Um dos parques mais bonitos de São Paulo quer incentivar a observação de aves no local

  • Texto e fotos: Claudia Komesu. Todas as fotos feitas dentro do Jardim Botânico de São Paulo. Câmeras diversas, há fotos de 2009, 2010, 2012 e 2014. Você pode usar qualquer uma dessas imagens para divulgar o Botânico.
  • Este post explica como funciona a carteirinha para observadores de aves, recém-criada pela direção do Jardim Botânico de São Paulo, e contém minhas observações sobre as oportunidades fotográficas do local.
  • Essa aproximação com a direção do Botânico é resultado da postura receptiva e simpática do diretor Domingos Rodrigues, após minha reclamação sobre a proibição da entrada de tripé — um mal entendido já resolvido. Participei de reuniões com a direção do Botânico, redigi o texto sobre a carteirinha seguindo as explicações do Botânico sobre o funcionamento, o Botânico fez algumas alterações a aprovou a divulgação.

Aviso importante: não é imprescindível fazer a carteirinha para fotografar natureza no Botânico. Quem fizer a carteirinha tem direito de entrar às 6h. Se a pessoa permanecer apenas no período das 6h às 9h, não paga ingresso nem estacionamento. A partir das 9h, taxas normais. Quem não tiver a carteirinha, entra às 9h e apenas assina na portaria o compromisso de não comercialização das imagens.

Jardim Botânico de São Paulo de portas abertas para os birdwatchers e outros interessados em observação e fotografia amadora da natureza

O Jardim Botânico de São Paulo confeccionou uma carteirinha para birdwatchers, que permite ao observador ou fotógrafo de aves e outros temas da natureza praticar seu hobby nos dias de funcionamento do parque, em horário especial, das 6h às 9h. Às 9h o parque abre à visitação pública: para continuar o passeio basta ir até a bilheteria e pagar o ingresso* e o estacionamento**.

O Jardim Botânico já oferecia a possibilidade de entrada às 6h aos praticantes de caminhada/corrida portadores de carteirinha específica. A carteirinha para observadores de aves segue o mesmo princípio, mas garante que o fotógrafo amador poderá passear pelo parque, mesmo que esteja portando câmeras profissionais com tripé. É importante ressaltar que essa carteirinha destina-se apenas à fotografia amadora, e quem aderir deverá assinar o termo de compromisso de não comercializar as fotos feitas dentro do parque.

Os interessados em fotografia comercial devem entrar em contato com a administração do Botânico para pedir autorização e pagar as taxas estabelecidas por lei (eventocomercial@ibot.sp.gov.br).

Se a fotografia for para uso pessoal não é preciso pedir autorização. É permitido divulgá-las, inclusive em blogs, redes sociais como o Facebook ou sites como o Wikiaves e Flickr. Nesses casos, se o autor da foto disser que foi no Jardim Botânico, é bom para a divulgação do parque.

A carteirinha de birdwatcher é emitida pelo Jardim Botânico/Instituto de Botânica e fica pronta na hora. O interessado ou um portador deve ir até o Instituto de Botânica, de segunda à sexta das 9h às 17h, procurar o Centro Administrativo, levar uma foto 3×4, pagar a taxa anual de R$ 15 e preencher o termo de compromisso de não comercialização das imagens. Você pode fazer a carteirinha para seus amigos, ou mandar um portador, desde que a pessoa leve o dinheiro, a foto e o termo assinado. Se você não vai pessoalmente, pode conseguir o termo solicitando-o a Ada Pinheiro (apinheiro@ibot.sp.gov.br).

Os birdwatchers agradeceram a postura da diretoria do Jardim Botânico e têm a expectativa de que outros parques públicos sigam o exemplo.

O Jardim Botânico de São Paulo está localizado na Av. Miguel Estéfano 3.031. Abre de terça a domingo, das 9h às 17h e também em feriados***. Quem tem carteirinha de caminhante ou de birdwatcher pode entrar às 6h. Duas linhas que passam na estação de metrô Saúde fazem o percurso (Jd. Clímax e São Savério). Também é possível pegar um táxi na estação São Judas, a corrida fica em torno de R$ 15.

Obs. pessoal de Claudia: É melhor pegar o táxi na saída que fica à direita quando você sai das catracas. Você vai andar um pouco — porque estará andando por baixo da avenida, e na hora que sair, deverá ver uma padaria de esquina do outro lado da rua. Significa que você está do lado certo para pegar o táxi.  Para voltar, não há ponto de táxi por perto. Você pode usar algum aplicativo do celular, ou pegar um ônibus, a maioria passa numa estação de metrô, e o ponto é bem em frente ao Botânico.

*INGRESSOS (mar/2014):

Público em geral………………………………..…..……………R$ 5,00

Estudantes e Idoso acima de 60 anos………………………..R$ 2,50

Crianças até 4 anos e portadores de necessidades especiais são isentos.

 

**ESTACIONAMENTO:

Carro de passeio……………………………………………….R$ 8,00

Moto e Afins……………………………………………………R$ 4,00

Vans, Ônibus e micro-ônibus……………………..…………R$ 20,00

 

***HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO

Aberto: De terça a domingo e feriados, das 9 às 17 horas

No horário de verão: aberto das 9 às 18 horas

Fechado: sexta-feira santa, 25 de dezembro e 1º de janeiro

Mais informações, acesse: http://jardimbotanico.sp.gov.br/

 

O Jardim Botânico de São Paulo é bom para passarinhar?

