Parque Nacional de Doñana — muito bom se você não está estragado pelo Pantanal ou Esteros del Iberá

No início de 2017 decidimos fazer uma viagem pra Espanha, para conhecer dois lugares bem falados mundialmente: o Parque Nacional de Doñana, e o Estreito de Gibraltar. Este post mostra a primeira parte da viagem.

Custos da viagem para passarinhar em Doñana e Gilbraltar e passar alguns dias em Sevilha

24 de abril a 4 de maio de 2017  – valores em euros

  • Passagens: 1.423 dois adultos Guarulhos – Sevilha
  • Carro Hertz 8 diárias: 618
  • Hospedagem: Sevilha 1 diária (126) + El Rocio 3 diárias (132) + Huerta Grande 2 diárias (108) + Ronda 1 diária (96) + Sevilha 2 diárias (195) = total de 657
  • Guia em Doñana – Discoveringdonana : 1 tour privado dia inteiro (255) + tour privado meio dia (155) + almoço (20) = 425
  • = 3.123 euros

Não anotei o gasto com gasolina e alimentação, e comemos em alguns lugares mais caros, sempre bebíamos vinho no jantar, então estimo uns 1.000 euros com alimentação para 8 dias, mais uns 300 de gasolina, ou seja, uns 4.500 euros.

O Parque Nacional de Doñana tem as aves típicas das regiões alagadas, e é descrito como uma grande maravilha, com muitos avistamentos de aves. Os birdwatchers costumam ficar hospedados na cidade de El Rocio, que fica bem próxima de uma das entradas do parque. Você não pode ir sozinho, é obrigatório contratar um guia. Há uma estrada municipal que  percorre um pedaço do parque, mas a sinalização não é bem feita. Nos dias que estávamos lá com nosso guia vimos um carro atolado na estrada, que é bem arenosa. Nosso guia não quis parar pra ajudar, falou que era bem feito por eles desrespeitarem a sinalização, mas posso dizer que a entrada do parque, perto de El Rocio, tem uma placa discreta dizendo que é proibida a entrada, e não tenho certeza se no sentido contrário há uma boa placa de aviso.

No final de abril pegamos um voo pra Sevilha que chegava à noite. Dormimos em Sevilha num pequeno hotel bem localizado, o The Zentral Arenal: https://www.booking.com/hotel/es/the-zentral-arenal-suites.en-gb.html . Era possível ir a pé ao Mercado Lonja del Barranco, um lugar com vários estandes http://www.mercadolonjadelbarranco.com/ onde você podia pegar uma porção de presunto cru, pratos marítimos, vinhos por taça, sobremesas. Comida boa num local muito agradável.

No dia seguinte fomos pra região de El Rocio, onde ficamos hospedados no Hostal Rural la Fonda del Rocio https://www.booking.com/hotel/es/hostal-rural-la-fonda-del-rocio.en-gb.html , um lugar bem simples mas funcional.

Nesse dia fomos passear de carro pela região, e jantamos na cidade de Matalascañas, na Taberna Tio Paco: https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g658704-d984536-Reviews-Taberna_Tio_Paco-Almonte_Province_of_Huelva_Andalucia.html . Razoável, mas fritura demais pra gente. Em El Rocio comemos principalmente no Restaurante Toruno: https://www.tripadvisor.com.br/Restaurant_Review-g658704-d984535-Reviews-Restaurante_Toruno-Almonte_Province_of_Huelva_Andalucia.html

Tínhamos agendado um dia e meio de passeio em Doñana, com a empresa Discovering Doñana http://www.discoveringdonana.com/. É bem caro, 255 euros para um dia inteiro de tour privado, e 155 euros para meio período, mas eles pareciam ser os mais profissionais e melhor avaliados entre os guias pra região.

Doñana é descrito como um dos parques mais incríveis da Espanha. Não sei o quanto somos estragados por passarinhar no Brasil e na África do Sul, mas não ficamos impressionados. Talvez seja muito legal para birdwatchers com lunetas, mas pra fotógrafos com lentes de 400mm não era muito emocionante.

Fizemos um dia e meio de passeio. No início do dia íamos para lugares com mais chance de ver mamíferos. Nosso guia nos levou para lugares onde havia chance de ver raposas, mas elas não apareceram. Vimos alguns veados Red Deer (Cervus elaphus), coelhos, e Wild Boar. Torcemos muito pra encontrar linces, mas não vimos. Nesse um dia e meio de passeio fotografei 41 espécies de aves, com destaque para a Golden Eagle, o casal de Marbled Teal, e a Black Stork.

