Rio Mambucaba 2
Rio Mambucaba
Rio Mambucaba 1
Rio Mambucaba
Palestra de Juan Culasso
Palestra de Juan Culasso
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto 5-2
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto
Shambhala Lounge 3
Shambhala Lounge
Rio Mambucaba 3
Rio Mambucaba
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto 1
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto
Shambhala Lounge 5
Shambhala Lounge
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto 3
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto
Shambhala Lounge 2
Shambhala Lounge
Shambhala Lounge 4
Shambhala Lounge
Egretta thula
Egretta thula
Ramphastos vitellinus
Ramphastos vitellinus
Rio Mambucaba 4
Rio Mambucaba
Conopophaga melanops
Conopophaga melanops
Rio Perequê-Açu
Rio Perequê-Açu
Shambhala Lounge
Shambhala Lounge
Tangara cyanocephala
Tangara cyanocephala
Coragyps atratus
Coragyps atratus
Tangara seledon
Tangara seledon
Tigrisoma lineatum
Tigrisoma lineatum
Trogon viridis
Trogon viridis
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto 2
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto 4
Workshop Observ Aves Tietta Pivatto

 

  • Texto: Fred Dentello, Mestre em Psicologia Experimental
  • Fotos: Fred e Tietta Pivatto
  • Post com o anúncio do Festival

Este é o relato de minha participação no Festival de Aves de Paraty, de 12 a 14 de setembro de 2014, que escrevi originalmente como membro do Centro de Estudos Ornitológicos. Estive lá com a Tietta Pivatto, e além de nós havia outros associados do CEO, e tantos outros passarinheiros em geral. Foi delicioso. Avistei 43 lifers, dentre 82 espécies identificadas. E tive horas sem conta de conversa com os amigos reencontrados e os novos recém-conhecidos.

Fui a Paraty de ônibus na quinta-feira, partindo de São Paulo às 12h15. Desembarquei às 18h30. De uma ponta a outra, duas paradas de meia hora cada, em Paraibuna e em Ubatuba. Além de dar preferência a um horário diurno, vale comprar uma janela no lado direito, porque depois de passar por São José dos Campos vêm horas de paisagem interessantes, e dá pra flagrar a fauna local ao longo do caminho. Avistei, por exemplo, quero-quero (Vanellus chilensis) pousar no telhado de uma casa; um socozinho (Butorides striata) num riacho à beira da estrada; e tesourão (Fregata magnificens) em belos voos perto do mar.

Publiquei minha lista de Paraty no Táxeus, com as coordenadas geográficas dos avistamentos. Segue o link: http://taxeus.com.br/lista/3546

Tietta e eu nos hospedamos na Pousada Abayomi, na estrada Paraty-Cunha. Além do conforto oferecido e do saboroso café da manhã, tem ainda a mata por todos os lados e o rio que passa ao lado. Do jardim, vi em abundância as saíras-sete-cores (Tangara seledon) e saíras-militares (T. cyanocephala), e avistei sanhaço-de-encontro-azul (T. cyanoptera) e pula-pula (Basileuterus culicivorus). Embora para os colegas com mais tempo de prática na observação de aves estas sejam espécies comuns, para um iniciante é indescritível o prazer de descobrir tantas cores juntas enquanto tomava o café da manhã.

O Festival de Aves aconteceu perto dali, no Shambhala Lounge, mais propício ainda para observar aves. As palestras trouxeram notícias interessantes e positivas sobre as ações de proteção da fauna, com a expansão e organização de áreas de proteção públicas e privadas, assim como oportunidades para experimentar a observação de aves de pontos de vista diferentes e fascinantes. Para mencionar apenas uma, a palestra de Juan Culasso, sobre paisagens sonoras e o avistamento de aves sem usar os olhos. Em minha opinião, é um ponto de vista estético, sobre a beleza, até filosoficamente, que invade as considerações científicas sobre a avifauna. Mas isso é assunto para outro relato.

O Festival também foi propício para as crianças, que compareceram às centenas para as atividades preparadas para elas. Além de darem a sensação de estarmos em meio a grandes e sonoros fluxos de passarinhos, sua presença interessada e brincante faz a gente se animar, quando pensa como essas experiências terão efeito por vidas inteiras.

No sábado, partimos às cinco da manhã pra passarinhar em floating no Rio Mambucaba, guiados pelo Felipe Lima (facebook.com/felipelimaparaty) e Gabriel Toledo (birdsparati@hotmail.com). Antes de entrar no barco, percorremos a pé um trecho de estrada de terra na mata até a margem, e uma trilha no sítio onde fizemos o desjejum. Logo no começo estivemos no meio do que parecia uma multidão de rendeiras (Manacus manacus), pelo intenso som das vocalizações, e pudemos observar também seu display para as fêmeas. Dentre as dezenas de outras espécies avistadas, menciono:

– tucano-de-bico-preto (Ramphastos vitellinus)

– benedito-de-testa-amarela (Melanerpes flavifrons)

– acauã (Herpetotheres cachinnans)

– formigueiro-de-cabeça-negra (Formicivora erythronotos) e matracão (Batara cinerea)

– cuspidor-de-máscara-preta (Conopophaga melanops)

– caneleiro (Pachyramphus castaneus)

– sabiá-una (Turdus flavipes)

– pula-pula-ribeirinho (Myiothlypis rivularis)

– guaxe (Cacicus haemorrhous) e vários de seus ninhos

– tiê-galo (Lanio cristatus), sanhaço-de-encontro-amarelo (Tangara ornata) e saí-andorinha (Tersina viridis)

Na volta, avistei ainda um gavião-pombo-grande (Pseudastur polionotus) pousado numa árvore à beira da estrada, belo e imponente. Chegamos em Paraty às 14h30, para almoçar e continuar as atividades no Festival.

Sem procurar muito no restante da viagem, ainda avistamos, por exemplo, gavião-pega-macaco (Spizaetus tyrannus), surucuá-grande-de-barriga-amarela (Trogon viridis), arapaçu-de-garganta-branca (Xiphocolaptes albicollis), e catirumbava (Orthogonys chloricterus).

Ufa. Mas ainda havia outras opções para avistar ainda mais, seja em número de espécies, seja em tempo dedicado a espécimes.

Checando agora, percebo que avistei 16 ordens diferentes, com indivíduos de 36 famílias. A variedade de espécies que podem ser avistadas em Paraty é estonteante. E nem procuramos as aves marinhas, nem os manguezais e outras trilhas em diferentes altitudes da serra. “Não subestime a Mata Atlântica”, me disse o Luciano Moreira Lima, que relatou também que metade das espécies da Mata Atlântica pode ser encontrada em Paraty. Impossível tirar-lhe a razão. É um lugar para visitar sempre, e preservar, por muitas razões, para o bem de nossa própria espécie.

 

Ações a favor da divulgação do birdwatching e da conservação da natureza