O Jardim Botânico é uma das áreas verdes mais bonitas de São Paulo. Bonito, bem cuidado, bem frequentado, com vários seguranças – e nenhum deles vem incomodar. Na hora de entrar quem está com câmera assina o termo de não comercialização da imagem, e basta isso. O parque tem um restaurante por quilo muito bom, e pessoas que trabalham na região vão almoçar lá durante a semana.

Nos fins de semana fica lotado nas áreas principais, mas sempre há espaço nas trilhas. Durante a semana há excursões de escolas.

No Wikiaves há registros do pica-pau-de-cabeça-amarela, o pica-pau-de-banda-branca, pica-pau-verde-barrado, pica-pau-anão-barrado, picapauzinho-verde-carijó, tucano-de-bico-verde, colhereiro, caneleiro-de-chapéu-preto, pavó, jacupemba.

O Antonio Silveira, do Programa A Última Arca de Noé, já viu 140 espécies de aves no Botânico. Você pode ver a lista neste link: http://www.aultimaarcadenoe.com.br/aves-do-jardim-botanico/

Somando a lista da Arca de Noé com registros do Wikiaves, são mais de 150 espécies.

Fui passarinhar no Botânico algumas vezes, mas nunca dei muita sorte. Mesmo em 2009, quando fiz a carteirinha para caminhante, e fui uma ou duas vezes às 6h – uma delas com o Emerson Kaseker, que pode atestar nosso azarado silêncio da mata.

O Botânico tem pequenos lagos onde em geral era possível ver irerês, pés-vermelhos, frangos-d´água-comuns, garça-branca-grande, garça-moura, biguás, biguatingas, savacu, e a famosa marreca-pardinha – outra celebridade típica do Sul, mas que decidiu fixar residência e criar filhotes em um pontinho de São Paulo, neste caso o Botânico. No Wikiaves há várias fotos de famílias, inclusive com prováveis híbridos – uma situação comum para anatídeos.

Na semana passada eu e a Juliana Diniz fomos lá, às 9h, e os lagos estavam vazios. No maior em frente à avenida, apenas uns poucos frangos e alguns biguás, e nos outros que ficam mais para dentro, havia máquinas fazendo alguma obra, e o nível de água estavam bem baixo. Apenas uns dois frangos. Quando fui em novembro, na vegetação ao redor do lago fotografei vários insetos interessantes. Desta vez não parei para olhar, mas parecia que as flores não estavam mais lá.

Há uma trilha suspensa com potencial para avistamentos interessantes. Pula-pula, um gavião-bombachinha de longe, mas que foi embora assim que mirei a câmera nele, um Synallax que me parece ser o joão-teneném. Os problemas da trilha: ela está interrompida, com uma barreira e um aviso de que está em obras. você tem apenas uns poucos metros. Não tenho certeza, mas parece que só é liberada às 9h. E durante a semana, as excursões de crianças também passam por lá.

Participei de duas reuniões com a direção do Jardim Botânico (após aquela história da proibição do tripé, que depois foi revogada). É uma equipe muito simpática, e se mostraram dispostos a incentivar o birdwatching no parque. Especialmente o diretor do Centro de Pesquisas, Domingos Rodrigues. Uma das reuniões teve a participação do Luiz Fernando Figueiredo, diretor do Centro de Estudos Ornitológicos e da Silvia Linhares. Na primeira, o grande amigo Robson Bento me acompanhou.

A ideia da carteirinha para observadores de aves foi uma proposta da equipe do Botânico. Falei sobre as dificuldades que tive para observar aves, e se seria possível ter plantas atrativas na beirada das trilhas. Eles disseram que há essa possibilidade, mas que talvez não seja necessário, que pode ser apenas um caso de mapear os locais em que já existem essas plantas. Por exemplo, falaram que há uma região com várias palmeiras jussara. A foto do pavó que está no Wikiaves é do final de junho, numa palmeira.

O Jardim Botânico faz parte do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, que tem 360 mil m2. Infelizmente não temos acesso às trilhas mais internas do parque. Por uma questão de segurança, a visitação só é permitida na área do Jardim Botânico.

Apesar de não haver mamatas para fotografar pássaros, como as cerejeiras do Parque do Carmo ou do Ibirapuera, o Botânico é um lugar promissor. Tem uma ótima estrutura, uma direção disposta a incentivar a observação de aves, e lagos que em condições normais oferecem boas oportunidades fotográficas para as aquáticas. Com a presença de mais observadores de aves, logo será possível mapear os pontos em que é mais provável ver as aves de mata. Além disso, é uma grande alegria saber que não há nenhum caso de birdwatcher abordado por segurança dentro do parque, e que provavelmente não haverá. Todos os seguranças com quem cruzamos eram simpáticos e ninguém estranhou a câmera e tripé. Mesmo não tendo visto muitas aves nas vezes em que fui, é um dos locais que entrou na minha lista de bons lugares para passarinhar, pela segurança, tranquilidade e potencial.

Ações a favor da divulgação do birdwatching e da conservação da natureza (+)