O espetáculo da migração em Gilbraltar exige um pouco de sorte com o clima

Custos da viagem para passarinhar em Doñana e Gilbraltar e passar alguns dias em Sevilha

24 de abril a 4 de maio de 2017  – valores em euros

Esta viagem nossa não é um bom exemplo de como aproveitar a migração em Gilbraltar. Só tínhamos essa data, mas o período para aproveitar a maior quantidade de aves é mais ou menos na segunda quinzena de março. Conversando com os birders que conhecemos lá, também vimos que as pessoas costumam reservar vários dias, não só dois como fizemos. Este post tem boas informações: https://birdingcadizprovince.weebly.com/2—tarifa.html

  • Passagens: 1.423 dois adultos Guarulhos – Sevilha
  • Carro Hertz 8 diárias: 618
  • Hospedagem: Sevilha 1 diária (126) + El Rocio 3 diárias (132) + Huerta Grande 2 diárias (108) + Ronda 1 diária (96) + Sevilha 2 diárias (195) = total de 657
  • Guia em Doñana – Discoveringdonana : 1 tour privado dia inteiro (255) + tour privado meio dia (155) + almoço (20) = 425
  • = 3.123 euros

Não anotei o gasto com gasolina e alimentação, e comemos em alguns lugares mais caros, sempre bebíamos vinho no jantar, então estimo uns 1.000 euros com alimentação para 8 dias, mais uns 300 de gasolina, ou seja, uns 4.500 euros.

A segunda parte do roteiro passarinheiro era ver a migração em Gibraltar. O estreito de Gibraltar é um dos locais mais famosos do mundo para ver o espetáculo da migração. Na primavera e no outono, dezenas de milhares de aves passam por esse ponto. Na primavera (março-abril-maio) elas estão indo da África para a Europa, e no outono fazem o inverso. As aves voam com menos esforço graças às correntes térmicas que sobem da terra, e o estreito de Gibraltar é a menor distância entre África e Europa, são apenas 14km.

Faz anos que pensava em ir pra lá, e sempre tinha dúvidas do quão baixo as aves passam, se era aquela coisa de ver um bando de urubus voando alto no céu, ou se seria mais emocionante. Eu tinha uma noção de que muito baixo eles não passariam, porque as fotos que aparecem dá pra ver que as aves estavam no alto. E também me pareceu que a migração no segundo semestre é mais interessante do que no primeiro semestre, mas essa era a janela de tempo que tínhamos, por isso fomos lá.

Tínhamos só 8 dias de passeio. Planejamos 2 dias de passeio em Donãna, 2 pra Gibraltar,  1 em Ronda (uma cidade medieval linda), o resto era Sevilha e logística.

Saímos de El Rocio e fomos pra cidade de Tarifa, perto do Estreito de Gibraltar. Eu sabia que a migração é boa pra lunetas, mas tinha lido que os passarinhos costumam ficar em alguns lugares mais verdejantes da rota, pra se recuperarem, e que uma dessas green traps era a região de Algeciras, e que o Complejo Huerta Grande tinha uma boa área verde para fotografar. https://www.booking.com/hotel/es/complejo-rural-huerta-grande.es.html

Eu estava animada pra Huerta Grande, achando que poderia fotografar muitos passarinhos, insetos e flores. O tempo estava nublado, e no caminho pra lá ainda lembro de ter falado pro Cris “eu vou fotografar em Huerta Grande, mesmo que esteja chovendo muito”. Eu tinha levado capa de chuva, e a Olympus TG3 é a prova d´água. Lembro bem das minhas palavras, porque no primeiro dia em Huerta Grande, eu fui derrotada. Chovia tanto a ponto das minhas mãos ficarem geladas, e eu começar a tremer de frio, fui obrigada a voltar pro chalé.

A chuva não atrapalhou só a fotografia macro, atrapalha a migração também. Quando está chovendo forte, as aves interrompem o trajeto e esperam o tempo melhorar. Chegamos no dia 28 de abril, e não conseguimos fotografar nenhum migrante. No dia 29 a chuva diminuiu no fim do dia, e conseguimos ver nossos primeiros Black Kites e Honey Buzzards. Não tinha parado de chover, só diminuído, os que vimos era os mais corajosos que cruzaram mesmo com a chuva.

O dia seguinte amanheceu com sol, e pensamos “é hoje. Depois dessa chuva, hoje veremos o espetáculo da migração”, mas não foi o que aconteceu. Vimos menos aves ainda do que no dia anterior, e em Huerta Grande não havia uma festa de passarinhos. Mudamos a programação pra ficar mais uma noite em Tarifa, mas mesmo na manhã seguinte os bichos ainda não tinham aparecido. Fomos embora.

