem penalidades legais. A ave precisa estar com as asas intactas, sem penas cortadas. Para saber mais detalhes, entre em contato por e-mail: adm.institutocarijos@gmail.com.

Mais informações sobre os papagaios-de-peito-roxo cuidados pelo Instituto Espaço Silvestre

Numa das fotos é possível ver os papagaios com rádio-colar. Esses rádios são fundamentais para coletar dados comportamentais sobre os papagaios. Todas as aves passam por um período de habituação e treinamento de voo com um rádio-colar falso para avaliarmos sua capacidade de receber o verdadeiro. Até hoje não tivemos nenhum problema, e há papagaios livres que carregam os rádios há anos. Não temos tecnologia para que o rádio se solte quando a bateria acaba, mas o fato de que há papagaios que carregam os rádios há anos é a prova de que esses aparelhos não os prejudicam. Além disso, acreditamos que o colar inibe a retirada desses animais da natureza, se alguém pensa em caçar para transformar em pet, pensa duas vezes, porque sabe que o bicho é monitorado.

Você sabia que muitos papagaios-de-peito-roxo não podem participar da reabilitação para retorno à natureza por causa de lesões nas asas causadas por seus cuidadores? Muitos papagaios são apreendidos com penas cortadas e asas parcialmente amputadas para que eles não voem e fiquem próximos de seus “donos”. Também há casos de animais que cresceram com deformações devido à dieta errada durante seu desenvolvimento. Lugar de papagaio é na natureza!

 

Mais informações sobre animais silvestres

Um papagaio-de-peito roxo vive em média 30 anos. Araras vivem em torno de 50, e papagaios-verdadeiros chegam facilmente a mais de 60 anos. Essas aves precisam de espaço e alimentação adequada, gritam muito, e são poucos os indivíduos que aprendem a repetir palavras. Se você está pensando em adquirir um animal silvestre, mesmo que venha de um criadouro confiável, pense bem se você está preparado para cuidar dele durante décadas.

A vontade de ter um animal silvestre como pet alimenta o tráfico de animais, uma atividade milionária e cruel, que mata milhões de animais por ano. A estimativa é de que cerca de 38 milhões de animais, principalmente aves, sejam roubados da natureza todos os anos. Oito em cada 10 morrem na captura ou no transporte. Além do tratamento cruel, a retirada desses animais também representa uma tragédia para a natureza. Várias espécies de aves estão ameaçadas de extinção, de tanto que foram caçadas pelo tráfico, e cada um desses animais roubados deixa de cumprir seu papel na cadeia ecológica e como dispersor de sementes.

Mais informações sobre o tráfico: http://virtude-ag.com/livre-nao-compre-animais-silvestres/

Página do Ibama: http://www.ibama.gov.br/perguntas-frequentes/fiscalizacao

Qualquer pessoa que queira entregar voluntariamente um animal silvestre que estava em sua posse não será punido. Para saber onde entregar, ligue para a Linha Verde do Ibama 0800-618080, ou entre em contato com a Polícia Ambiental da sua cidade.

 

Comentários sobre resolução do Conama 45713

Roubar um animal da natureza, inclusive aves comuns como sabiás ou pardais, é crime passível de prisão e multa que pode atingir R$ 5.500. No ano passado o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) aprovou a Resolução 45713 que permite que alguns animais sem origem legal permaneçam com os “donos”, que passam a ser guardiões do animal. Entretanto, há diversas exigências a serem cumpridas: não pode ser um animal presente na região que a pessoa mora, não pode fazer parte da lista de animais ameaçados de extinção, não pode apresentar maus tratos, tem que ser um bicho que não tem condições de ser reintroduzido na natureza, o guardião tem que apresentar relatório anual sobre a saúde do seu protegido, tem que provar que possui espaço e condições de manter o bicho… Parece bem intencionado, mas é tão complexo que parece difícil acreditar que vai funcionar. O coronel Milton Sussumu Nomura escreveu um texto longo, rebatendo as diversas críticas à resolução, e minha impressão é que ficou tão complexo que é preciso uma força de vontade enorme para “legalizar” o bicho, por parte do “dono” e por parte da Polícia Ambiental e do Ibama, ou então esse processo será mal feito e vai mesmo favorecer o tráfico de animais.

http://www3.policiamilitar.sp.gov.br/unidades/cpamb/index.php/component/content/article/34-pagina-inicial/48-entenda-o-que-e-a-resolucao-conama-45713

A resolução do Conama pode ser lida aqui:

http://www.mma.gov.br/port/conama/processos/44889FEA/PropResol_GuardaAnimais_VLIMPA_1aRE_CTAJ_04e05mar20132.pdf

 

Ações a favor da divulgação do birdwatching e da conservação da natureza