BLOG HO 01
Observadores de aves no Parque Estadual do Rio Doce (PERD). Foto: Eduardo Franco.
ECOAVIS
Observadores de aves no Parque Jacques Cousteau em BH. Foto: ECOAVIS Divulgação.
Lagoa Seca
Tenda da ECOAVIS divulgando o Movimento Pró Lagoa Seca. Foto: Eduardo Franco.
BLOG HO 02
Observadores mirins. Foto: Eduardo Franco.
Pampulha
Observadores de aves na Lagoa da Pampulha. Foto: Eduardo Franco.
AVISTARES
Observadores de aves no Tanquã. Foto: Gustavo Pinto.
tanqua
Coordenadores dos Avistares no Parque do Zizo. Foto: Eduardo Franco.

 

Apesar de ter sido oficializada entre naturalistas europeus, a observação de aves é também uma prática turística contemplativa e, portanto, uma atividade de lazer. Os americanos foram os responsáveis por a dar esse viés econômico ao birdwatching e depois disso a atividade se espalhou rapidamente. Além de oferecer diversão, a observação de aves é uma das atividades de natureza mais democráticas que existem. Qualquer pessoa pode observar aves, não importa sexo, idade ou profissão. Não importa se conhece o nome de 10, 100 ou 1000 espécies nem muito menos se reconhece as vocalizações. Para começar a observar basta curiosidade, disposição e apreço pela natureza.

No Brasil é recente, mas a observação de aves já possui praticantes em todas as regiões e, a cada dia, mais e mais pessoa se rendem e começam a passarinhar. Obviamente, como é normal em todo tipo de grupo, existem nichos e cada um desses nichos possuem características que os distinguem, apesar de derem praticantes de uma mesma atividade. Posso me atrever a listar alguns tipos de observadores: o observador stricto sensu, aquele que não vive sem seu binóculo; o observador fotógrafo, o que sempre está em busca da melhor foto; o observador pesquisador, que geralmente tem a ornitologia como profissão mas se diverte com as atividades de observadores; o observador ambientalista, sempre engajado e politizado, via de regra sempre associa a observação à alguma ou reivindicação; e o guia ornitológico ou empresário, aquele que fez da observação de aves uma fonte de renda, como guia ou proprietário de empresas, pousadas entre outros. Essa classificação é resultado das minhas observações ao longo do tempo que observo aves e não significam uma verdade. Claro que também existem aqueles observadores que absorvem misturas entre vários dos “tipos” acima. O importante é que, qualquer uma dessas pessoas, se diverte com a observação de aves e, de uma forma ou de outra, contribui para a conservação ambiental.

Como será que uma atividade turística relativamente simples e barata, pode contribuir tanto para a conservação ambiental? O que fazem os observadores de aves que ajudam tanto em pesquisa? Bem, existem vários exemplos e o objetivo desse texto é apresentar alguns recentes.

A ECOAVIS – Ecologia e Observação de Aves, instituição que sou sócio e atual Diretor Vice Presidente, tem um histórico de 5 anos de atividades, parcerias, projetos e eventos que servem para entender melhor como isso tudo funciona. Desde sua fundação, a ECOAVIS já possuía parceria com o IEF – Instituto Estadual de Florestas. Naquela oportunidade, o Projeto AVISTAVIS, consistia em executar atividades teórico-práticas no Parque Estadual do Rola Moça, visando atrair novos praticantes. Posteriormente, o projeto foi transferido para a capital e atualmente é executado juntamente com a Fundação de Parques da Prefeitura deBelo Horizonte, com atividades mensais nos parques municipais de BH. Em ambos os casos a observação de aves foi utilizada para resgatar a utilização dos parques públicos como local de contemplação de natureza.

Um dos projetos mais emblemáticos da ECOAVIS e que fez nossa instituição ganhar destaque na mídia ambientalista, foi o Projeto Movimento Pró Parque Lagoa Seca. O projeto consiste na cobrança do cumprimento de encerramento de atividades minerárias e de suas condicionantes, entre elas a de transformação da região conhecida como “Lagoa Seca” em um espaço de uso público coletivo. O projeto ganhou apoio de diversas entidade, pessoas e políticos, gerando então um Projeto d Lei 1.711/2011, que “Cria o Parque Municipal Lagoa Seca e dá outras providências.”, que entrou em tramitação no dia 10/06/2011. A ECOAVIS realiza encontros bimestrais onde promove um Rally Fotográfico, para atrair observadores de aves e entusiastas.

Em 2013, a ECOAVIS foi convidada pela Defensoria Pública da União no Estado de Minas Gerais para participar do Projeto Minas Livre de Gaiolas, que consiste em combater o tráfico de aves e seu aprisionamento em gaiolas. Nossa entidade participa organizando atividades de observação com crianças e adolescentes da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte.

Em 2014 iremos participar do projeto Águas do Saraiva coordenado pelo CeMAIS (CentroMineiro de Alianças Intersetoriais) e patrocinado pela Petrobrás, que consiste na recuperação e conservação de 50ha de áreas de proteção ambiental ao longo da micro bacia do Córrego do Saraiva, em Betim/MG. A observação de aves será utilizada como ferramenta para educação e interpretação ambiental bem como para o reconhecimento do sujeito como parte do ambiente.

Um dos principais cartões postais de Belo Horizonte/MG, a Lagoa da Pampulha, está sob ameaçada de perder parte da área de águas rasas, que abrigam milhares de aves aquáticas todo ano, que migram para a região. A ECOAVIS comprou a briga e conseguiu que uma área fosse destinada à construção de um parque destinado para a observação de aves.

Ainda na Pampulha, além desse exemplo posso também citar a importância da observação de aves em relação ao registro e distribuição de espécies. Ano passado, o biólogo e sócio da ECOAVIS, Daniel Dias, fez o primeiro registro documentado para o combatente (Calidris pugnax).

No fim de semana de 23 de março de 2014, ocorreu em SP, um dos belíssimos exemplos do potencial da observação de aves em relação à conservação ambiental. Cerca de 160 pessoas se encontraram na região conhecida como Tanquã para realizar uma evento de observação de aves visando sua conservação. Além da grande quantidade de pessoas, o evento chamou atenção da mídia.

Como evento o Avistar Brasil e os Avistares Regionais (RJ, BRB, BH, SC e MS) são os eventos ligados à observação mais envolvidos com conservação ambiental. Neles se reúnem observadores de aves de todas as partes do mundo para discutir sobre a atividade, avaliando o passado e planejando o futuro. Não deixe de participar desses eventos! Além dos Avistares, existem outros vários eventos espefícicos, como os relacionados à alguma espécie (Festival Papagaio Charão) ou a uma região (Festival Aves de Paraty).

Esses são alguns exemplos de como a observação de aves tem contribuído para a conservação ambiental brasileira. Existem uma infinidade de outros casos espalhados pelo Brasil. Fato é que esses exemplos só são possíveis graças à cada um dos observadores citados no início do texto. Não importa como, nem onde e como, se você é um observador de aves, certamente ajuda o ambiente ao seu redor.

Ações a favor da divulgação do birdwatching e da conservação da natureza (+)