Conversando com alguns birdwatchers que também estavam nesses locais que são os pontos altos da estrada, tradicionais para os avistamentos, eles nos falaram que neste ano a migração estava atrasada.

Este site é muito bom, ele mostra uma tabela com o pico da passagem de cada espécie: https://birdingcadizprovince.weebly.com/2—tarifa.html mas não é algo exato.  Por exemplo, nos dias 28 e 29 de abril não vimos Sparrowhawks e Robins, mas já vimos alguns Honey Buzzards. A segunda quinzena de março parece ser o melhor período, e imagino que vale a pena reservar pelo menos uma semana no local, em vez de 2 dias como fizemos, mas era o tempo que a gente tinha. Na galeria as fotos do final são de Matalascañas, uma cidade costeira perto de El Rocio. Chegamos lá num fim de tarde, foi nosso primeiro dia de viagem. Tinha um parque de dunas com passarela, várias flores e insetos, poucas aves. Até vimos algumas Eurasian Jays (Garrulus glandarius) mas não conseguimos fotografar.

A cidade de Tarifa, onde íamos almoçar, é bem bonitinha, tem vários restaurantes e alguns supermercados. Nosso chalé em Huerta Grande tinha cozinha. Em Tarifa gostamos muito do Bar El Ancla, do Restaurante La Pescaderia e do Bar El Francês.

Este foi o fim da parte passarinheira da viagem. Os dias seguintes foram em Ronda e em Sevilha.

Ronda e Sevilha

Ronda é uma cidade linda, que existe desde a época dos romanos. Aqueles lugares onde as construções se integram com a paisagem. Lá ficamos no Hotel Enfrente Arte https://www.booking.com/hotel/es/enfrentearte.en-gb.html  (um local com café da manhã excelente, feito com muito capricho) e fizemos uma das melhores refeições da viagem no De Locos Tapas.

No caminho pra Sevilha passamos por Grazalema, uma região bastante cênica, e fizemos um ótimo piquenique.

Em Sevilha ficamos hospedados numa casa de Airbnb agradável e bem localizada, vou colar abaixo a avaliação que o Cris fez do local no site do Airbnb:

“Lola e Alexandre foram ótimos anfitriões na comunicação, check-in e checkout. O local é muito bom, a 10 min a pé do centro, num local com mercado (de la Encarnación a menos de 100m) e perto de bons restaurantes (incluindo o Contenedor, nosso preferido, a poucos minutos). É bem silencioso, por estar em rua de pedestres e ser voltado para um pátio interno, com vizinhos que em maioria também são viajantes. Cama e banho bons, tudo novo, bom isolamento de luz e sons, móveis funcionais, roupa de cama e banho de qualidade e decoração bonita. Não usamos a cozinha, mas parecia bem equipada – exceto para aguentar muita fumaça, pois as janelas são pequenas. Em troca da tranquilidade e localização central, há dois lances de escada e uma rua onde o táxi não vai chegar – precisa andar meia quadra – e não muita iluminação natural. São situações comuns em cidades como Sevilha, em que os apartamentos são adaptados em edifícios antigos. A dica é deixar as malas no guarda volumes da estação Santa Justa, a cinco euros por dia um locker grande (no aeroporto não tem guarda- volumes) e ir para o apto de taxi só com uma mala de mão. Recomendamos bastante o apto de Lola e Alexandre pela comodidade, conforto, localização e tranquilidade.”

Comemos no Eslava, um bar de tapas que a gente já conhecia da viagem de 2015. Estava bom, mas achamos que em 2015 era melhor e gostamos bastante do conTenedor.

Em Sevilha também tivemos a oportunidade de visitar a Feria de Abril, um evento que acontece desde 1847. A cidade fica incrível: os homens saem de terno e gravata, e as mulheres usam vestidos típicos coloridos, há várias carruagens e cavaleiros. O mais peculiar foi reparar na quantidade de mulheres que não carregavam bolsa, mas levavam o celular encaixado no decote do vestido. É muito bonito de ver e fotografar, mas bastante exaustivo pra misantropos como eu, e em menos de 2h, pedi pro Cris pra gente ir embora.

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Gostamos muito da Espanha e pretendemos ir mais vezes. Nossos passeios em Doñana e Gibraltar podem não ter sido como esperávamos, mas pra Doñana basta ir com a expectativa certa, entender que as resenhas que falam o quanto é espetacular provavelmente não conhecem o Brasil e o Pantanal, e não precisam de proximidade com o bicho. E pra Gilbraltar, ainda voltaremos com mais tempo. É bonito ver os birdwatchers da gema, ingleses que estavam há dois meses acampados nas proximidades e que há anos mantém cadernos com anotações da contagem das espécies vistas a cada dia.

 

 

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