Além de não haver pontos para fotografar as aves bem de perto, e de não ser uma grande abundância, outro fator que prejudicou o passeio foi nosso guia. Imagino que ele tinha um grande conhecimento sobre aves, mas era alguém que não fez nenhum esforço pra ser simpático e, pior, levou a câmera e fotografou junto, às vezes atrapalhando o Cris, que estava no banco da frente. Quando o bicho estava do lado do motorista, esse guia se posicionava sem se importar se atrapalhava o Cris. A gente não estava com pique pra brigar, era só um dia e meio, não tínhamos alternativa de com quem passear em Doñana, então não falamos nada, mas achei bem desrespeitoso com o cliente. Num momento do passeio, a gente papeando, ele até falou algo como “eu reajo conforme o cliente, quanto mais o cliente demanda, mais eu dou de informações”, talvez como se quisesse dizer que ele não estava falando muito porque não estávamos fazendo perguntas.

Outro momento engraçado foi quando o porta-luvas ficava abrindo, porque tinha algo enroscado, na terceira vez que abriu e bateu na perna do Cris, o Cris estendeu a mão pra tentar empurrar as coisas pra dentro do porta-luvas e resolver o problema, e levou um tapa na mão, do tipo “não toque no conteúdo do meu porta-luvas”.

Assim como em nossa experiência no sul da Espanha (Extremadura) em 2015, esse guia não usava playback.

Foi triste pensar que estávamos pagando mais de 400 euros pra um guia assim, pra passarinhar num lugar que os relatos diziam ser tão espetacular. Eu entendo que comparado a outros lugares de Europa e Estados Unidos, Doñana se destaca. Mas a gente achou que não valeu a pena. A maioria dos bichos ficava longe, tudo era cercado (atrapalhando as fotos), não teve nenhum momento pra sentir “este lugar é incrível”. Pode haver diversidade de espécies, mas no fator emoção, Pantanal, Esteros del Iberá, África do Sul, mesmo o Tanquã são lugares bem mais interessantes.

Lista das espécies que fotografei:

  • Black Kite (Milvus migrans),
  • Black Stork (Ciconia nigra),
  • Black-crowned Night Heron (Nycticorax nycticorax),
  • Black-winged Stilt (Himantopus himantopus),
  • Common Chaffinch (Fringilla coelebs),
  • Common Ringed Plover (Charadrius hiaticula),
  • Common Swift (Apus apus),
  • Corn Bunting (Emberiza calandra),
  • Crested Lark (Galerida cristata),
  • Eurasian Coot (Fulica atra),
  • Eurasian Kestrel (Falco tinnunculus),
  • Eurasian Reed-Warbler (Acrocephalus scirpaceus),
  • Eurasian Spoonbill (Platalea leucorodia),
  • European Bee-Eater (Merops apiaster),
  • European Greenfinch (Chloris chloris),
  • European Stonechat (Saxicola rubicola),
  • European Turtle-Dove (Streptopelia turtur),
  • Ferruginous Duck (Aythya nyroca),
  • Gadwall (Mareca strepera)
  • Glossy Ibis (Plegadis falcinellus),
  • Golden Eagle (Aquila chrysaetos)
  • Great Crested Grebe (Podiceps cristatus),
  • Greater Flamingo (Phoenicopterus roseus),
  • Grey Heron (Ardea cinerea),
  • Lesser Black-backed Gull (Larus fuscus),
  • Little Egret (Egretta garzetta),
  • Little Grebe (Tachybaptus ruficollis),
  • Little Owl (Athene noctua),
  • Marbled Teal (Marmaronetta angustirostris),
  • Northern Lapwing (Vanellus vanellus),
  • Pied Avocet (Recurvirostra avosetta),
  • Pin-tailed sandgrouse (Pterocles alchata),
  • Pochard (Aythya ferina),
  • Purple Heron (Ardea purpurea),
  • Red Kite (Milvus milvus),
  • Red-crested Pochard (Netta rufina),
  • Red-legged Partridge (Alectoris rufa),
  • Squacco Heron (Ardeola ralloides),
  • Whiskered Tern (Chlidonias hybrid),
  • White Stork (Ciconia ciconia),
  • Woodchat Shrike (Lanius senator)

 

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